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cascáveis

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

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Fui | Kaváfis, Konstantinos

sábado, 17 de setembro de 2011

Vivian Maier

Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui

em busca de volúpias que em parte eram reais,

em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;

fui em busca da noite iluminada.

E bebi então vinhos fortes, como

bebem os destemidos no prazer.

[tradução de José Paulo Paes]

Nossos comerciais por favor | Talking book

segunda-feira, 28 de março de 2011

A gente nasce no tal seio de uma família e o tempo se encarrega de alvoroçar todo o conjunto, equilibrado e coeso apenas na infância. Uns se vão, outros se agregam, mas o núcleo, ou boa parte dele, permanece o mesmo. O núcleo dos irmãos é fundamental. Sempre assumo a sorte que tive de ter nascido entre 4 irmãos, eu incluso. E nascer entre tantos implica que, muitas vezes, o primogênito nasça numa década e o caçula na seguinte. Foi assim comigo. Conosco. Eu e minha irmã. Para sempre a primogênita, mas às vezes eu sei que ela é minha caçula. Também. Ela agora lança um livro. E é bem legal. Long time ago ela nos escreveu uma carta, rito de passagem, divisor de águas. Endereçada aos outros três machos. Imagino que devia ser bom e não ser bom ter três irmãos varões. Pois, ela nos escreveu a carta, tal. Mais de 20 anos atrás. E eu lembro que fiquei impressionado com a missiva, noves fora seu conteúdo – seu direcionamento, sua vontade de se desnudar diante dos irmãos, as dores e alegrias que pautavam as entrelinhas – era um belo exercício literário. Muito forte. Parêntesis: eu sempre curto demais quem não é “do ramo” e escreve como se fosse – às vezes, melhor ainda do que as galinhas emplumadas que ciscam nos terreiros intelectualóides. Fecha parêntesis. Tão bela era a carta que a tenho guardado. O livro que minha irmã lança dia 6 não tem essas pretensões de exposição d’alma. Ao menos explicitamente. É um relato de viagem. De viajante. Os Jovens Escribas se encarregaram de arrumar tudo numa embalagem que deve agradar a gregos e baianos. Fica a dica, pois.

* Talking book – o livro que fala – é o título de um disco de Stevie Wonder, um dos tantos que eu ouvia, por tabela, na vitrola de casa, embalado pelos bons gostos dos dois irmãos mais velhos. Era um dos preferidos da minha irmã, já que meu irmão curtia mais os Stones. You’re the sunshine of my life era um dos hits. Uma das faixas. Embora ela já tenha dito que no seu enterro quer todo mundo alegre, bebendo e cantando You can’t always get what you want, que é, pois dos Stones, olha só. Ah, mas eu posso dizer que ela é o brilho do sol na minha vida? Posso, né?!

Dia da Poesia, 14 de março de 2011, Sanderson Negreiros

segunda-feira, 14 de março de 2011

3

Não só querer-te só, mas desvendar

em ti a razão de contemplares

a vida em ânsia de beleza e cor

como se do trágico de amar-te

restasse um instante maior de amor.

Estar ao teu lado, apoiando-me no

futuro, ou viver na presença de teus

gestos, gastos de tão profundos

que vincam a face de lembranças

doces de pastor, arredio e soturno,

que sempre guia ovelhas mas por uma

delas, deixa-se morrer de amor.

[Sanderson Negreiros – 3o Livro – Fábula fábula – 2a parte: os gestos]

Muito além da manteiga, as lágrimas

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Maria S com Jack N em Profissão: repórter

Morreu Maria Schneider.

Levou para o túmulo a fama e um certo ranço, por ter, em vida – e muito provavelmente após a morte – sua imagem associada à famosa e famigerada “cena da manteiga”, em O último tango em Paris (Bertolucci, 1972). Protagonistas, ela, Marlon Brando – no auge de sua maturidade –, e o pote de margarina, pois.

Há uns três, quatro anos, em uma entrevista, soltou os cachorros contra a dupla de machos, Bertolucci e Brando.

