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O marqueteiro – [e V]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A família de Alexandre Macedo sempre foi madrugadora. Das 5h30 às 7h da manhã o tempo era dedicado à leitura dos jornais – menino, gostava de saber o que acontecia na cidade, no estado, no mundo.

Desde criança, também, era “fascinado” pela política. Aluno Marista durante 12 anos, do pré-primário ao pré-vestibular, foi no colégio onde conquistou as primeiras vitórias eleitorais. Nada de marketing, ainda: o candidato era ele mesmo – primeiro vice-presidente, depois presidente do centro cívico.

Também chegou a ser governador-mirim – mas aí as eleições eram indiretas. Mandatos biônicos dispensavam campanhas eleitorais e consequentemente marqueteiros.

Eu sempre tive um olho pra política. A relação com a política me energiza bastante.

Saindo do Marista, fez vestibular em Natal e Mossoró – o que demonstra, se não sua insegurança, ao menos sua cautela. Foi aprovado nas duas universidades, mas obviamente opta pela capital, onde se diploma em 1985.

Quando entrei no curso de direito, eu abracei um princípio do qual nunca mais me separei:

– Quando você entra em qualquer coisa, você entra pra ser o melhor.

E, para ele, para o profissional de marketing, ser o melhor significa ir muito além do contrato profissional.

Eu não consegui ainda hoje fazer uma campanha onde eu não estivesse completamente envolvido por ela. Quem trabalha com comunicação não pode esquecer nunca que o lado profissional é importante, mas o lado da realização, de saber que está fazendo um trabalho que poderá dar um resultado positivo – não para alguém isoladamente, mas para um conjunto, um sistema – é muito forte.

Muito forte, também, é a carga emocional que diz jogar nas campanhas – e em si mesmo – embora reconheça a importância de saber dosar essa carga: Macedo não esquece o pragmatismo – e acredita que profissionais da comunicação, especialmente do marketing político, realizam um trabalho que exige fígado, mas onde também é indispensável ser “mais cerebral”.

*

Para ele, uma das primeiras pessoas a quem o candidato deve convencer é o próprio marqueteiro. Que, por sua vez, primeiro deve ouvir o candidato, segundo a sua estrutura política, para, terceiro, por derradeiro, ouvir o povo – a ordem, para ele, é exatamente essa.

A partir daí você faz um projeto, elabora uma linha de comunicação, acredita nela e vai em frente. Porque se você ficar todo dia mudando seu projeto, a depender do humor do candidato, ou apenas da experiência de outros políticos que o apóiam, você naufraga.

Do mesmo jeito que tem de haver um comando político numa eleição, tem de haver um comando de comunicação. E eu só fiquei nessas campanhas o tempo que fiquei porque exerci o poder dentro da comunicação, restrito à comunicação.

O projeto de Alexandre Macedo, claro, não é apenas a campanha em si: é a vitória.

Eu graças a Deus ainda não senti o gosto da derrota – e espero não sentir, mesmo.

Se declara feliz com a invencibilidade. Seria cínico se afirmasse o contrário.

É ele quem diz, não sou eu.

O fígado trabalha contemporaneamente ao cérebro. Um não se sobrepõe ao outro. E vice-versa.

Como é ele mesmo quem lembra a exceção que confirma a regra – e o porém complementar que justifica a ressalva.

É cínico se eu disser que não tenho a felicidade de dizer que todos os candidatos pra quem eu ajudei, ou trabalhei, nesse período, de majoritário, de Executivo, todos venceram a eleição. O único que eu não tive sucesso foi Fernando Bezerra, na eleição do senado [em 2006], mas recebi dele, pós-eleição, os efusivos parabéns pelo trabalho que foi feito. Não foi o marketing que o teria eleito, também não foi o marketing que o derrotou. Mas, para o Executivo, graças a Deus, até hoje, todas as campanhas que eu participei, eu tive a sorte a sorte de ter os melhores candidatos, e eles ganharam as eleições.

Alexandre Macedo é ambíguo. Por defesa, talvez. Reconhece a importância do profissionalismo, ao mesmo tempo em que atribui o sucesso à “sorte”. Fala em felicidade, mas nega que a vitória tenha um sabor especial. Prefere falar em “satisfação” – a de que A, B, C ou Z acreditou no seu trabalho. Se o trabalho rendeu um projeto vitorioso – e, como vimos, quase sempre rendeu –, fala em “prazer”.

Alexandre Macedo é radical.

Eu tenho o desejo excessivo de ser vitorioso. Porque se você não procurar ser vitorioso, naturalmente você está procurando ser fracassado.

Daí que não é de se estranhar que, em outros momentos, chegue a usar termos arrebatadores, viscerais, sempre excessivos – como quando afirma que o marqueteiro deve entrar numa campanha com a paixão pela vitória.

E eu tenho as duas coisas: tenho a paixão pela vitória e tenho profundo desrespeito – não é desrespeito, não, vamos mudar a palavra: eu tenho profundo… é… Vamos traduzir: eu não gosto de perder.

Todo ser humano gosta de ganhar. Ganhar em todos os aspectos, você gosta de ganhar no amor, você gosta de ganhar na profissão… a única coisa que eu não gosto de ganhar é peso.

Para alguém cujo maior hobby é ler jornais e revistas, ou navegar obsessivamente na internet à cata de notícias, ou passar horas ao telefone conversando sobre política e sobre os jogos da política, seria até natural ganhar peso.

Os vizinhos de uma de suas casas de veraneio, em Pirangi do Sul, 20 quilômetros ao sul de Natal, todos antigos e todos, ou quase todos, em maior ou menor medida, boêmios, estranharam quando o novo veranista aportou na praia, levando para o terraço à beira-mar o hábito de falar exageradamente ao celular.

Eu não me considero anti-social, mas sou uma pessoa de pouca visibilidade social – não sou de estar na badalação.

Eu não jogo, eu não tenho o hábito de beber, eu bebo socialmente, muito pouco.

O que danado faz esse homem, então? – o leitor poderia perguntar, porque até eu, que fiz a entrevista, a essa altura estou me perguntando, pra lá de impaciente.

Pois.

Viaja, claro.

Alguém que se considera uma pessoa discreta (não por estratégia, como ele mesmo explica) e “que não procura a visibilidade”, une o prazer de viajar ao desejo de conhecer culturas diferentes – e de lambuja ainda some, mesmo que por breves períodos, dos holofotes e das invejas que nega provocar.

Eu tenho viajado menos do que gostaria.

Eu tenho sede por conhecimento nessa área. De saber como vive o povo de um outro país, de uma outra região, mais próspera ou menos próspera desta onde vivemos…

E, o que faz o viajante nessas viagens?

Eu arriscaria dizer, ouso: aquilo que não faz em sua própria cidade.

Quando eu chego em qualquer lugar eu gosto de ir à padaria, eu gosto de ir ao mercado, eu gosto de ir na praça – eu gosto de ver como as pessoas vivem.

Interpretação minha, confesso. Assumo.

Mas, se vocês virem Alexandre Macedo numa padaria natalense ou na praça de alimentação de um shopping, duvidem – porque com certeza não é ele.

*

Voltando a duas de suas obsessões: o excesso de peso (menos) e o excesso de vitórias (mais).

