Arquivos da seção ‘Blog’

Quem é eu?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O nome da banda é Eu, Edu e os Caras. Ninguém sabe quem é o Eu. Edu é Edu Gomez. Os caras são CBI, Moisés, Samir. Talvez um deles seja o Eu. E os Caras, os outros. Os outros Eus, final das contas. Talvez não. Rola um conflito de identidade, aqui. Uma confusão. Redemoinho. Todo mundo é Eu, Eu sou os Outros. Etc. etc. Questão de Ego. Ego sum qui sum – foi a resposta do deus cristão a Moisés, que, sabe-se lá por que, falava latim. Eu sou o que sou. Em verdade, em verdade, Moisés (o do antigo testamento, não o baixista, esclareça-se) estava falando com uma sarça ardente no meio do deserto. Sarça ardente, esclareça-se também, não é nome de banda de metal ou de forró escroto tipo Garota Safada e tal. Sarça é o modo poético de chamar espinheiro, arbusto, mato. Pois. A tal da sarça estava pegando fogo mas não queimava. Tipo assim: vou apertar mas não vou acender agora. Noves fora, cabeça feita ou não, Moisés achou que o pé de mato falava. E mandava recado. Aos filhos de Israel (nada a ver com banda de reggae), que comiam o pão que o egípcio amassou, no Egito, pois. Que nem os palestinos na faixa de Gaza. Ontem, hoje, sempre. Daí perguntou:

Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?

Deus não contou conversa:

EU SOU O QUE SOU. Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.

Então, se liguem: que importa saber quem porra é o Eu de Eu, Edu e os Caras? Todos eles mandam ver. Rock. Nada de reggae nem eletrônico nem dance music nem baião. E poucos sucessos (leia-se, sem muita concessão aos pruridos da moda). Algumas músicas você sabe que já escutou mas não sabe onde nem quem.

Eu podia até perguntar pros caras e tirar todas essas dúvidas.

Eu? Eu não. Eu, Edu e os Caras.

Pós-bloomsday: William Burroughs

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dois monstros: Francis Bacon e William Burroughs, retratados por John Minihan

Lá se vai mais um dia de Bloom, Leopoldo, como naquela fábula da menina tatibitate – “lá se vai a quartinha de mamãe”. Em verdade, em verdade, eram quatro irmãs que, pelo dificuldade da fala, encontravam dificuldade maior: encontrar um marido. Na expectativa da visita de mais um pretendente, a mãe ameaçou:

-       Fiquem caladinhas, senão não casam.

Mas o jovem mancebo (acho que era jovem e mancebo, que o lance aqui é fábula e não livro de Joyce) chegou com sede e, claro, pediu água.

A mais velha foi buscar a quartinha e, de tão aperreada, deixou escorregar.

-       Lá si quêbou a tatinha de mamãe – não se conteve.

-       Que si quêbou, que si quêbásse – emendou a segunda.

-       Mamãe nun dissi que a genti nun fáiásse? – repreendeu a terceira

-       Eu cumu nun faiêi, cazaêi! – festejou a quarta, que, claro, deve ter ficado pra titia-avó como as outras três.

Copiei o modo de falar das tartamudas que nem Cascudo anotou em seu Contos tradicionais do Brasil – esse eu li, o Ulysses, não. Noves fora a intervenção esdrúxula (nem tanto, reparem: o diálogo é um Joyce sotto ácido ou chá de zabumba) , sempre cabe mais uma: não sei de onde nem por qual associação ilógica, me lembrei de um velho disco do Material, banda de Bill Laswell, todo em cima de The western lands, do velho beat William Seward Burroughs. O vídeo não vale nada – ouçam apenas a voz inconfundível do poeta americano que conseguiu, apesar de todas as drogas, morrer aos 80 e qualquer coisa. Coisa pra quem tinha mais de sete vidas. Ou almas. E nenhum Burroughs’s Day.

Seven Souls

by William S. Burroughs

The ancient Egyptians postulated seven souls.

