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	<title>Mario Ivo &#187; Crônicas</title>
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		<title>Comeu pão de mel e tomou chocolate quente</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 11:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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A frase foi pescada de matéria, dia desses, Jornal Nacional, sobre o dia do candidato José Serra. Lá pras tantas a repórter, em off, pespegou, sapecou em nossos ouvidos:
&#8230; comeu pão de mel e tomou chocolate quente&#8230;
O trecho ficou grudado nas minhas orelhas, dependurado como brinco de diamantes, melhor, pérolas, simplesmente pelo acúmulo de doçura. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2838" href="http://www.marioivo.com.br/comeu-pao-de-mel-e-tomou-chocolate-quente/homer_marge-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2838" title="homer_marge" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/homer_marge1.jpg" alt="" width="196" height="262" /></a><a rel="attachment wp-att-2839" href="http://www.marioivo.com.br/comeu-pao-de-mel-e-tomou-chocolate-quente/hannibal-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2839" title="hannibal" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/hannibal1.jpeg" alt="" width="400" height="291" /></a></p>
<p>A frase foi pescada de matéria, dia desses, Jornal Nacional, sobre o dia do candidato José Serra. Lá pras tantas a repórter, em off, pespegou, sapecou em nossos ouvidos:</p>
<blockquote><p><em>&#8230; comeu pão de mel e tomou chocolate quente&#8230;</em></p></blockquote>
<p>O trecho ficou grudado nas minhas orelhas, dependurado como brinco de diamantes, melhor, pérolas, simplesmente pelo acúmulo de doçura. Pão de mel e chocolate quente é associação quase mafiosa. Delito culposo, dose, overdose, atentado à moral, bons costumes e paladares. Inda mais associada ao <em>hipocondríaco</em> – na acusação bem-humorada de Arruda Sampaio – Serra, cujo fervor antitabagista me remete aos talibãs, aos partidários da Opus Dei e àquela turma paz &amp; amor do Charles Manson.</p>
<p>Enfim. Os tempos de buchada e outros quebrantos aparentemente foram-se, bem mais paulista e invernal parece ser o pão de mel, o chocolate quente. Ou não.</p>
<p>A semana que passou também pode ser consagrada como a semana em que o casal William Homer, digo, Bonner, e Fátima Simpson, digo, Bernardes, recebeu os três mais cotados – nas pesquisas – a ocupar o trono, digo, presidência, do Brasil. Difícil fazer uma análise do comportamento da dupla na bancada, quer dizer, difícil não é, mas as torcidas são tão fervorosas, tão fiéis aos seus interesses e gostos, que torna-se inútil. Noves fora, os apresentadores devem ter ficado mui aliviados (sem duplo sentido) quando Plínio de Arruda Sampaio apareceu em entrevista gravada e não ao vivo, ladinho deles. Plínio, o velho, provavelmente ia comer o fígado de Bonner e&#8230; bom, deixa pra lá. Mas seria como convidar o doutor Hannibal Lecter pra jantar. O William seria o pão de mel, a Fátima o chocolate quente. Ou.</p>
<p>Aliás, bem mais memorável que a dupla mel-chocolate foi a declaração do doutor Lecter-mister Sampaio, sobre a extinção – caso eleito – do Senado Federal, “um valhacouto de oligarcas”, em sua sonora e precisa definição.</p>
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		<title>O ano da morte do meu pai</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 14:43:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Para organizar o caos da vida e do tempo, ininterrupto, sem paradas, metros ou esquadros, inventaram, os homens, os calendários, os relógios, as estações. Vezenquando é preciso, também, esquecer datas números regras. Neste exato instante, não saberia dizer o ano da morte do meu pai. É inútil e dispensável dizer que faz xis anos. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2794" href="http://www.marioivo.com.br/o-ano-da-morte-do-meu-pai/time-travel/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2794" title="time-travel" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/time-travel-425x425.jpg" alt="" width="425" height="425" /></a></p>