Eu acho que você deve sempre acordar e dizer eu vou vencer. Quantas vezes eu já comecei uma dieta e não fui vencedor? Mas isso não significa que eu não vou começar de novo. Qualquer dia desses eu começo outro regime e vou terminar vencendo.

Ele sabe do que está falando. E do que é capaz.

Em 1979, aos 18 anos, viu-se num avião entre Belém e Manaus que esteve “muito perto de cair”.

Do “momento de absoluta tensão”, como resumiu o quase acidente fatal, a uma verdadeira fobia, foi um crescendo que atingiu seu ápice três anos depois, em 1981, quando chegou a parar o avião em que viajava ainda na pista de Congonhas.

Eu fiquei de 81 a 88 sem voar. Como eu sempre gostei de viajar, eu me submetia a sair daqui pra São Paulo de ônibus… pegava um trem no Rio… de carro… era um transtorno.

Era tão forte essa fobia que, quando eu ia pro aeroporto esperar alguém, já estava suado. Em 88 eu me conscientizei que não dava mais – era uma coisa que ia atrapalhar todo o meu projeto de vida, essa limitação que eu estava me impondo. Eu busquei um apoio psicológico e fiz um trabalho grande de conscientização de que não era possível mais: as pessoas de bom senso iam e voltavam, os aviões pousavam e decolavam e eu ia ser uma pessoa fora do mundo.

Hoje reconhece que, se lhe tirarem a possibilidade de deslocamento, de ir e vir, de conhecer lugares, de passear, vão estar tolhendo uma das maiores alegrias de sua vida.

Só eu sei o quanto foi difícil ou quantas vezes eu achei que era impossível.

Um dos conselhos que recebeu foi afrontar diretamente o medo: sempre que possível deveria virar um “peru”, um freguês assíduo, mesmo sem ser convidado, das cabines dos aviões.

E eu virei. Fiz muitas viagens dentro da cabine, porque eu fazia de tudo para agradar a tripulação, contanto que me deixassem entrar na cabine. E aí era uma nova sessão de agrados, porque eu precisava convencer o piloto a me deixar ficar na cabine.

E assim foi – viajou muitas horas, junto aos pilotos, encarando literalmente de frente o vôo. Os pilotos tornaram-se quase psicólogos e ouviam, pacientes, o relato do seu drama.

*

Contar numa entrevista, pela primeira vez, esse drama, parece que o faz relaxar. O marqueteiro cerebral torna-se mais humano, com toques de filosofia poética – ou lições práticas de auto-ajuda:

Eu acho extremamente humano o medo de voar. Uma vez, conversando com um oficial da marinha, num navio, ele me disse que certa ocasião um passageiro lhe contou que não tinha medo de navegar, mas tinha medo de voar. Ele perguntou o porquê, e o passageiro respondeu: “Porque eu aprendi a nadar, e nunca me ensinaram a voar.”

É difícil passar um avião e a pessoa não olhar pra ele – e não é porque é um meio de transporte que vai carregando 300 pessoas: é porque o homem sente que ele não é capaz de fazer aquilo que aquele bicho está fazendo. Ele vai a Recife a pé – pode passar 50 dias na viagem, mas ele chega em Recife, a pé. Ele vai nadando de um lado a outro da lagoa – desde que tenha resistência física, claro. Mas ele não tem habilidade pra decolar. Ele não decola. As asas que nós temos são só para as coisinhas pequenas.

A conclusão tem o inconfundível sotaque natalense, ainda mais envolto num riso franco, de quem superou o insuperável, de quem venceu:

Tem asa pra voar, não.

*

Ele se recusa a responder a obviedade da próxima pergunta a respeito de um “último vôo”. Diz que isso parece coisa de quem já está parando. Aos 48 anos, parar definitivamente não está em seus planos.

Eu acho que cada momento tem um desafio novo. O meu objetivo daqui pra frente é continuar vencendo.

Mas sabe que algumas coisas são invencíveis.

Algumas das adversidades que eu nunca enfrentei, eu só espero enfrentar depois de muito tempo: a morte de uma pessoa dentro de minha casa, dentro de minha família.

Fala sobre a família com o recato esperado:

Mesmo eu não sendo um político, mas por ser uma pessoa próxima à política, minha família também já sofreu bastante com injustiças – mas sabe que a regra do jogo é assim.

A minha relação com meus filhos passou por cima de muita coisa, e é uma coisa bonita – mais do que ser pai eu procuro ser amigo deles.

A relação de respeito que eu tenho com meus pais, ambos com mais de 80 anos, ambos com suas limitações físicas, de saúde… tem muita coisa que me faz brotar o lado emocional.

*

O menino, o adolescente, o leitor de jornais – que não se lembra mais do slogan com o qual ganhou as eleições estudantis (mas arrisca dizer que “devia ser Vencer”) – continua acordando cedo. Faz suas caminhadas matinais, enfrenta, dia sim, dia não, os esforços físicos e desagradáveis de uma academia de ginástica, mesmo sem saber por quanto tempo resistirá.

Continua preferindo os jornais impressos, mas, com a chegada das televisões locais, primeiro, e com a internet, depois, o tempo encurtou ainda mais e passou a ser dividido diante das telas – da TV e do computador: calcula em cerca de oito a dez horas por dia o tempo que passa conectado, acessando os principais blogs e portais.

Recentemente, contrariando o ideal da invisibilidade constante – e, de um certo modo, respeitando-o – passou a ter um programa numa rádio local e aderiu ao twitter.

Na noite de 11 de novembro passado, Macedo replicou a jornalista Juliska Azevedo: “o pensamento que você postou é o melhor do twitter numa noite de muita bola. Aqui e fora daqui.”

Na verdade, a jornalista tinha retuidado o deputado Ney Lopes Jr., que por sua vez tinha citado uma frase, supostamente de Shakespeare: “É possível ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.”

Ele parece se lembrar bem daquela noite e da frase e do porquê a frase o tocou.

Eu acho que há muitas pessoas que se auto-limitam em algum momento da vida.

Em qualquer campo.

Eu sou um apreciador total da inteligência humana. Eu chego a reverenciar os atos inteligentes das pessoas – eu sou fã da inteligência. E não me refiro só aos gênios da humanidade – falo da inteligência aplicada no dia-a-dia. A opção por uma saída inteligente para qualquer problema, qualquer situação, eu gosto de registrar.

Eu conheço pessoas com adversidades até muito fáceis de serem superadas que se auto-limitam e não as superam.

Então, às vezes a gente chega num determinado ponto da vida e diz: “não, eu vim até aqui, daqui não vou mais não… porque eu não consigo, eu não vou vencer…”

Eu não acho assim.

Eu acho que, no campo profissional, se eu encerrasse minha carreira hoje – a nível bem local, restrito ao RN, na minha área de atuação – eu acho que teria cumprido a minha parte. Isso não significa que eu não vá em frente buscar novas vitórias: vou, e vou com todo ardor que eu puder ir.

Mas a gente não tem só o lado profissional. A gente tem o lado pessoal, a gente tem o lado familiar, a gente tem o lado… sei lá… desbravador.

Então, ser um vitorioso é uma expressão muito complexa.

