
Não se brinca com professores doutores muito menos com os Franciscos Ivans da vida, inda mais quando, muito além da vida e do jardim, são da universidade federal do Ryo Grande. Derna que eu me entendo de gente – não, não, muito antes, derna que eu era animal, bicho, planta, fóssil – a Capitania de João de Barros comemora o dia em que o seu Leopoldo flana, passeia, flaneia, pela capital da Ireland, sem sombra de Sinéad nem Bono, sem goles de Guinness, o que, convenhamos, é o maior pecado. Como eu nem me aventurei a ler o calhamaço do senhor Joyce, vamos deixar a palavra a quem entende do assunto e do riscado: o profdoc Chico Ivan [mais abaixo] e algumas publicidades da cerveja irlandesa, citações-homenagens ao mágico de Oz e Dante, Inferno, tal.

BLOOMSDAY 2010
Apresenta
EXILES
James Joyce, mais uma vez, Joyce; mais, ainda, James Joyce (1882- 1941). E, por que James Joyce? Como é sabido, que este ano, a cidade de Natal, celebra mais um Bloomsday, o inesquecível dia 16 de junho de 1904, um dia de celebração dedicado a Joyce, o autor de Ulysses, o mais trágico, cômico, dramático, derrotado e glorioso romance moderno/contemporâneo. Romance que conta a solitária “aventura” de Bloom durante esse dia de verão, em Dublin, na Irlanda. O gênero encontrou em Joyce a sua definição mais artisticamente moderna. James Joyce inaugura a posição do romancista moderno frente ao gênero do romance, que depois muitos escritores contemporâneos irão absorver, direta e indiretamente, suas inevitáveis e essenciais influências. Ulysses é, na minha opinião, razão e coração da modernidade. E assim o encontraremos no centro da modernidade, em suas excentricidades, de que dentro de uma linguagem barroca, de formas fechadas e abertas em si mesma, formas modernas que soltam em espirais conteúdos antigos/escolásticos, esse personagem aparece. Imediatamente, de repente, encontraremos Leopold Bloom, o Ulisses antigo e moderno, personagem que se abre para o universo da literatura universal. Abrindo-se para o universo, se abre ao mundo de hoje e afirma, mais ainda, a eterna angústia — essa angústia que é a nossa angústia, sempre a nossa; ou de qualquer modo, a nossa angústia.
Desde sua publicação, em 1922, em Paris, os críticos e grandes escritores tiveram clara consciência da posição peculiar que esse personagem, Ulysses, chamado Bloom, iria tomar dentro do mundo das artes e da literatura. Digo, mundo das artes, porque Ulysses não se limitou apenas ao espaço da arte literária. Ulysses de Joyce penetrou em todos os campos: o cinema, a dança, a música, o canto, a mídia, o teatro e, de certo modo, Ulysses invadiu a vida humana; penetrou em nossa consciência, penetrou em nosso interior e exterior e definiu nosso papel no espetáculo teatral da vida. Ulysses de Joyce está animado por um plurissignificante papel: os signos verbais, isto é, as palavras tendem a se converter em imagens, imagens sonoras, emblemas, imagens que evocam outras realidades, realidades que viram signos: uma linguagem que traça um périplo, uma passagem entre a realidade vista e o pensado pela mente de Bloom, a imagem da escritura, que cria um personagem novo, um verdadeiro monstro, lembro aqui, o Finnegans Wake, um verdadeiro monstro da palavra: algo que rompe a ordem natural e que nos maravilha e seduz.
Este ano, a apresentação da peça, Exilados ( EXILES ), no Teatro Alberto Maranhão, para celebrar o Bloomsday, basta para mostrar que a Obra de James Joyce tem grande recepção na cidade do Natal. Exiles foi a única peça teatral que James Joyce escreveu. Escrita em 1916, depois de A Portrait of the Artist as a Young Man e antes de Ulysses, foi vista como linha divisória, watershed, entre Um Retrato… e o grande romance que estaria por vir, o Ulysses. Sob direção de W. B. Yeats foi apresentada no Abbey Theatre, em Dublin. Em 1970 teve sua maior apresentação em Londres, sob a direção de Harold Pinter, no Mermaid Theatre. A peça que é a história de um renomado escritor retornando para Dublin, depois de nove anos de exílio, revela muito da própria experiência de Joyce.
As cenas transcorrem no subúrbio de Dublin, na Irlanda; é o verão do ano de 1912. Estamos nós, aqui, no começo do Século XXI; antes de tudo temos que sublinhar, e isto é muito importante, que vista a uma distância de tempo-espaço muito grande, e que dificulta a compreensão do tema apresentado, Exiles produz no expectador uma rica expectativa, uma complexa impressão de incerteza, de dúvida e melancolia… Parece que seus personagens pedem perdão por seus subterfúgios, por suas suspeitas, por se expressarem através de uma linguagem tão ambígua, mas deixando entrever suas idéias com extremada delicadeza. Certo. É sob a direção de Alex Beigui, artista e professor do Departamento de Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que vamos assistir a esse espetáculo, no palco do teatro Alberto Maranhão. E não tenhamos dúvida, cada um dos espetáculos montados do texto joyceano transforma-se em outra obra, em outro texto, em uma metáfora do texto original.
Minha expectativa para ver o Joyce em cena, no palco do Alberto Maranhão, começa, exatamente, com esta minha afirmação neste texto. [Francisco Ivan da Silva, Prof. Dr. da UFRN]
PROGRAMAÇÃO
Data: 16 de junho (4ª feira)
9:30 h – Leitura dramática do original: Exiles, de James Joyce. Coordenação: Profª Dª Ana Graça Canan. Local: Teatro Dep. Artes/UFRN
14:00 h – Mostra de vídeos sobre a Irlanda e a obra de James Joyce.
15:30 h – Palestra: Mortos, vivos e exilados, o sublime em James Joyce. Profª Dª Sandra Erickson. Mediadora: Profª Dª Maria Helena Vaz Costa. Local: Teatro Dep. Artes/UFRN
20:00h – Apresentação da peça: Exilados, de James Joyce. Local: Teatro Alberto Maranhão. Direção e adaptação: Prof. Dr. Alex Beigui
PROMOÇÃO: UFRN – Dep. Letras, PpArtes – CCHLA, Pró – Reitoria de Pesquisa
COORDENAÇÃO GERAL: Prof. Dr. Francisco Ivan da Silva