<p><em>Para organizar o caos da vida e do tempo, ininterrupto, sem paradas, metros ou esquadros, inventaram, os homens, os calendários, os relógios, as estações. Vezenquando é preciso, também, esquecer datas números regras. Neste exato instante, não saberia dizer o ano da morte do meu pai. É inútil e dispensável dizer que faz xis anos. Não se mede o tamanho de uma falta em anos – ela cresce e se agiganta, recrudesce e quase aparentemente some, sem pedir licença, sem aviso, irregular. Mas quando desponta no calendário certas datas – aniversários, dias disso, daquilo – o negócio todo, inevitavelmente, explode. Então, hoje, Dia dos Pais, me vem de republicar aqui o que escrevi na semana da morte do meu pai. É um dos muitos textos que escrevi envolvendo seu nome, mas, talvez, o mais sintomático porque escrito em meio à tempestade que foram aqueles dias, meses, ano. O ano da morte do meu pai. Os anos passados, os anos futuros.</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>*</strong></p>
<p><strong>Meu pai</strong></p>
<p>A lembrança mais antiga que tenho do meu pai são seus braços me erguendo acima de sua cabeça no canteiro de obras da casa da Cônego Leão Fernandes, 558. A lembrança mais recente <em>não é</em> a do seu corpo descansando no velório, aparentemente alheio e indiferente àquela “confusão” de choro, vozes, orações e solidariedade imensa dos seus amigos e dos amigos dos seus filhos. A lembrança mais recente do meu pai, na verdade, <em>são</em> muitas imagens que vêm e vão sem pedir licença, às vezes acompanhadas de dor, às vezes acompanhadas de risos, agora, sempre carregadas nos ombros das saudades.</p>
<p>As lembranças do meu pai são sob o signo do movimento: nos levando em seu fusca azul para o açougue na Ribeira; nos levando à Rio Branco e à Princesa Isabel para ver as luzes do Natal; nos levando nas manhãs dominicais para a casa em Pirangi, onde nas noites de veraneio, no alpendre escuro nos mostrava as ondas do mar.</p>
<p>Em Pirangi, gostava de caminhar bem cedo. Levantava os braços e respirava profundamente. Depois, deitava-se na areia, os olhos fechados, e erguia novamente os braços, rolando seu corpo salpicado de grãos de areia.</p>
<p>Sempre foi tranqüilo, sereno, parcimonioso. Com ele, e com minha mãe, aprendemos a valorizar os pequenos presentes como grandes que realmente eram. Dificilmente elevava a voz. Dizia que não se deve falar de um compartimento a outro. Bebia pouco, fumava pouco, nos amava imensamente, sem medidas. Nunca falou mal de um filho e sempre procurou contemporizar as arestas naturais entre os irmãos. Quando eu era bem pequeno, peguei umas moedas dos bolsos da minha irmã. Ele percebeu que eu escondia algo. Sorrindo, sentou-se para ficar à altura dos meus olhos, me fez abrir as mãos – não lembro se disse algo, nem, se o disse, o que falou. Lembro apenas que o meu erro foi tratado carinhosamente, e que nunca mais fui capaz de pegar algo que não era meu.</p>
<p>Era um sedutor. Encantava as mulheres. Sabia a palavra certa, o elogio justo, o sorriso sincero, para conduzi-las num encanto que nada tinha de rede, teia, ou armadilha. Seduzia as mulheres, de todas as idades, de todas as belezas, apenas para vê-las sorrir.</p>
<p>Em igual medida era assim com os amigos e nas suas atividades profissionais. Nunca pretendeu cargos elevados, o centro do palco, os holofotes – preferia os bastidores, onde atuava como conselheiro e amigo. Era um homem tradicional, mas ouço com orgulho e um prazer imenso o relato de ex-alunos seus, de como fazia a ponte entre os arroubos da juventude radical e o peso da instituição, às vezes reacionária. Quando entrei na Faculdade de Medicina, ele vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde, nunca me pediu para que eu cortasse os cabelos. Nunca pediu para que baixássemos o volume dos discos de rock que ouvíamos. Nos primeiros anos do Projeto Pixinguinha, ao final de um dia de trabalho, ia nos apanhar no SCBEU e nos levava – os filhos mais novos – a todos os shows no Teatro Alberto Maranhão.</p>