A conclusão é uma frase de efeito, que quase soa falsa, de tão natural como é anunciada – coisas de quem trabalha com publicidade e marketing:

Eu não me acho um vitorioso. Eu me acho um candidato à vitória.


O marqueteiro – [IV]

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Eu fiquei especialista em campanhas onde os candidatos iniciam com poucas condições de vitória.

A frase foi pinçada, de propósito, em meio a mil e outras declarações. Claro que não está fora de contexto algum, isolada aqui para distorcer algo – mas serve de alavanca para outro tema da entrevista: as eleições 2010.

Alexandre Macedo é cuidadoso. Ou cauteloso. Ou manhoso. Entendam como quiserem. Se não estava nas entrelinhas do que ele disse – ou do que eu comentei – até agora, eis chegada a hora de dizer. Pois:

– Alexandre Macedo é cuidadoso. Ou cauteloso. Ou manhoso. Ou precavido. Ou prevenido. Ou prudente. Entendam como quiserem – e fui atrás de mais sinônimos, para reforçar ainda mais os processos e estratégias mentais onde parece estar sempre mergulhado.

Ele prefere dizer e repetir e enfatizar que não foi convidado ainda por ninguém. Mas, claro, existe uma probabilidade – ou lógica – de que no próximo ano ele preste serviços a Iberê Ferreira de Souza, candidato ao governo, e a Wilma de Faria, candidata ao Senado.

Vou além – e acrescento: dentro deste cenário, é possível que o embate, no plano do marketing, se dê entre Alexandre Macedo e Arturo Arruda [da agência Art&C, que já vem prestando uma assessoria e serviços à senadora Rosalba Ciarlini].

Parêntesis: já foi demonstrado aqui como o marqueteiro evita o confronto com os outros colegas, às vezes preferindo quase ignorá-los. Ou como quando, não desejando assumir algo explicitamente, prefere dizer que não sabe, não conhece, não viu – o jeito Alexandre Macedo de ser se repete na resposta:

Há uma certa tendência nisso tudo aí, mas, vamos esperar… Você falou contra Arturo Arruda? Não sei também se a senadora Rosalba já convidou, já planejou, já formatou um projeto… Confesso não ter informações quanto a isso. De qualquer maneira, a disputa será entre os candidatos, não entre os profissionais de comunicação. Nós profissionais de comunicação temos de aprender que os políticos divergem nas campanhas e se abraçam pouco tempo depois. Nós temos apenas que cumprir bem o nosso papel.

Eu estaria sendo incorreto se dissesse que há um certo ar de desdém na sua análise quanto a um possível opositor, de maior ou igual envergadura, segundo sua opinião, no marketing – mas não é falso enxergar uma sutil ironia, uma certa acidez crítica, quando não se contém e faz um último comentário sobre o proprietário da Art&C (com quem, aliás, é sócio de alguns empreendimentos, mas com uma relação que nos últimos tempos, se não é de confronto, tampouco é de camaradagem).

Ele me parece que tem uma relação bem próxima com o Democratas, a tirar pela última vez que eu o vi trabalhando na campanha de Ney Lopes a prefeito de Natal em 2004.

Explica-se a sutileza: candidato Ney Lopes perdeu fragorosamente a eleição.

*

Citar Arturo Arruda, aqui, não é à toa: recentemente seu pai, e ex-sócio da Dumbo Publicidade (lembram? aquela agência que, segundo Macedo, não deixava espaço para mais ninguém no fim dos anos 80, começo dos 90), lançou o Novo Jornal. Segundo o próprio Cassiano, em entrevista ao portal Nominuto, o Novo Jornal “pertence a Cassiano Arruda Câmara com sócios com cláusula de confidencialidade”, embora ele mesmo admita que “todo mundo diz: é Cassiano com não sei quem. Eu não desminto nem confirmo.” E, logo a seguir: “Todo mundo está dizendo que é o jornal de Rosalba e de José Agripino. Eu sou amigo de Agripino há 50 anos e de Carlos Augusto [marido de Rosalba, e entronizado por alguns blogs locais com a duvidosa sigla “MMM” – marido, mentor e marqueteiro] há 60, mas o fato de ser amigo de Agripino nunca me fez agredir os fatos. Se ele estiver bem na foto, ele sai bem na foto; se não estiver, não sai. Agora, este novo jornal não será pensionista de governo nenhum nem de ninguém. O leitor não é burro. No primeiro número, ele sabe. Mas também eu não vou comer corda. Pra mostrar que o jornal não é de José Agripino, eu vou esculhambar com ele? Comigo não.”

Tudo indica que Alexandre Macedo não concorda com essas afirmações.

Embora afirme que espera que a campanha seja difícil, mas de alto nível, “naquilo que vai e naquilo que não vai às telas de televisão”, é especialmente crítico com a mídia, incluindo a impressa – e, mesmo não tendo sido explícito, quando cita, no trecho a seguir, a existência de “alguns quartéis”, é impossível não pensar no Novo Jornal.

A campanha de 2010 já começou. Ela não está nas ruas, porque nas ruas ela só vai em julho de 2010, mas nos bastidores ela já começou. E nos bastidores o jogo é mais duro do que quando vai pras ruas. Agora há um período de queimações, os atores estão começando a se posicionar nos seus quartéis. Vai ser uma eleição difícil porque há um grupo que quer tirar do poder quem está no poder. A governadora vem no poder há sete anos. E há um grupo que no começo não admitia que isso fosse possível – esse partido diminuto e essa estrutura diminuta, sem estrutura de comunicação, sem estrutura empresarial, essa mulher querer governar o RN. E essa mulher foi e venceu a eleição. Agora esse mesmo grupo vai se juntar pra tirar Wilma do mapa político do RN. São estruturas mais ramificadas, que ao longo do tempo foram se fortalecendo e que estão na política, no mundo econômico, e na mídia.

Já se deu início a um processo de fortalecimento de alguns quartéis de onde já tem saído bala.

*

Escapando das balas – perdidas, encontradas, direcionadas – a pergunta que não quer calar é: como explicar tantos anos no poder e nenhuma estrutura de comunicação ou empresarial?

Eu acho que o sistema político da governadora Wilma – como tem uma visão muito diferente de alguns outros grupos, na questão empresarial – não criou, ao longo de todos esses anos de governo, uma estrutura própria de comunicação. Aliás, Wilma não tem uma empresa. Dona Wilma é uma política que, deixando o  governo no dia 2 de abril, que eu saiba, volta a ser professora da universidade. Ela não tem uma indústria, uma rede de varejo, nem uma loja – e não tem um veículo de comunicação. Ao contrário de muitos outros políticos daqui. E não estou desmerecendo nem criticando nenhum deles: eles aproveitaram oportunidades que surgiram, se ela não aproveitou, pode até ter sido por incompetência. O fato é que ela não tem.

O estranho – e é bom que daqui a alguns anos alguém escreva sobre isso – é que ela, não tendo uma estrutura de comunicação própria, conseguiu vencer uma serie de eleições lutando contra pessoas que têm o domínio sobre a área de comunicação.

*

Então, de volta para o futuro próximo.

