Uma nação de pelés

22 de fevereiro de 2010

Ao fundo (pontinhos desfocados) sua excelência O Povo

A quem interessa as eleições de 2010?

Por enquanto, e infelizmente, a pouca gente. Pouquíssima gente. Os suspeitos de sempre: aqueles que, a curto, médio ou longo prazo, vão faturar algum trocado com as vitórias. Dos candidatos a cargos comissionados aos marqueteiros e seus fiéis ou infiéis carregadores de piano. Dos jornalistas que faturam jornalisticamente com as notícias e análises que divulgarão (e já divulgam, presente do indicativo) aos jornalistas que faturam monetariamente com a mesma moeda de troca, sem metáfora alguma. E, off course, aos políticos.

Traduzindo: existem muito mais interesses (ou interesseiros) do que interessados nas eleições destes Anos 10.

Enquanto isso, a tal sociedade civil, cada vez mais desorganizada, não tá nem aí para quem vai eleger e quem será eleito – com seu voto ou com o voto alheio. A propósito, quantos anos, mesmo, daquela famosa frase – brasileiro não sabe votar – ? O autor da máxima era um jogador de futebol. No tempo em que jogador de futebol jogava bola e pronto.

Nada contra jogadores de futebol, mas não deixa de ser irônico que tenha sido um deles a sair em campo para definir o que, trinta anos depois, nenhum sociólogo de plantão conseguiu. Não por culpa deles, mas porque O Povo – essa entidade mágica – nunca se interessou em discutir o tema com o mesmo fervor com o qual vem se dedicando às arquibancadas dominicais, derna o tempo em que jogo de futebol era só aos domingos.

Hoje, o futebol só não obriga a novela a mudar de horário – aliás. Mas, ambas entidades já entraram em comum e interessante acordo, que vem sido reforçado há – e isto é fantástico – dez anos, pelo Big Brother etc.

Falando em BBB, inegável que o programa é a exceção à regra de Pelé: nunca na história deste país se votou tanto e tão corretamente. Gente pelé vota em pelé.

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