<p>Criança ainda, me levou a Recife, na primeira de muitas viagens. Aos 10 fui a Fortaleza, aos 12 ao Rio e Santa Catarina, aos 15 anos à Amazônia e ao Peru, destino que nos deixou escolher. Nunca fez nenhuma preleção enfadonha da importância desses passeios – nos mostrava na prática, ao nosso lado, como companheiro. De viagem e de vida.</p>
<p>Às vezes, quando fazia algo que nos contrariava, dizia que era proposital, para que quando ele fosse embora não sentíssemos tanto a sua falta. Não conseguiu, claro.</p>
<p>Se redescobri meu amor à Natal, à sua cultura, ao seu passado e tradição, foi por influência do meu pai, pelo seu exemplo de vida familiar e social numa época que infelizmente tende a ser esquecida.</p>
<p>Se hoje sou pai de duas filhas é porque procurei e procuro imitá-lo. Inútil dizer que não chego aos seus pés: foi melhor avô do que sou pai. Aos netos e netas, ainda bebês, pedia que lhes puxasse as orelhas e o nariz pronunciados: dizia-lhes que eram pequenos, que os fizesse ainda maiores. E sorria. Sorria. Sorria, sempre.</p>
<p>Nem a perda parcial da visão conseguiu-lhe tirar completamente a alegria – mas deixou de caminhar à beira-mar, porque era nas caminhadas que saudava os amigos e conhecidos e, sem reconhecê-los, não podia parar para a conversa amigável, o interesse sincero em ouvir, o sorriso de despedida e o augúrio de um novo reencontro. Tudo aquilo, enfim, que norteou sua longa caminhada em oito décadas.</p>
<p>Nos últimos dez anos foi o melhor amigo com quem contei. Me alegra tê-lo ouvido diariamente nesses anos. Me entristece saber que nos próximos não o terei do outro lado da sua mesa, em seu escritório, ou do outro lado do telefone. Volto a me alegrar quando percebo que sua lembrança – minha maior herança – jamais findará, por mais que eu a consume. Me alegra saber que ele nunca morreu e continua vivo, em mim, em meus irmãos, em minha mãe, em seus netos, nos seus futuros bisnetos e tataranetos e&#8230;</p>
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		<title>Mortes</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 15:06:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[

Tenho poucos mortos em mim. Devia estar contente, há quem os tenha em legião. O primeiro deles, minha vó, inaugurando a infância, a altura do caixão no centro da sala impedindo a visão da morte. A morte então era inalcançável. Cineastas já recriaram essa cena, romancistas já descreveram a situação, poetas versejaram a escuridão das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a rel="attachment wp-att-2782" href="http://www.marioivo.com.br/mortes/assoalho-linha_madeira1/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2782" title="Assoalho-Linha_Madeira[1]" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/Assoalho-Linha_Madeira1-425x424.jpg" alt="" width="425" height="424" /></a><br />
</strong></p>
<p>Tenho poucos mortos em mim. Devia estar contente, há quem os tenha em legião. O primeiro deles, minha vó, inaugurando a infância, a altura do caixão no centro da sala impedindo a visão da morte. A morte então era inalcançável. Cineastas já recriaram essa cena, romancistas já descreveram a situação, poetas versejaram a escuridão das tábuas de pinho. Só eu a vivi como a vivi. Numa manhã. Numa sala. Numa infância.</p>
<p>De outras mortes, meu avô, às vésperas do vestibular. Tão natural que se tenha ido que as dores não duraram muito.</p>
<p>Um primo, que morava no Rio, e tão logo chegou em Natal, um motorista irresponsável, quase cego, surdo, mudo, retardado, filho-da-puta, o matou. Moto. Meu primo andava de moto. Meu primo morava no Rio. E a morte não chegou tão perto.</p>
<p>Umas tias distantes.</p>
<p>Então, veio a morte do meu pai.</p>
<p>A orfandade não acaba nunca.</p>
<p>A orfandade não temina nunca.</p>
<p>Dela, nunca se sai.</p>
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		<title>A diverticulite de Lady Grafstein</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 18:27:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Vez em quando a gente se diverte na internet, não resta dúvida. Tanto, que às vezes esquece até do trabalho. Quer dizer, esquecer não esquece, mas atrasa, entre uma navegada e outra, um link e outro link, rayuela virtual, variações para violino e orquestra. Por exemplo: fui curiosar as mais recentes notícias sobre a atriz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2726" href="http://www.marioivo.com.br/a-diverticulite-de-lady-grafstein/amarela/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2726" title="amarela" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/amarela.gif" alt="" width="152" height="297" /></a></p>