Quando ele afirma ter se especializado em campanhas onde os candidatos iniciam com poucas condições de vitória, imediatamente eu cutuco a onça com a vara mais curta que há:

Então, seu candidato ideal é realmente Iberê…

Não… não…vamos por partes…

E vai enumerando as campanhas difíceis, começando pela clássica, de 1992, que elegeu o azarão Aldo Tinoco, passando pela de 2004, quando, no final do ano anterior, Carlos Eduardo tinha 2% contra os 40% de Luiz Almir.

Mas sua grande campanha memorável, a preferida, foi, realmente, a de 2002, quando, tal como dez anos antes, com Aldo, Wilma era o azarão.

Eu fui ouvido várias vezes, quando ela me pediu opinião, e algumas vezes até colocando pra ela o fato de que era uma campanha de altíssimo risco. Tem de se dar o mérito total da decisão de 2002 a ela. Ela realmente foi quem teve o feeling mais apurado pra perceber que aquele era o momento que dava certo – e o estilo era “se não der certo, o que é que tem?”

Ela foi num supermercado que não existe e comprou um pacote de ousadia, botou na cabeça e disse, vou com ele, e acabou-se. E vai comigo quem for ousado. Foi assim que ela me fez o convite – ela olhou pra mim e disse: “Eu quero saber como é que anda seu grau de coragem.”

*

Oito anos depois, as experiências vitoriosas parecem desconhecer a necessidade de coragem – ao menos da parte do profissional de marketing, que, indiscutivelmente, está numa situação melhor do que a cliente que o consagrou: a situação de Wilma para o Senado não parece muito melhor do que a de Iberê para o governo.

Eu acho que ela vai começar a campanha para o Senado como começou as outras – e Deus queira que comece igual como começou as outras: tendo de lutar muito, e gastar o solado do sapato para vencer.

Não estou dizendo que ela vai vencer, mas que vai entrar na campanha com todas as condições de vencer a eleição – porque ela deverá colocar o que fez na sua vida pública, todo o trabalho que desenvolveu quando exerceu o poder, e a população vai julgar.

Será uma eleição – no quadro atual, Wilma, Garibaldi, José Agripino – disputadíssima. Todos os três terão governado o estado por dois mandatos, em períodos diferentes mas durante o mesmo tempo: oito anos. Todos os três são conhecidos pelo povo, foram prefeitos de Natal – e Garibaldi e José Agripino são senadores da República.

Cada um vai contar a sua história. Vai caber ao povo dizer, das três histórias, quais são as duas, não digo as melhores, mas quais são as duas que merecem relevância.

*

Alexandre Macedo é um dos que acreditam que a eleição nacional – dividida entre dois alinhamentos políticos: um pró-Lula e um contra Lula – vai ter peso importante na eleição local.

Talvez haja uma polarização, também no RN, entre os que são simpáticos ao estilo Wilma de governar e os que não são simpáticos a esse estilo.

Vai caber ao marketing estudar como situar a eleição local no cenário nacional e como situar a eleição nacional no cenário local.

Lembra que o senador Garibaldi Alves já vem externando um certo radicalismo – “extemporâneo”, na sua opinião – com a governadora, e vice-versa.

Talvez o comando estratégico de Garibaldi já esteja pensando na possibilidade de uma polarização mais à frente. Já há um entendimento que a polarização de José Agripino com Wilma deve ser evitada.

Não à toa, relembra o passado recente, quando, em 2006, Wilma – e o seu marketing, claro, ele faz questão de não esquecer – romperam com um mito:

Em 2006, tanto a parte política era desacreditada – porque Garibaldi ia ganhar a eleição, não tinha o que discutir, 20, 30 pontos na frente na pesquisa – como o marketing: nós íamos ser massacrados porque vinha uma equipe de São Paulo fazer a campanha de Garibaldi. E a governadora ganhou a eleição duas vezes: ganhou no primeiro turno e ganhou no segundo turno. O grande fato político é que acabou-se um ciclo grande de tempo, aqui, do mito da invencibilidade de Garibaldi. Provou-se que não existe isso, a governadora provou isso: nem ela é imbatível, nem ele é invencível. Provamos mais uma vez que competência no marketing político não precisa ir se buscar em canto nenhum – tem aqui e aliás até um pouco de sobra, tanto que exportamos: tem muita gente daqui trabalhando fora.

O assunto que pautou o segundo turno foi a Cosern. Acertamos na condução do assunto e a campanha de Garibaldi equivocou-se na condução do mesmo assunto, o que o deixou em situação desfavorável.

*

De volta aos mass media, o provável futuro marqueteiro de Wilma e Iberê em 2010 acredita que tudo possa ser combatido e revertido – e vai buscar num exemplo nacional as suas previsões otimistas para o ano que vem, no terreno local:

A mídia que majoritariamente quis Lula presidente em 2002, a mesma mídia majoritariamente não quis Lula reeleito em 2006. E não conseguiu impedir que Lula fosse reeleito. Aqui no RN a realidade é a mesma. Existem grupos políticos que dominam veículos de comunicação, ou diretamente ou por simpatias, e esses grupos não trabalham no desejo de que Wilma continue a ser uma liderança forte no RN. O objetivo será diminuí-la.

O objetivo d’O marqueteiro é aumentar, ou consolidar essa liderança. Aliás, o objetivo d’O marqueteiro é vencer.

*

Na conclusão, a seguir, Alexandre Macedo fala sobre como venceu o medo de voar e por que não se acha um vitorioso (embora afirmando: “Eu graças a Deus ainda não senti o gosto da derrota – e espero não sentir, mesmo”).

O marqueteiro – [III]

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Existe no RN uma forma de carimbar as pessoas: fulano é agripinista, beltrano é wilmista, sicrano é garibaldista, fulano de tal é micarlista. Eu sou um profissional da comunicação. Profissional esse que foi extremamente valorizado e respeitado pela política Wilma de Faria.

Alexandre Macedo recusa o rótulo e a fama de marqueteiro de um político só, embora reconheça, como já vimos, a proximidade com Wilma de Faria. O assunto aqui, claro, é a campanha de 2008, quando pela primeira vez o marqueteiro e a política permanecem em lados opostos – ela, apoiando a candidatura de Fátima Bezerra, ele no comando do marketing de Micarla de Sousa.

Mas em 2004, eu fiz a campanha de Carlos Eduardo. Ele era do PSB, era ligado à Wilma, mas ele não era Wilma, podia ter escolhido outro nome.

Eu não posso escolher os clientes.

Em 2008 eu fui convidado pela deputada Fátima para coordenar o marketing da campanha dela – várias vezes. Chegamos muito perto de elaborar um projeto final. Não foi possível. Não foi possível. As pessoas raciocinam que era a campanha mais estruturada, porque era apoiada pelo presidente da República, pela governadora do estado, pelo prefeito da capital, pelo presidente do Senado Federal, pelo líder da bancada do governo na Câmara Federal – em tese poderia ser. Aí é um dos mistérios da política – me parece que não foi.

Todos esses apoios não encontraram uma maneira prática de me dar as mínimas condições de trabalho.

Quando ele diz que “chegamos muito perto de elaborar um projeto final” na verdade quer dizer, como mesmo revela depois, que chegaram perto de assinar um contrato, impossibilitado diante das “mínimas condições de trabalho”.