Top soul, and the first to leave at the moment of death, is Ren, the Secret Name. This corresponds to my Director. He directs the film of your life from conception to death. The Secret Name is the title of your film. When you die, that’s where Ren came in.

Second soul, and second one off the sinking ship, is Sekem: Energy, Power, Light. The Director gives the orders, Sekem presses the right buttons.

Number three is Khu, the Guardian Angel. He, she, or it is third man out … depicted as flying away across a full moon, a bird with luminous wings and head of light. Sort of thing you might see on a screen in an Indian restaurant in Panama. The Khu is responsible for the subject and can be injured in his defense-but not permanently, since the first three souls are eternal. They go back to Heaven for another vessel. The four remaining souls must take their chances with the subject in the Land of the Dead.

Number four is Ba, the Heart, often treacherous. This is a hawk’s body with your face on it, shrunk down to the size of a fist. Many a hero has been brought down, like Samson, by a perfidious Ba.

Number five is Ka, the Double, most closely associated with the subject. The Ka, which usually reaches adolescence at the time of bodily death, is the only reliable guide through the Land of the Dead to the Western Lands.

Number six is Khaibit, the Shadow, Memory, your whole past conditioning from this and other lives.

Number seven is Sekhu, the Remains.

[Extraído de The western lands – a book of the dead for the nuclear age.]

Mr. Bloom

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não se brinca com professores doutores muito menos com os Franciscos Ivans da vida, inda mais quando, muito além da vida e do jardim, são da universidade federal do Ryo Grande. Derna que eu me entendo de gente – não, não, muito antes, derna que eu era animal, bicho, planta, fóssil – a Capitania de João de Barros comemora o dia em que o seu Leopoldo flana, passeia, flaneia, pela capital da Ireland, sem sombra de Sinéad nem Bono, sem goles de Guinness, o que, convenhamos, é o maior pecado. Como eu nem me aventurei a ler o calhamaço do senhor Joyce, vamos deixar a palavra a quem entende do assunto e do riscado: o profdoc Chico Ivan [mais abaixo] e algumas publicidades da cerveja irlandesa, citações-homenagens ao mágico de Oz e Dante, Inferno, tal.



BLOOMSDAY 2010

Apresenta

EXILES

James Joyce, mais uma vez, Joyce; mais, ainda, James Joyce (1882- 1941). E, por que James Joyce? Como é sabido, que este ano, a cidade de Natal, celebra mais um Bloomsday, o inesquecível dia 16 de junho de 1904, um dia de celebração dedicado a Joyce, o autor de Ulysses, o mais trágico, cômico, dramático, derrotado e glorioso romance moderno/contemporâneo. Romance que conta a solitária “aventura” de Bloom durante esse dia de verão, em Dublin, na Irlanda. O gênero encontrou em Joyce a sua definição mais artisticamente moderna. James Joyce inaugura a posição do romancista moderno frente ao gênero do romance, que depois muitos escritores contemporâneos irão absorver, direta e indiretamente, suas inevitáveis e essenciais influências. Ulysses é, na minha opinião, razão e coração da modernidade. E assim o encontraremos no centro da modernidade, em suas excentricidades, de que dentro de uma linguagem barroca, de formas fechadas e abertas em si mesma, formas modernas que soltam em espirais conteúdos antigos/escolásticos, esse personagem aparece. Imediatamente, de repente, encontraremos Leopold Bloom, o Ulisses antigo e moderno, personagem que se abre para o universo da literatura universal. Abrindo-se para o universo, se abre ao mundo de hoje e afirma, mais ainda, a eterna angústia — essa angústia que é a nossa angústia, sempre a nossa; ou de qualquer modo, a nossa angústia.