<p>Vez em quando a gente se diverte na internet, não resta dúvida. Tanto, que às vezes esquece até do trabalho. Quer dizer, esquecer não esquece, mas atrasa, entre uma navegada e outra, um link e outro link, <em>rayuela</em> virtual, variações para violino e orquestra. Por exemplo: fui curiosar as mais recentes notícias sobre a atriz Lindsay Logan – digo, Lohan – fora das grades e terminei descobrindo que entre tanta gente no mundo existe uma senhora chamada <em>Betty Grafstein</em>.</p>
<p>Com esse nome e sobrenome, socialite, claro.</p>
<p>Nova York? Paris? Londres? Baixada Fluminense? Não. Não. Não. Não. A senhora Grafstein, sobrenome judeu, o que inspira, preconceituosamente, muito dinheiro, bem, a senhora Grafstein é portuguesa.</p>
<p>Pausa de alguns minutos pra chafurdar no google e congêneres. Não. Not. Desdigo-me, retifico-me. <em>Lady</em> Grafstein é inglesa, de nascimento. Como eu imaginava, o sobrenome é judeu mesmo e madame é podre de rica, viúva de um comerciante de diamantes e jóias e luxo, muito luxo. E sua empresa, a Grafstein Diamond Company, tem sede em New York, USA. Mas, como contraiu novas núpcias com um apresentador de tevê português – o nome não vem ao caso (a figura, sim, veja <a href="http://www.google.com.br/images?client=safari&amp;rls=en&amp;q=jose+castelo+branco&amp;oe=UTF-8&amp;redir_esc=&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;source=univ&amp;ei=qw9XTMn4C4KBnwf-38UT&amp;sa=X&amp;oi=image_result_group&amp;ct=title&amp;resnum=1&amp;ved=0CDAQsAQwAA&amp;biw=1610&amp;bih=835">aqui</a>) – madame Grafstein circula, roda e agita, no mundo social lusófono.</p>
<p>Foi <a href="http://aeiou.caras.pt/betty-grafstein-ja-teve-alta=f31796">no sítio</a> da <em>Caras</em> portuguesa, pois, pois, onde dei com a notícia, importantíssima:</p>
<blockquote><p><em>Betty Grafstein já teve alta.</em></p></blockquote>
<p>E, abaixo, no estilo peculiar da revista, transformando qualquer declaração banal em aforismos definitivos:</p>
<p><em>“Sinto-me bem.” (B. G.)</em></p>
<p>Onde B. G. está para, claro, Betty Grafstein.</p>
<p>(É uma bela frase para uma lápide, interrompo, entre parêntesis, para voltar ao caso.)</p>
<p>Que sucedeu a Betty Grafstein para ter alta e sentir-se bem?</p>
<p>Uma diverticulite aguda. Ou seja, uma inflamação no intestino grosso, como bem explica a revista dos ricos e famosos, preferida pelos remediados e anônimos.</p>
<p>Nesse momento, juro, eu corei. Não fica bem para uma dama da sociedade, mesmo que portuguesa, ser acometida por tal <em>ite</em>. Mas, depois, sem esconder um sentimento de vingança característico dos pobres, não de espírito, mas de posses, deixei aflorar nos lábios um sorrisinho besta. Então, madame  também tem intestino grosso, hein?!? E ainda mais, inflamado. Danadinha.</p>
<p>Noves fora as voltas que o intestino dá, o nutricionista de <em>Lady</em> Grafstein – o nome também não vem ao caso – já está ajudando-a a escolher “uma alimentação adequada ao seu estado de saúde”.</p>
<p>No que aliás obra muito bem.</p>
<p>Quanto a miss Logan – digo, Lohan – já está solta, embora numa clínica de reabilitação. Antes, esteve encarcerada numa penitenciária feminina de Los Angeles, onde – dizem <a href="http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/cultura/mat/2010/08/02/lindsay-lohan-sai-da-cadeia-vai-para-clinica-917294820.asp">as folhas</a> – “foi posta em cela isolada – para frustração dos editores de jornais sensacionalistas, que previam que ela seria atacada por gangues de lésbicas”.</p>
<p>Espantosa frase, esta: desde a “frustração” até as “gangues de lésbicas”. Coisa de provocar uma diverticulite.</p>
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		<title>Se hoje você estivesse em meus braços</title>