Nós tivemos uma reunião aqui na agência, onde apresentei o projeto de campanha e onde senti que não teria as condições que gostaria de ter para tocar com responsabilidade a campanha. Telefonei para Adriano Gadelha, assessor da candidata, depois dessa reunião, e comuniquei que estava fora, a partir dali se encerrava a nossa boa relação, até então, a nossa relação respeitosa, sem nenhum problema. E encerrei qualquer conversa.

O que parecia ser a campanha mais estruturada revela-se, segundo Macedo, totalmente desestruturada, o que o leva a pular fora do barco nos últimos instantes, aumentando o clima de desconfiança generalizada de que, no final das contas, a deputada petista não era a candidata de consenso entre os maiores apoiadores.

Em campanha há um “time”, e a campanha da deputada Fátima foi atrasada em tudo. Ela foi atrasada na definição de um candidato… Depois, já olhando a campanha de fora, a convenção de Fátima foi um espetáculo absolutamente circense – você chegar na convenção às 4 horas da tarde sem um vice. Foi uma coisa mal planejada, foi mal organizada…

Alexandre Macedo deixa o circo pegando fogo e vai passar “um período de férias” em São Paulo. A governadora liga, lamenta, pede para rever a sua decisão. Nada.

Não foi a única a ligar.

Além de convites pra fazer campanha no interior de São Paulo (“cheguei a ter conversas, mas as questões pessoais e também meus pequenos negócios em Natal, sem ter planejado antes, me impediram aceitar”), pessoas próximas à Micarla voltam a convidá-lo – como assim, “voltam”?

Já tinham feito sondagens, antes, mas eu já estava conversando com a deputada Fátima, não podia conversar com duas coligações diferentes, sobre o mesmo assunto, na mesma hora.

Apesar de dizer que seu projeto inicial era acompanhar a campanha desde São Paulo, volta para Natal. E voltam os convites. Ele não confirma, mas diz-se que o convite foi feito diretamente pelo senador José Agripino Maia.

Aceitei fazer uma consultoria, onde avaliaria a campanha no decorrer do tempo. Comecei a ter reuniões, com redator, diretor de TV, comecei a dar opiniões. O engajamento foi aumentando passo a passo.

Ele também não confirma, mas diz-se que a governadora chegou a se incomodar com o “engajamento” do aliado de sempre. Não se sabe, não se diz, mas, talvez por isso mesmo, ele viaja novamente, dez, doze dias na águas mornas da Bahia, Porto Seguro, Trancoso. De onde, também, diz-se, continuava a consultoria.

Parêntesis: não é de se estranhar tanto disse-me-disse, ou tantas histórias que mais parecem de trancoso. Quem acompanhou o período eleitoral sabe que a confusão não foi pouca. De um lado, após a saída brusca e pública de Macedo da campanha de Fátima, surgiram rumores que diziam que os aliados chegaram a pedir à petista que desistisse da candidatura. Do outro lado, os problemas não eram menores: a primeira coordenadora do marketing de Micarla, a baiana Balila Santana, também deixa o posto, depois de mais boatos e avisos reais.

A campanha de Micarla era muito fragmentada. Não havia um comando estratégico que envolvesse a parte de produção de comerciais, a parte de pesquisas… era uma coisa meio fragmentada.

Último disse-me-disse, impossível de não ser registrado: durante um tempo, Alexandre Macedo teve um codinome entre os envolvidos diretos da campanha do PV em 2008: Mister M.

O codinome dispensa explicações.

Boato ou verdade, o fato, confirmado pelo próprio, é que a sua administração acontecia fora da produtora, “tendo reuniões com dois ou três profissionais que estavam envolvidos na campanha e uma linha direta com a prefeita”.

Mas, estou me adiantando, ainda estávamos sob o sol de Porto Seguro, sob o sol de Trancoso, e agosto se aproximava de setembro.

Quando voltei tive uma conversa com a candidata e ela pediu que eu tivesse uma participação mais completa, mais dedicada – e eu tive, mesmo: fiquei responsável pela elaboração dos programas eleitorais, toda a parte de comunicação, saí da consultoria e assumi a coordenação.

A parte da entrevista a seguir, de tão interessante, vai praticamente na íntegra, sem edição alguma – eu pergunto:

O coordenador da campanha era Zé Ivan, seu antigo sócio na Briza…

Não conheci essa coordenação.

Mas, oficialmente, pelo menos, era.

Não sei, confesso não saber. O fato de ser o nome de um ex-sócio meu não implica que eu faria uma avaliação A ou B. Não tomei conhecimento oficialmente. Ninguém nunca me disse.

Porque… depois de Balila, ficou ele – ou não?

Não tenho idéia. Quando Balila saiu, eu estava fora, em São Paulo, não acompanhei muito… eu acompanhei a partir da hora em que fui convidado e a partir da hora em que aceitei. Comigo nunca foi tratado esse assunto, de uma outra pessoa ser o coordenador.

A campanha, então, não tinha um coordenador?

Acho que tinha, era Micarla de Sousa.

Eu estou sendo sincero: ninguém nunca disse a mim que o coordenador era uma outra pessoa da área de comunicação.

Você coloca no seu currículo como uma campanha sua?

Eu prefiro colocar que a própria Micarla é quem sabe dizer isso. Era ela quem me chamava de “o meu marqueteiro”.

Impossível segurar o riso. O dele e o meu. Risos que seguem, permeando as frases seguintes.

Ela foi a minha prefeita, ela foi a minha prefeita, ela que me chamava de “o meu marqueteiro”.

Você era o marqueteiro dela e ela era a sua prefeita…

… a minha prefeita…

… era uma relação recíproca.

Recíproca…

Você prefere não falar sobre Zé Ivan. Então, não vamos falar sobre Zé Ivan.

Silêncio.

*

E, sobre um suposto silêncio em torno do seu nome e de sua participação na campanha, então adversária, da governadora, ele encerra o assunto:

Não havia da minha parte nenhuma preocupação em ser anunciado como o marqueteiro de Micarla.

Eu não disse antes da campanha de Micarla que ia fazer a campanha de Micarla, eu não disse durante a campanha de Micarla que estava fazendo a campanha de Micarla, e eu não disse depois da campanha de Micarla que tinha feito a campanha de Micarla – eu acho que essa é a primeira vez que estou dizendo que tive efetivamente uma participação profissional na campanha de Micarla de Sousa.

*

E o que ele pensa da sua última candidata-cliente?

Eu acreditei no projeto dela para a administração de Natal.

Alguns a vêem populista. Eu não a julgo assim.

Ela tem uma veia de popularidade, vem da área de comunicação, como apresentadora de televisão, filha de um político populista, mas acho que ela agregou, conseguiu mostrar que era uma candidata preparada para administrar a cidade, vinha de um mandato curto de deputado estadual, mas vinha de uma experiência exitosa na iniciativa privada, como empresária, como jornalista. Ela convenceu a cidade disso.

Mostrou que apesar de haver um exército de líderes, numa outra trincheira, ela, com as lideranças que ficaram com ela, conseguiu superar isso e vencer a eleição.