A cena de manteiga? Foi uma idéia de Marlon Brando. E Bertolucci só me disse o que eu tinha que fazer pouco tempo antes de girar a cena. Me enganaram. Eu quase fui estuprada, aquela cena não estava no roteiro. A princípio, recusei, fiquei com muita raiva. Mas, depois, eu não pude dizer não. Eu deveria ter chamado meu agente, ou meu advogado, porque você não pode obrigar um ator a fazer algo que não está no roteiro. Mas na época eu era muito jovem, e não sabia disso. Então, eu fui forçada a submeter-me ao que considero ter sido uma verdadeira violência. As lágrimas que você vê no filme são verdadeiras. São lágrimas de humilhação.

Mas nem só de lágrimas e manteiga e sal foi a carreira da atriz. Trabalhou também com outra lenda do cinema, o senhor Jack Nicholson (em Profissão: repórter, 1975, de Antonioni), e deu uns passinhos pela música, gravando e interpretando canções do italiano Lucio Battisti (com o mais que brega Cristiano Malgioglio). Que pouca gente ouviu e ninguém – muito justamente (o troço é de chorar) – se lembrará.

R.I.P.

Não deu

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


O caso Ruby, ou Bunga Bunga, está rendendo muito e em plena democracia italiana, imersa, segundo consta, naquele território geográfico consagrado como primeiro mundo.

Começou ano passado quando uma certa Karima El Mahroug [aka Ruby, pois], marroquina de nascimento mas com uma longa – em que pese seus 18 aninhos – vivência na Itália, foi presa e logo liberada graças a uma intervenção direta do próprio Berlusconi.

De lá pra cá, pelo noticiário e pelas investigações da Justiça italiana, parece que o presidente não fez outra coisa senão sexo, com uma, sexo, duas, sexo, sexo, três, sexo, sexo, sexo, dezenas de modelos, sexo ad infinitum, acompanhantes, prostitutas, mulheres e – eis a questão onde pode definitivamente naufragar – menores de idade.

O Brasil, claro, não poderia escapar: com nome e sobrenome já apareceram ao menos duas participantes das festinhas presidenciais (onde o hit, pois, era o tal Bunga Bunga), mas dizem que são muito mais – algumas descritas como “putinhas provenientes das favelas cariocas, que mal falam italiano”.

Abaixo, o relato de uma das meninas de Berlusconi, identificada apenas pela letra N, 21 anos incompletos:


Aquela noite, 6 de janeiro de 2011, éramos umas vinte meninas no jantar, muitas estrangeiras. Todas receberam presentes, uma bolsa e jóias. Eu ganhei um bracelete, suponho que de ouro, e um anel combinando com o bracelete. Estava o presidente, [o jornalista] Emilio Fede e o cantor napolitano Apicella… Aris me disse que se eu fosse ao jantar, o presidente me daria dinheiro. Eu perguntei quanto, e ela me disse que ao menos mil euros, ou quem sabe muito mais. Depois do jantar, o presidente disse “Agora vamos todos dançar na discoteca”. Também usou o termo Bunga Bunga, mas eu não sabia o que isso significava. Enquanto dançávamos, o presidente e Emilio Fede permaneciam sentados, assistindo. Algumas das meninas faziam strip-tease e, em seguida, aproximavam-se do presidente, que tocava seus seios ou outras partes íntimas ou as nádegas. Eu não fiquei à vontade, porque sou tímida e, por isso, não fiquei nua, nem me deixei tocar pelo presidente. Eu sabia, através de Aris, que as meninas recebiam do presidente envelopes contendo dinheiro. Aris me confidenciou que tinha recebido muitas vezes alguns desses envelopes por ter ido para a cama com o presidente. Mas me disse, também, que ir para a cama com o presidente era estressante. Estressante porque, segundo ela, demorava muito, porque o presidente tinha relações sexuais não só com Aris, mas com outras mulheres ao mesmo tempo. Eu sabia o que poderia acontecer comigo, ou seja, ter sexo com o presidente na presença de outras mulheres. Eu estava preparada psicologicamente, mas assim que cheguei fui tomada pela minha timidez. Depois, ao vê-lo pessoalmente, e apesar de todo o dinheiro que eu poderia ganhar, sinceramente, não deu. [N.]