		<link>http://www.marioivo.com.br/se-hoje-voce-estivesse-em-meus-bracos/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 15:52:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Comecei a escrever um troço com esse título umas três vezes. Copiei, colei, cortei, aqui, ali. Ficou uma bosta. Com o perdão da palavra. Aliás. Bosta é uma das palavras mais injustiçadas da língua portuguesa. Talvez a mais espontânea. Tem um quê de antiguidade, também. Ninguém mais diz bosta, penso. O povo prefere dizer merda. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2700" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a rel="attachment wp-att-2700" href="http://www.marioivo.com.br/se-hoje-voce-estivesse-em-meus-bracos/il-fiore2-2/"><img class="size-full wp-image-2700" title="il fiore2" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/il-fiore21.jpg" alt="" width="590" height="420" /></a><p class="wp-caption-text">Il fiore delle mille e una notte, Pasolini, 1974</p></div>
<p>Comecei a escrever um troço com esse título umas três vezes. Copiei, colei, cortei, aqui, ali. Ficou uma bosta. Com o perdão da palavra. Aliás. Bosta é uma das palavras mais injustiçadas da língua portuguesa. Talvez a mais espontânea. Tem um quê de antiguidade, também. Ninguém mais diz bosta, penso. O povo prefere dizer merda. Que merda. Isto. Aquilo. Tal. Bosta é do meu tempo de menino. Adolescente. Pois. É isso. Vamos mudar de parágrafo.</p>
<p>Eu contava que tentava escrever um texto (falei “troço”, olha que sacanagem) com ares de amor romântico. “Se-hoje-você-estivesse-em-meus-braços” blá-blá-blá. Quer mais romântico do que isso?</p>
<p>A frase, condicional, me veio noite dessas, quando convidei uma moça pra sair e ela não me deu resposta. Ou me deu, nem lembro mais, mas assim, meio blasé. Ah, não dá, tal. Aí pensei com meus botões, ah, se hoje você estivesse em meus braços, tal. O que eu queria era isso mesmo, beijá-la, abraçá-la, aninhá-la em meus braços. Mas as meninas, parece, não querem mais ser beijadas, abraçadas, aninhadas, então, nem falar. Eu também, quase não uso botões.</p>
<p>Então. O mundo está virando um lugar impróprio para se viver, penso. Ao menos viver romanticamente. Daí a bosta toda do primeiro parágrafo e a dificuldade de destilar um textinho com ares sublimes, água com açúcar, flor de laranjeira.</p>
<p>Acontecem coisas boas também, inegável. Essa mesma menina, a encontrei, puro caso e acaso, beira-mar, o sol despencando lá por trás dos picos, o mar se tingindo de prata. O povo tava fumando um lá em cima, e eu, bebendo sangria desde as duas da tarde. Ela, na areia, embaixo. Tem um pescoço lindo, a menina. Molhou os pés na água do mar. Quando eu desci pro banheiro, ela estava lá. Quase não nos cumprimentamos. Eu não sabia quem era ela, direito. Nem sei o que ela sabe de mim. Eu, que sou eu, não sei, imagina ela. Mas não importa. O que importa, nesses encontros, é o olhar. Dura dois segundos, não mais, mas vale uma eternidade enquanto dura.</p>
<p>Uns dias depois, a vi num bar. Noite. Ela tava indo embora. Vestidinho preto. Linda. Eu fui atrás dela, literalmente atrás dela. Toquei com a ponta dos dedos a parte nua de suas costas, um certo receio. Não sou bom nessas coisas. Ela se virou como se tivesse visto a mão incerta tateando o ar antes de alcançar o seu breve instante de nudez. Eu perguntei, você é você mesma. Assim, um sinal do interrogação camuflado em exclamação ou reticências no final. Ela disse, eu sou algumas. Acho que foi isso, ela pode confirmar. Eu pedi pra ela ficar, eu estou sempre pedindo pra ela ficar. Mas ela está sempre indo embora. E falou, não posso, tenho que ir. Ela estava acompanhada, vou fazer o quê? Não, não era o namorado dela, penso. Enfim.</p>
<p>Esqueçam os nomes impróprios do primeiro parágrafo. Eu queria escrever um texto que dissesse, se hoje você estivesse em meus braços. Não foi hoje, quem sabe amanhã.</p>
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		<title>De volta pra casa</title>
		<link>http://www.marioivo.com.br/de-volta-pra-casa/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 14:52:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu volto sempre mais estranha do que fui.