Desde sua publicação, em 1922, em Paris, os críticos e grandes escritores tiveram clara consciência da posição peculiar que esse personagem, Ulysses, chamado Bloom, iria tomar dentro do mundo das artes e da literatura. Digo, mundo das artes, porque Ulysses não se limitou apenas ao espaço da arte literária. Ulysses de Joyce penetrou em todos os campos: o cinema, a dança, a música, o canto, a mídia, o teatro e, de certo modo, Ulysses invadiu a vida humana; penetrou em nossa consciência, penetrou em nosso interior e exterior e definiu nosso papel no espetáculo teatral da vida. Ulysses de Joyce está animado por um plurissignificante papel: os signos verbais, isto é, as palavras tendem a se converter em imagens, imagens sonoras, emblemas, imagens que evocam outras realidades, realidades que viram signos: uma linguagem que traça um périplo, uma passagem entre a realidade vista e o pensado pela mente de Bloom, a imagem da escritura, que cria um personagem novo, um verdadeiro monstro, lembro aqui, o Finnegans Wake, um verdadeiro monstro da palavra: algo que rompe a ordem natural e que nos maravilha e seduz.

Este ano, a apresentação da peça, Exilados ( EXILES ), no Teatro Alberto Maranhão, para celebrar o Bloomsday,  basta para mostrar que a Obra de James Joyce tem grande recepção na cidade do Natal. Exiles foi a única peça teatral que James Joyce escreveu. Escrita em 1916, depois de A Portrait of the Artist as a Young Man e antes de Ulysses, foi vista como linha divisória, watershed, entre Um Retrato… e o grande romance que estaria por vir, o Ulysses. Sob direção de W. B. Yeats foi apresentada no Abbey Theatre, em Dublin. Em 1970 teve sua maior apresentação em Londres, sob a direção de Harold Pinter, no Mermaid Theatre. A peça que é a história de um renomado escritor retornando para Dublin, depois de nove anos de exílio, revela muito da própria experiência de Joyce.

As cenas transcorrem no subúrbio de Dublin, na Irlanda; é o verão do ano de 1912. Estamos nós, aqui, no começo do Século XXI; antes de tudo temos que sublinhar, e isto é muito importante, que vista a uma distância de tempo-espaço muito grande, e que dificulta a compreensão do tema apresentado, Exiles produz no expectador uma rica expectativa, uma complexa impressão de incerteza, de dúvida e melancolia… Parece que seus personagens pedem perdão por seus subterfúgios, por suas suspeitas, por se expressarem através de uma linguagem tão ambígua, mas deixando entrever suas idéias com extremada delicadeza. Certo. É sob a direção de Alex Beigui, artista e professor do Departamento de Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que vamos assistir a esse espetáculo, no palco do teatro Alberto Maranhão. E não tenhamos dúvida, cada um dos espetáculos montados do texto joyceano transforma-se em outra obra, em outro texto, em uma metáfora do texto original.

Minha expectativa para ver o Joyce em cena, no palco do Alberto Maranhão, começa, exatamente, com esta minha afirmação neste texto. [Francisco Ivan da Silva, Prof. Dr. da UFRN]

PROGRAMAÇÃO

Data: 16 de junho (4ª feira)

9:30 h – Leitura dramática do original: Exiles, de James Joyce. Coordenação: Profª Dª Ana Graça Canan. Local: Teatro Dep. Artes/UFRN

14:00 h – Mostra de vídeos sobre a Irlanda e a obra de James Joyce.

15:30 h – Palestra: Mortos, vivos e exilados, o sublime em James Joyce. Profª Dª Sandra Erickson. Mediadora: Profª Dª Maria Helena Vaz Costa. Local: Teatro Dep. Artes/UFRN

20:00h – Apresentação da peça: Exilados, de James Joyce. Local: Teatro Alberto Maranhão. Direção e adaptação: Prof. Dr. Alex Beigui

PROMOÇÃO: UFRN – Dep. Letras, PpArtes – CCHLA, Pró – Reitoria de Pesquisa

COORDENAÇÃO GERAL: Prof. Dr. Francisco Ivan da Silva

Carros de luxo e hospital de referência

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Os tais press releases continuam a me encantar.