*

Guardando as devidas diferenças, e se eu não estivesse diante de alguém reconhecidamente cerebral, na profissão, quase, quase, eu diria, quase, quase, que Micarla de Sousa Weber tomou o posto de Wilma de Faria no coração de Alexandre Macedo. Não digo, claro – faço, invés, a associação da Micarla de 2008 com a Wilma do passado, enfrentando os poderosos.

O poder Executivo constituído à época estava todo com Fátima. Ela representava a prefeitura de Natal, o governo do estado e o governo federal. As pessoas que ocupavam esses cargos estavam no palanque de Fátima. O que eu acho é que houve, talvez, uma interpretação equivocada de como melhor trabalhar esse lado.

Eu não estou criticando o marketing que foi feito para Fátima, mas o conceito global da campanha dela, o misto de conceito político e conceito de comunicação, pode não ter criado a melhor alternativa para apresentar Fátima como a candidata do poder, mas uma candidata capaz de transformar o poder numa coisa extremamente saudável para as pessoas.

Eu acho que Micarla e a estrutura de comunicação de Micarla souberam aproveitar melhor as fragilidades do poder que estava com Fátima.

O peso do marketing foi fundamental para a vitória…

É infantil dizermos que o marketing não tem um peso fortíssimo na eleição. Até o PT, que questionava muito isso, aprendeu com a eleição de Lula, em 2002.

Quando começou a campanha, Micarla era a favorita para ganhar a eleição. A campanha da deputada Fátima, a rigor, nunca esteve na liderança de pesquisa, matematicamente nunca realmente assustou… Houve um momento da campanha onde se observou que poderia haver um crescimento de Fátima que colocasse a eleição num segundo turno. Em havendo o segundo turno, o jogo poderia ser considerado, para muitos, como um zero a zero.

A força política que Fátima tinha era muito grande. O que eu não sei é se Fátima dosou bem e se usou bem essa força.

Em relação ao marketing…

Em relação ao marketing… É cínico a gente dizer que o marketing não é uma peça importantíssima na campanha. É cínico. Existe uma coisa muito interessante: os políticos costumam acreditar muito na política; os marqueteiros, e comunicadores, costumam acreditar muito no marketing e na comunicação.

A vitória é sempre do candidato, mas se o marqueteiro não fosse uma figura da maior importância na campanha de um político, ele não era contratado para isso e não era dado a ele o status que é dado. É inegável.

*

Lhe digo, então, que, na minha opinião e de outros mais competentes do que eu, uma das peças fundamentais da campanha de Micarla foi uma das últimas, onde ela falava, para um entrevistador invisível, com uma aparente espontaneidade e sinceridade, que, paradoxalmente, às vezes lhe faltava, por ser uma pessoa acostumada demais às câmeras.

A peça durava um programa inteiro.

Pergunta: mais uma vez o “folclore” do meio diz que eram apenas você, a candidata e o operador de câmera, num bate-papo espontâneo – como foi realmente a produção dessa peça?

Um dos grandes receios da campanha de Micarla era a vinda do presidente Lula a Natal.

Havia por parte do comando estratégico da deputa Fátima, acho, uma grande expectativa na vinda do presidente, como um fato novo capaz de dar um gás na campanha e botar a eleição para o segundo turno. E havia no comando estratégico de Micarla uma dúvida, um receio natural. O cara ganhou aqui em 2002, ganhou em 2006.

Me pareceu que Lula não foi tão bem brifado, pela área política, diga-se de passagem, e fez um comício na Zona Norte onde muitos equívocos aconteceram.

Diversas pessoas próximas à Micarla queriam uma resposta da candidata, e do senador José Agripino, ao presidente Lula. Isso cresceu em 24 horas. Me coube dar uma sugestão a José Agripino, de que o embate entre ele e Lula era no Senado Federal – aqui não seria oportuno.

Nós não tínhamos o que dizer contra Lula – primeiro: a candidata era do PV, partido que estava na base do governo Lula. Depois: o que dizer contra uma pessoa que tinha 70-80% de aprovação popular e que tinha o legítimo direito de vir aqui lutar pela sua candidata?

O que nós fizemos foram algumas peças mostrando que a disputa em Natal não era travada entre Micarla e Lula, ou entre Micarla e Wilma – era entre Micarla e Fátima.

Depois, nós fizemos um programa inteiramente com depoimentos populares, para contrapor ao programa de Fátima, que explorou o comício e a fala de Lula.

Foi um programa que teve um enorme recall porque as pesquisas que nós tínhamos nos apontaram imediatamente o acerto da estratégia.

Eu apresentei à candidata uma proposta de fazer com ela uma entrevista, sobre a vida pessoal dela, como mulher, jornalista, empresária, política. Realmente, aquele programa foi feito numa sala, eu, ela e o diretor de TV. Todas as perguntas foram feitas por mim, conversamos bastante antes da gravação, e ela agiu da forma mais espontânea possível. Não foi um programa ensaiado. A mim coube projetar, conduzir, fazer as perguntas. Depois, também houve um bom trabalho de edição.

Eu confesso que foi um dos programas eleitorais que eu criei e coordenei a execução de maior recall na minha carreira. Foi uma grande satisfação, porque eu recebi parabéns, do mais ilustre apoiador político de Micarla até pessoas extremamente simples, que sabiam – da forma mais discreta possível, mas sabiam – que eu estava envolvido.

Adendo: o “mais ilustre apoiador político de Micarla” era José Agripino Maia.

*

A seguir, Alexandre Macedo fala sobre a campanha de 2010, onde os três candidatos ao senado apresentam coincidências interessantes (foram governadores por dois mandatos e prefeitos de Natal), e por que Wilma de Faria, mesmo sem uma estrutura de comunicação própria, conseguiu vencer “lutando contra pessoas que têm o domínio sobre a área de comunicação”.

O marqueteiro – [II]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

No capítulo anterior – por que não dizer assim? – deixamos “O” marqueteiro Alexandre Macedo absorto com seus botões, recapitulando as adversidades da vida profissional, quando, primeiro, não encontrava espaço para trabalhar diante do “absolutismo” dos colegas, depois, quando, encontrando esse espaço, não obtém reconhecimento.

Eu comento que, ao contrário do passado, hoje em dia ele chegou numa posição em que provavelmente é invejado por grande parte do mercado

Não, eu não me vejo invejado.

Eu não me preocupo muito – apesar de ser uma pessoa da área de comunicação – eu não me preocupo muito com o que as confrarias pensam ao meu respeito, na área profissional.

Uma das coisas que as “confrarias” pensam ao seu respeito é a sua relação quase umbilical com a governadora Wilma de Faria.

Não é à toa.

As campanhas eleitorais citadas na primeira parte desta entrevista têm em comum um nome a mais, além daquele do marqueteiro Alexandre Macedo: com exceção da campanha para prefeito de Natal de 2008, em todas elas existe o nome de Wilma de Faria, como candidata direta ou como uma das principais apoiadoras dos candidatos para quem Macedo trabalhava.

Se a gente for analisar a relação Alexandre Macedo-Wilma de Faria – um como o marqueteiro, publicitário, a outra como política –, pra ser sincero a gente tem que dizer o seguinte: depois de 1990, em todos os momentos políticos que a governadora viveu, eu estive presente o tempo todo ou em parte desse processo.