Não carece informar a autoria da frase acima. Fiquemos só com a própria, emblemática, por dizer.
É de uma dama, isso é seguro. Se fosse varão, o autor, diria mais estranho do que fui. E mais feia, também, seria a frase. Leiam:
Eu volto sempre mais estranho do que fui.
Sentiram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2663" class="wp-caption aligncenter" style="width: 434px"><a rel="attachment wp-att-2663" href="http://www.marioivo.com.br/de-volta-pra-casa/sheltering_sky_5-2/"><img class="size-medium wp-image-2663" title="sheltering_sky_5" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/sheltering_sky_51-424x239.jpg" alt="" width="424" height="239" /></a><p class="wp-caption-text">The sheltering sky, Bertolucci, 1990</p></div>
<blockquote><p><em>Eu volto sempre mais estranha do que fui.</em></p></blockquote>
<p>Não carece informar a autoria da frase acima. Fiquemos só com a própria, emblemática, por dizer.</p>
<p>É de uma dama, isso é seguro. Se fosse varão, o autor, diria <em>mais estranh</em><strong>o</strong><em> do que fui</em>. E mais feia, também, seria a frase. Leiam:</p>
<blockquote><p><em>Eu volto sempre mais estranho do que fui.</em></p></blockquote>
<p>Sentiram a perda? As perdas? Falta élan, simpatia, charme, desassossego. Um macho ir e voltar <em>estranho</em> é de uma banalidade comum. A estranheza, nos homens, é antipática. Nada a fazer, nem a ver.</p>
<p>Agora, releiam:</p>
<blockquote><p><em>Eu volto sempre mais estranha do que fui.</em></p></blockquote>
<p>Sentiram o clima? O mistério? As gotas de Chanel N<sup>o</sup> 5 evaporando, sutis, na curvinha macia do pescoço?</p>
<p>Pois.</p>
<p>Isso.</p>
<p>Uma mulher, quando volta mais estranha do que partiu, é porque muito lhe sucedeu entre o chegar ao destino e o retornar às origens. Encanto. Mistério. Prazer. Dor. Tipo: uma viagem a Xangai. Tipo: uma aventura na Martinica. Tipo: uma fazenda africana.</p>
<blockquote><p><em>Eu tive uma fazenda na África, aos pés dos montes Ngong.</em></p></blockquote>
<p>Karen Blixen, <em>A fazenda africana</em>. Acima. Marguerite Duras, <em>O amante</em>. Abaixo.</p>
<blockquote><p><em>Muito cedo em minha vida ficou tarde demais.</em></p></blockquote>
<p>De propósito, não citei o Mekong na frase anterior – o exotismo não está no destino, mas na viagem, pois, interior. Vá lá. À flor da pele. Agora, sem mistério, nem distinção de gênero, quando volta-se, volta-se para aonde? Para casa. Sem mistério. Sem distinção de gênero. Mesmo jarro sobre o aparador. Mesmo canal na tevê, mesma disposição dos móveis na sala, mesma dobra do lençol na larga cama, quarto de dormir.</p>
<p>Pior ainda é quando se volta para ninguém. Casa vazia, exceção dos fantasmas.</p>
<p>Daí outro dia ter percebido uma obviedade: o ruim de morar sozinho é que não adianta nem ir à esquina comprar cigarros e nunca mais voltar.</p>
<p>Ninguém daria conta da nossa ausência.</p>
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		<title>A medida do frio é o desejo de calor</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 02:56:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nos Tristes Trópicos passar frio não chega a ser novidade.
Em Martins, RN, fazia um friozinho arretado quando eu era menino. Noite, então.
Também, e ainda menino, as matas de Garanhuns, PE, soltavam fumacinha pelas ventas quando eu e meu irmão saíamos pra flagrar o nascer do sol usando a velha Yashica do pai.