Agora mesmo chegou um que começa assim:

Os profissionais de saúde do Hospital Infantil Sandra Celeste estão surpresos com a quantidade de usuários que vem buscando os serviços pediátricos nos últimos dias.

¿Que pasa por la calle, niños? Alguma epidemia? Terremoto, maremoto, acidente de moto?

Nada, nada, nada.

Simplesmente o atendimento “praticamente quadriplicou” porque o trabalho está sendo realizado como se deve, explicou a diretora, Telma Pereira.

Que acrescenta uma observação importantíssima como prova de que o trabalho “é referência e está sendo eficiente”:

À noite, principalmente, chegam pais em carros de luxo trazendo os filhos para consultas, pois já souberam que aqui o atendimento é 24 horas, com equipe treinada e especializada, contando com três pediatras por plantão, com toda estrutura de exames de sangue, raio x, e ainda tem o retorno ambulatorial.

Ou seja, coisa de primeiro mundo mesmo, hein? E o cenário fica ainda mais exuberante com tantos importados no estacionamento.

Maravilha.

O danado é que, como aumentou – “inesperadamente” – a demanda, o tempo de espera também cresceu. O atendimento não é por ordem de chegada, explicou a diretora através do release, mas pela gravidade do caso.

Ou seja, contrariando a lógica, alegria de rico dura pouco: vão ter que estacionar seus importados noutra freguesia.

Cadernos de caligrafia: Magalhães

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Reestréia hoje – e segue amanhã e sábado – o espetáculo Entre nós (Prêmio Klauss Vianna/FUNARTE 2008).

No Teatro da Casa da Ribeira, 20h, R$ 16 inteira, R$ 8 meia.

Direção e roteiro por conta de Diana Fontes, assistentes Bianca Dore e Maurício Motta, músicas de Naná Vasconcelos, Marcelo Camelo, Elgar e Kreisler, e com Álvaro Paraguai, Danielle Flor, João Alexandre, Jeane Souza, Manuelle Flor, Manoel Albuquerque e Marcelo Ximenes no elenco.

O texto é de Claudia Magalhães. Um aperitivo, antes das três noites:

Possuo uma crueldade excepcional que, quando adormecida, cede lugar a uma ternura intrigante, curiosa, que me entorpece, me alivia. Sou escravo dessas duas realidades. Elas me fazem nascer e renascer, todos os dias, e me tornam humano. Sempre que atravesso a delicada e invisível fronteira que as separam, sou tomado por uma espécie de estupidez execrável que, com o passar dos anos, me fez perceber que o espaço que separa a vida da morte é feito de silêncio, do simples quebrar de um salto, de uma brevidade não medida pelo tempo. Somos movidos por uma bomba-relógio chamada coração, cujo controle não nos pertence. Deixei de sentir revolta, aprendi a não brigar com o que desconheço, perdi o sentido do pecado.

Juro pela minha alma que a partir desta noite a minha boca me será fiel. Vou agradecê-la pela dedicação, amor e carinho de todos os dias… Trocaremos inúmeras declarações de amor e caminharemos juntos, sem competição, na mesma velocidade, como quem segue a própria imagem num espelho. Faremos amor com o céu ao alcance das mãos e comeremos estrelas.

Cadernos de caligrafia: Magris

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Página 206 da primeira edição de Às cegas : romance / Claudio Magris ; tradução Maurício Santana Dias – São Paulo : Companhia das Letras, 2009, final do capítulo 47:

[...] Aquele pedaço da minha vida é maior que minha vida inteira, um minuto contém horas e uma hora contém anos, ainda que se dissolva tão rápido.

Capítulo 48, páginas 207, 208:

É, se dissolve. Se fosse só isso, paciência. Um beijo, no fim das contas, é apenas um beijo, um soldadinho em dia de folga deve ter o direito de divertir-se um pouco. [...] Como é possível sustentar o amor? Não digo uma mulher. Uma mulher ainda vai. [...]