[No vídeo, Iris Berardi, de origem brasileira, produto – por que não dizer? – de exportação, e uma das Bunga Bunga.]

My baby shot me down

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Por Fábio Moon. De aqui.

Quando eu me apeguei a você, meu coração, | Outra foto

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

R. Mapplethorpe

Sou fã – se é que me posso chamar assim – de Robert Mapplethorpe derna que assisti a uma retrospectiva de sua obra – que se dizia completa – lá pelo início da década de noventa, no Museo Pecci, de Prato, vizinhanças industriais de Florença. Trouxe o catálogo, completo, na bagagem, e ainda hoje o tenho por aí, na estante. Homossexual, outsider, marginal, Mapplethorpe iniciou a sua carreira no que poderia parecer apenas uma tentativa de choque contra o status quo vigente. Aquela retrospectiva permitiu a constatação de que era muito mais do que isso. Mapplethorpe fotografa flores e paus [pênis, plural] com o mesmo ardor sacro com que despe santos. Fotografa(va) corpos nus de mulher com a mesma premência com que fotografava a si próprio com um chicote enfiado no ânus. Com a mesma delicadeza, por exemplo, com que Arthur Rimbaud enfiava ali pelo final de Vênus anadiomene os versos finais “Com a bela hediondez de uma úlcera no ânus.” Lembrar Rimbaud não é bem acaso: era o poeta, ícone preferido de Patti Smith, a cantora, que viveu com Mapplethorpe anos de miséria e glamour, quando sonhavam ser artistas [reconhecidos]. A história dessa amizade eterna foi contada pela própria Patti no belíssimo Só garotos [Companhia das Letras, 2010], tão importante foi para a artista que ela preferiu dedicar-se a escrever a biografia deles dois, passando inclusive por cima da sua história de amor com Fred Smith. Não acaso, também, Patti escreve sobre uma das muitas vezes que Robert a fotografou:

Até hoje quando olho para essa foto, nunca me vejo. Vejo nós dois.

P.S. Divaguei, ao tentar [sic] justificar a possibilidade de ilustrar a croniqueta Quando me apeguei, a você meu coração, aí ao lado, com outra das muitas fotos de Mapplethorpe sobre flores. É porque.

A Felicidade é um peixe em fuga

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

James Morgan, 2010

Então, tem um lance aí chamado Travel Photographer of The Year (TPOTY) que andou selecionando fotos e portfólios em várias categorias, uma delas intitulada “Encontros”. “A experiência de viagem é reforçada pelos encontros que temos ao longo do caminho: encontros com pessoas dos países que visitamos, com outros viajantes e com animais selvagens” – esse era o mote para os inscritos. O vencedor, para essa categoria, foi o britânico James Morgan, que vem focando suas lentes para a relação entre culturas nativas e a conservação da vida marinha, particularmente no sudeste asiático. Para quem anda em busca da felicidade, o encontro é imediato.

Música é minha religião

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Boa sacada de uma empresa italiana: imãs de geladeira com alguns reis do rock – e uma única rainha, Dona Janis, claro.

Eu daria um jeito de incluir Patti Smith. Sem falar em Marvin Gaye. Etc. Enfim, sempre vai faltar alguém. E no caso aqui, são apenas 12.

Doze santidades, 12 rockstars, 12 apóstolos do apocalipse.

Todos mortos, que ninguém é doido de santificar ninguém em vida – vai que o cara fica bonzinho e tal.

Sai Deus e entra o Rock. Em vez do slogan In God We Trust, In Rock We Trust – com algumas exceções que confirmam a regra: Grunge (para Kurt Cobain), Punk (Sid Vicious), Reggae (Marley), Pop (Michael Jackson).

Transformar uma geladeira em um altar assim, implica certas responsabilidades: nada de toddynho, só vodka, cervejas, máximo um queijinho. De preferência vencido, só pra deixar aquele clima underground.