Em 1994, quando ela foi candidata à governadora, nós iniciamos o trabalho, mas não chegamos a fazer nem o primeiro programa. Em todas as outras, a campanha de 92, quando ela lançou Aldo Tinoco… a de 96, quando ela própria foi candidata… a de 2000, quando ela foi candidata à reeleição, eu coordenei o marketing dela… a de 2002, quando ela foi candidata à governadora… a de 2004, quando o prefeito Carlos Eduardo foi o candidato dela… a de 2006, quando ela foi candidata à reeleição…

Essa relação é ainda mais antiga do que se possa imaginar. Macedo faz questão de relembrar que a sua amizade com a atual governadora é anterior a qualquer governo. Remonta à 1982, quando era oficial de gabinete de Lavoisier Maia, e Wilma de Faria era tão somente Wilma Maia, a primeira-dama do Rio Grande do Norte e presidente do MEIOS, Movimento de Integração e Orientação Social, fundado em 1979 e que teve a então esposa do governador como primeira presidente.

Quando acabou o governo, a professora Wilma foi ser secretária de trabalho e bem-estar social do governo José Agripino e me convidou para ser o chefe de gabinete dela. Durante o tempo em que ela foi secretária, eu fui seu chefe de gabinete.

Vinte e seis anos de convivência e seis campanhas eleitorais (sendo quatro tendo Wilma como candidata majoritária e duas como principal apoiadora) fazem pensar que a governadora não dá um passo na política sem ouvir o profissional e amigo.

Eu não sei se sempre, mas nas vezes que procura, ouve.

Nós conversamos muito sobre as questões que envolvem a comunicação do Governo. Nos períodos eleitorais essa relação se aproxima muito. Nas vezes em que ela me convocou, ou como profissional ou como uma pessoa que estava participando da luta, eu sempre estive presente.

Presença essa, claro, que não se restringe aos períodos eleitorais – seja na Briza, seja na Base, Alexandre Macedo tem tido participação direta no atendimento das contas oficiais, desde a década passada, embora ele faça questão de enfatizar que não apenas nas administrações de Wilma de Faria.

Já atendemos contas das administrações de Aldo Tinoco, de Carlos Eduardo, do governador Garibaldi, agora atendemos também a conta da Prefeitura de Natal quando a prefeita é Micarla de Sousa…

E, para ele, estar em uma agência que tem parte da conta do poder público, é também estar à disposição do governante – seja quem for – para trocar opiniões e informações, e realizar seu trabalho como profissional da comunicação.

É normal que nas campanhas, nas movimentações políticas, onde a política Wilma de Faria esteja, é normal que eu esteja – se convidado. Como fui convidado até agora, eu tenho ido. E tenho feito meu trabalho. Agora, isso não significa dizer que eu sou um funcionário da estrutura política de Wilma – que nem tem essa estrutura, oficialmente, não existe isso.

Para Macedo, as relações pessoais não se confundem com as relações profissionais, e estar à disposição do cliente não implica nem em prestígio, nem em qualquer tipo de ingerência nas questões eminentemente administrativas.

Tenho relações pessoais, boas, com a prefeita, tenho excelentes relações pessoais com a governadora, tenho amizade pessoal, mas prestígio é outra coisa.

Eu emito opiniões quando convidado a dá-las. Isso não me faz uma pessoa presente nas ações do governo. É raríssimo a minha presença na governadoria ou em qualquer outra secretaria de estado.

Qual seria então o saldo da relação com Wilma?

Eu acho extremamente positivo. Eu tenho com a governadora uma amizade absolutamente franca e sincera. Eu nunca fiz parte da corte do governo – se a gente for entender corte como sendo, digamos, o imaginável séquito de amigos ou auxiliares que estão ali para agradar ou fazer os salamaleques oficiais. Nunca fiz parte disso, não critico quem faz, mas não é meu estilo.

Então, o saldo da minha relação com a professora Wilma, eu acho que é extremamente positivo – pra nós dois. É uma amizade sincera. Existe espaço para se elogiar, para se criticar, para se discutir, para se questionar – de parte a parte. É por isso que nós nos damos tão bem: eu a respeito profundamente como política, como administradora, e ela me respeita profundamente como alguém a quem ela própria entregou suas campanhas e que tem a obrigação de cumprir a sua parte.

Eu me restrinjo, nas campanhas, à minha parte – a parte de comunicação. Agora, é claro que as pessoas misturam as coisas: o marqueteiro nas campanhas é visto como se fosse um “sombra”, como se fosse um gênio, que produz as maiores invencionices.

*

A essa altura, seria invencionice achar que a “sombra” da governadora não tem a mínima influência nos destinos de 2010?

É claro que eu não pergunto, porque já sei da resposta negativa – as argumentações estão todas aí atrás.

E estão mais à frente também, quando, depois de analisar calmamente o cenário atual e de prever metodicamente o futuro próximo ele se sai com essa:

A mim não compete entrar muito na seara política, isso é com os políticos.

Breve, instantânea, minúscula pausa, para concluir:

Eu acho apenas que Iberê Ferreira de Souza deverá ser o candidato. Porque, como se dizia no passado, quem vai botar o guiso no gato? Quem vai dizer a Iberê que ele não tem condições de ser candidato?

E quem vai dizer a governadora que Iberê não deve ser candidato? – com certeza não vai ser Alexandre Macedo, mesmo afirmando que “as questões políticas de acomodação entre eles não me dizem respeito”.

Eu até agora não conseguiu formular nem saberia sugerir à governadora uma explicação para Iberê não ser o candidato.

*

Vale à pena seguir o raciocínio de Alexandre Macedo, aqui resumido, e imaginar que é mais ou menos o que ele vem dizendo à governadora – desde que tenha sido, claro, se foi, claro, chamado:

Há uma candidata não anunciada, mas em todos os aspectos considerada como confirmada, que é a senadora Rosalba, pelo DEM.

Do lado dos partidos que hoje formam o que se denomina de base aliada do governo, você tem quatro nomes que aspiram a candidatura: o vice-governador Iberê Ferreira, do PSB, o deputado Robinson Faria, do PMN, o ex-prefeito Carlos Eduardo, hoje no PDT, e o deputado João Maia, do PR. Entre esses quatro deverá nascer o candidato. Se você me perguntar quem é que você acha que vai ser o candidato, eu acho que vai ser Iberê.

Por que deve ser Iberê?

Lembram que Alexandre Macedo poupa, em muitas ocasiões, a voz do entrevistador? Pois, a resposta à sua própria pergunta ele vai buscar longe, nem tão longe, três anos atrás, na última campanha:

Em 2006, no primeiro semestre, qual era a realidade política do RN? Wilma governava de fato e Garibaldi governava de direito. Porque ele era senador da República e governador de férias. Alguns já fazendo o secretariado, outros faziam sonhos empresariais. Garibaldi era o cara, o cidadão que seria eleito. Nesse momento de definições, com Garibaldi muito à frente de Wilma, o deputado federal Iberê Ferreira de Souza abdica da sua reeleição, tida como absolutamente certa.