Uma mulher ainda vai, mas e o amor? Ele desmorona sobre você, esmaga-o. Já é bem duro viver, sobreviver, desviar-se dos golpes que chegam de todos os lados, soltar ou puxar a vela no instante exato, antes que o barco se arrebente ou vire; envelhecer, adoecer, ver morrer amigos, acertar as contas com a infâmia, a vergonha e a traição que você traz dentro de si. E como se esse acúmulo não bastasse, ainda o amor? É uma guerra muito dura, entende-se perfeitamente que às vezes não resta nada senão desertar.

Final do capítulo 49, página 213:

[...] Toda vez que a morte estava para me alcançar, eu deixei o amor cair, um pedaço do meu coração; atirei-o à matilha faminta em meu encalço, escapei mais leve.

Biquíni de bolinha vermelhinho

sábado, 29 de maio de 2010

Que eu saiba, Jessica Alba não bebe Vita Coco, mas quem se importa?

Uma conversa de dois americanos com duas brasileiras num bar em Manhattan, New York City, deu origem a um negócio que, aparentemente, tem tudo pra dar certo: água de coco em caixinha.

E daí? Dirá o leitor, a leitora, acostumados com o coco verde aberto numa facada só enquanto o vento sopra os cabelos e a areia sobre o corpo bronzeado (ou se bronzeando) à beira-mar.

As caixinhas já circulam por aqui há tempos, mas sempre enfrentaram a resistência dos que conhecem a embalagem original, muito mais perfeita, na capacidade de conservação e no design, feito sob medida pra ser abraçado pelas mãos e coroado por um canudinho colorido. Um coco verde aberto em sua parte superior com um canudo dobrado é a cara do verão.

Houve até um potyguar que inventou uma caixa dobrável – estilo essas bandejas do Mcdonalds para o drive-thru – na tentativa de exportar mais facilmente o produto em sua embalagem original. Acompanhava também um abridor pra facilitar a vida do gringo.

Desconfio que não deu muito certo.

O que os dois americanos fizeram, além, claro, do padrão de qualidade que, supõe-se, acompanha toda a produção (desde o vizinho Ceará, de onde, reza a lenda, eram as duas meninas do primeiro parágrafo), foi investir em marketing. Dizem que Madonna, Demi Moore e o vocalista do Red Hot Chili Peppers, Anthony Kiedis, são investidores da empresa. A cantora apareceu para uma sessão de fotos para Dolce & Gabbana com a embalagem tetra park em mãos. A atriz foi capa da Harper’s Bazar de abril, onde contou que trocou o Red Bull pela Vita Coco. E o vocalista, bom, do vocalista não sei nada além do fato que sempre conjugou drogadição com vegetarianismo.

Noves fora todo esse blá-blá, o sítio da Vita Coco chama atenção por um detalhe quase desapercebido: a animação inicial ao carregar a página mostra uns cocos caindo do alto de um coqueiro. Não seria nada se não fossem acompanhados, na queda, pela parte superior de um biquíni – de bolinha e, ao contrário da música, vermelhinho.

Como a origem brasileira do produto é muito pouco explorada, não dá nem para os moralistas de plantão virem com aquele papo de sexo turismo, imagem do Brasil etc.

Mas que dá pra pensar, ah isso dá.

No céu com De Aquino

quarta-feira, 26 de maio de 2010


Nuvem passageira, de Hermes de Aquino, é jóia nem tão rara no Olimpo do cancioneiro popular verdamarelo: classificadas ora como bregas, ora como kitsch, há 1.001 exemplos do gênero, quase todas revisitadas por gênios – ditos gênios, aliás – ditos cult, pois.

Nenhum deles, porém, todavia etc. consegue superar os originais.

No mais, no caso da clássica canção de De Aquino, impressiona a perfeição vocabular onde substantivos e adjetivos os mais prosaicos convivem em perfeita harmonia. Não há excessos, não há rebuscas, o barroco passou longe, a semana de arte de vinte e dois foi diluída ao extremo e coada e filtrada até que não restassem dúvidas nem lamentos. Nem Carlos Drummond conseguiu ser tão feliz e simples.

Ainda assim, preste atenção como alguns versos surpreendem os anteriores em associações inusitadas (A lua cheia convida para um longo beijo/ Mas o relógio te cobra o dia de amanhã/ Estou sozinho, perdido e louco no meu leito/ E a namorada analisada por sobre o divã).

Também não adianta buscar no passado mais ou menos longínquo explicações e/ou inspirações para texto e notas musicais – Nuvem passageira ignora repentes, sambas, cocos, maracatus, frevos, cirandas, for alls etc. Não há etnia regional em sua forma, senão aquela urbana, de desencontro em mesa de bar, solidão a dois e na multidão. Embora cheia de elementos da natureza, a pólis corre solta em suas veias e no sintetizador plugado no infinito.

Atemporal, eterna, também foge do tropicalismo e da bossa nova como o cão da cruz, e se adianta, sem necessariamente se antecipar, ao rock dos anos 80, ao manguebit, às cantorinhas do terceiro milênio e demais inutilidades.

E ainda provoca vídeos bacanas como o que abre esse post.

Um clássico, como se convencionou dizer, ao pé da letra:

Nuvem passageira, de Hermes de Aquino

Eu sou nuvem passageira

Que com o vento se vai

Eu sou como um cristal bonito

Que se quebra quando cai

Não adianta escrever meu nome numa pedra

Pois esta pedra em pó vai se transformar

Você não vê que a vida corre contra o tempo

Sou um castelo de areia na beira do mar

A lua cheia convida para um longo beijo

Mas o relógio te cobra o dia de amanhã

Estou sozinho, perdido e louco no meu leito

E a namorada analisada por sobre o divã

Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva

Não quero nem saber de me fazer, ou me matar

Eu vou deixar em dia a vida e a minha energia

Sou um castelo de areia na beira do mar

Dos muertes, un puñado de spleen

sexta-feira, 14 de maio de 2010

As mulheres de 86,5 milhões de dólares

sexta-feira, 14 de maio de 2010

The twenty five million dollar woman, Gisele B.

Gisele Bündchen – 29 – 25.

Heidi Klum – 36 – 16.

Kate Moss – 36 – 9.

Adriana Lima – 29 – 7,5.

Doutzen Kroes – 25 – 6.

Alessandra Ambrosio – 29 – 5,5.

Natalia Vodianova – 28 – 5,5.

Daria Werbowy – 27 – 4,5.

Miranda Kerr – 27 – 4.

Carolyn Murphy – 36 – 3,5.

Alguns dos nomes acima você conhece, com certeza. Deu até um certo trabalhou colocar o trema no “bu” de Gisele. Mas os números são só pra confundir. O primeiro se refere a idade, o segundo aos insumos na conta bancária de cada uma, amealhados apenas no ano que passou. Ou seja, La Bündchen, sozinha, faturou tanto quanto a segunda e a terceira do ranking – elaborado, aliás, pela Forbes.

São as 10 modelos mais bem pagas do mundo no ano da graça de 2009. Fiz as contas, pra vocês não terem o trabalho de sacar a calculadora do celular: juntas, as meninas faturaram 86,5 milhões de dólares.

Reparem também que a média de idade é 30 anos – o que parece indicar que as verdadeiramente boas (sentido profissional, claro) duram muito mais do que aqueles inícios promissores, com modelos magérrimas abaixo dos 30 kg e dos 15 anos. Três delas, inclusive, se aproximam dos 40, e não seria de se estranhar que ao menos uma – Kate Moss, off course – continue faturando quando entrar na casa dos “enta”.

Para aqueles com senso de patriotismo, os 1o, 4o e 6o lugares têm passaporte verdamarelo – Gisele, Adriana, Alessandra. Juntas, valem U$ 38 milhões para o ano fiscal de 2009. Quase metade do total do ranking.

Nunca na história desse país.