Lembra, ainda, que nessa decisão pesavam questões pessoais – Iberê não queria mais morar em Brasília e ser vice o traria de volta a Natal. Mas para o marqueteiro existe um mérito ainda maior na renúncia do deputado – e a metáfora que ele emprega vai muito além da esfera política:

Quando alguém compra uma ação na bolsa de valores na baixa – eu não tenho nenhuma experiência porque nunca comprei nenhuma ação – mas eu imagino que é assim: quando você compra uma ação que está em baixa e essa ação amanhã vem a se valorizar e você ganha legitimamente seu dinheiro, merece parabéns em dobro.

Iberê comprou a ação de Wilma na baixa. Quando ele aceitou entrar na chapa, ele aceitou ser vice de uma candidata que naquele momento não tinha a expectativa de vitória. Na época, me parece, fez uma articulação política para que as pessoas que o seguiam, majoritariamente, passassem a acompanhar o [candidato a] deputado Fábio Faria, numa articulação com o deputado Robinson.

Então, ninguém pode negar que Iberê teve uma participação importante na reeleição de Wilma. Primeiro, quando agregou sua parte político-eleitoral, maciçamente vinculada ao Trairi e ao Seridó. Segundo, quando veio na baixa.

*

Dito isso, Macedo faz uma longa lista de elogios à atuação de Iberê enquanto vice-governador – que não vai ao caso elencá-las aqui, senão, pela grandeza e presença de detalhes, como sinal de que o marqueteiro já começou a fazer seu dever de casa para o próximo ano.

Mas lembra ainda que, politicamente, tem sido um vice-governador que não tem criado nenhum problema para a governadora – quando os exemplos históricos tradicionalmente podem mostrar o contrário.

Foi um vice discreto. Não roubou espaço da governadora, não dividiu o brilho.

Além do mais é do mesmo partido da governadora, o PSB.

É preciso entender que a governadora não é só governadora, ela é presidente de um partido, partido que abdicou do direito de fazer um sucessor em Natal – para alguns, equivocadamente. Então, em 2010, vendo sob o ângulo do PSB, abdicar de novo seria um erro pouco explicável.

Chega então o momento em que o publicitário, o marqueteiro, o dono de agência que tem parte da conta do governo, o consultor sempre à disposição do governante-cliente, deixa de lado o papel de analista imparcial e ocupa a sua própria pele:

Então, você tem esse cara, sentado na cadeira de vice-governador, que vai ser governador durante nove meses, e você chega agora e diz “não, você não vai ser o candidato”… Qual a explicação? Eu até agora não conseguiu formular nem saberia sugerir à governadora uma explicação para Iberê não ser o candidato.

Então…

Eu acho que Iberê será o candidato do PSB. Vai unir todos os partidos que formam a base do governo? Não sei. Deveria unir, se todos dosassem um pouco o senso de oportunidade e calibrassem a humildade. Deveriam entender que Iberê não terá outra chance para ser candidato, em função da idade, e porque a legislação não permite que ele seja governador e candidato a deputado federal.

Então, se houver coerência, esses outros partidos que compõem a base do governo apoiarão o candidato do governo. Mas a política é feita de coerência e às vezes de coerência de ordem pessoal.

Só haveria uma maneira de evitar que ele seja candidato: se a governadora ficasse no cargo e ele não pudesse assumir o cargo de governador.

A outra maneira é se o povo disser, através das pesquisas, até junho, quando abrem as convenções, que ele seria irrisório na próxima disputa eleitoral.

Macedo não acredita nisso. Acha que, se Iberê não ultrapassar, antes de março, os outros pretensos candidatos a candidato, naturalmente passará depois, quando assumir o governo, “só pela visibilidade que o cargo de governador dará a ele”.

Mas, e os outros insatisfeitos? Robinson Faria, por exemplo?

O deputado Robinson tem merecimento para ser candidato a governador. Robinson tem todas as condições para num futuro bem próximo ser candidato a governador.

Então está combinado: Iberê Ferreira de Souza tem as condições políticas e o merecimento. Robinson Faria tem o merecimento, mas as condições, só num futuro próximo.

Daí a pergunta lógica: ele deveria repetir o que Iberê fez na campanha de 2006? Ser vice agora para se candidatar em 2014?

Macedo fica em silêncio. Mais: parece engolir o silêncio. E alguma lembrança ou raciocínio oculto ajudam a digerir esse silêncio. A resposta sai, lentamente, envolto num riso, não diria cínico, nem sarcástico, mas irônico:

Eu nunca fui convidado a dar orientação nem conselho ao deputado Robinson.

Mas, segundo o seu raciocínio, Robinson poderia, ou deveria, ser o vice de Iberê – insisto.

Eu acho que seria mais coerente ao deputado Robinson ficar aliado ao grupo…

Como vice de Iberê?

É uma alternativa. Aí eu me eximo de dar essa resposta porque as questões políticas de acomodação entre eles não me diz respeito.

Se ele tem as condições de ser candidato a governador, por que não teria de ser vice? Ou até não ser, mas fazendo parte de um projeto político que tenderia a firmar uma grande parceria para os próximos quatro anos.

Ademais o deputado Robinson sabe que Iberê, se eleito governador, só poderá governar por quatro anos, porque se tratará de uma reeleição, em função de ele assumir por nove meses.

*

Para concluir este segundo capítulo, Alexandre Macedo reforça seu quase engajamento no projeto Iberê 2010:

A população não vai votar em Iberê porque ele é o candidato de Wilma, de Lula, de fulano ou de beltrano, ou porque é a sua última chance – vai votar se julgar que ele tem um projeto bom para o estado.

A estratégia de marketing vai vender esse projeto, não como um continuísmo, mas como uma continuidade do governo Wilma?

Se você não for uma pessoa radical e de oposição ao governo Wilma, você vai verificar que foi um governo que, se não conseguiu resolver todos os problemas do estado, conseguiu vários avanços.

Eu acho que em algumas áreas, o candidato Iberê deve formatar um projeto de continuidade nesses avanços. Em outras, deve fazer uma política diferente. O governo de ninguém acerta tudo nem erra tudo. Do mesmo jeito que eu acho ridículo algumas pessoas acharem que o governo Wilma foi o melhor governo do planeta, que acertou tudo, que é uma maravilha, eu acho que é completamente descabido a oposição radical achar que o governo não fez nada, ou que fez muito pouco para o RN. É mentira as duas coisas.

*

A seguir, Alexandre Macedo fala sobre os bastidores da campanha de Micarla de Sousa, sobre marketing político e de como venceu o medo de voar.

O marqueteiro – [I]

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O que têm em comum as campanhas eleitorais para a prefeitura de Natal de 1992, 1996, 2000, 2004, 2008, e para o governo do Rio Grande do Norte de 2002 e 2006?

Resposta: o mesmo nome por trás do marketing – Alexandre Macedo. Que resume o currículo sem um pingo de modéstia mas, paradoxalmente também, sem sinais exteriores de orgulho:

É um largo histórico, e, graças a Deus, de sucesso.

Isso. Ia esquecendo a palavra mágica, sucesso, essencial para entender e traçar o perfil do entrevistado: além do mesmo marqueteiro, todas as sete campanhas citadas têm em comum o fato de serem vitoriosas. (mais…)