Embrenhando na adolescência, as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2630" href="http://www.marioivo.com.br/a-medida-do-frio-e-o-desejo-de-calor/drowning_by_pretty_angel/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2630" title="Drowning_by_Pretty_Angel" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/Drowning_by_Pretty_Angel-425x850.jpg" alt="" width="425" height="850" /></a></p>
<p>Nos Tristes Trópicos passar frio não chega a ser novidade.</p>
<p>Em Martins, RN, fazia um friozinho arretado quando eu era menino. Noite, então.</p>
<p>Também, e ainda menino, as matas de Garanhuns, PE, soltavam fumacinha pelas ventas quando eu e meu irmão saíamos pra flagrar o nascer do sol usando a velha Yashica do pai.</p>
<p>Embrenhando na adolescência, as ondas do Arpoador, Rio, RJ, eram altas, mas a água tinha cubos de gelo e agulhas espetavam nossos pés. O sol se punha por trás das montanhas. O chuveiro era a gás. Fósforos na ducha, chama no banheiro.</p>
<p>Mesma viagem e idade, os sanitários de Florianópolis, ilha, SC, eram tão gelados quanto o papel higiênico. A qualquer hora do dia, que as necessidades não têm horário.</p>
<p>Até no alto da duna de Genipabu, RN, muitos muitos invernos atrás, quando nem camelos nem dromedários balouçavam por lá, fazia um frio medonho. Enquanto a lua se esparramava no mar. Mas era uma gostosura enfiar os dedos por baixo da camisa da namorada e se aquecer em suas costelas quentes.</p>
<p>(São três, a propósito, os conselhos para enfrentar mais galhardamente o frio: 1. beijar na boca. 2. roçar os pés, os quatro, mas por baixo do cobertor, pra garantir. 3. enfiar os dedos por baixo da camisa dela e aquecê-los contando cada costela.)</p>
<p>De Goiânia, GO, a namorada, falei? Pois, tô falando. E não é à toa.</p>
<p>Noite dessas, noutro lugar que desta vez não revelo as coordenadas geográficas por pura vontade de não revelar, chovia. E alguém lembrou:</p>
<p><em>A chuva aproxima as pessoas.</em></p>
<p>Pois. O frio aproxima mais – ou ao menos mais intimamente. Já perceberam que basta soprar uma fresca que fica todo mundo orando por um cobertor de orelha? Um cobertor de orelha – dos bons – não se encontra assim fácil em qualquer esquina. Aliás, é remédio mais pra alma que pros ossos. O frio obriga – ou desculpa – dormir agarradinho. Abraçadinho. Apertadinho. Juntinho. Que tudo que envolve esse arrulhar amoroso é diminutivo. Carinhosinho.</p>
<p>Pois.</p>
<p>Daí a conclusão: a medida do frio é o desejo de calor. Então. Isso. Quanto mais se deseja calor, mais frio se sente.</p>
<p>Daí a sensação térmica não coincidir necessariamente com as latitudes. Eu, por exemplo: o extremo norte mais remoto que dei com os costados foi Estocolmo, SW (de Sweden, Suécia), inverno de mil e novecentos e.</p>
<p>Lá, certo dia, fomos pra floresta.</p>
<p>À beira da floresta tinha um lago. À beira do lago, árvores descomunais. Verdes, marrons. E um pierzinho, um trapiche, de madeira, num canto. Alguns metros atrás, uma cabana, também construída com madeira. E, dentro da cabana, uma sauna.</p>
<p>A idéia era se aquecer até não mais poder na sauna e disparar o corpo fumegante até o lago.</p>
<p>Assim, procedi.</p>
<p>Não se enganem: o frio não era na pele, nos músculos, nos ossos, no corpo. Era no cérebro. Milhões de dardos de gelo se enfiando por baixo do couro cabeludo e provocando uma dor de cabeça descomunal. Súbita.</p>
<p>Mas o que eu queria dizer era exatamente isso: não foi esse o maior frio. Não.</p>
<p>O maior, o mais gelado, o mais terrível, sobre o qual não havia forças nem casacos nem aquecedores nem fogo que desse jeito, foi durante o período em que percebi que a pessoa que estava ao meu lado, dormindo na mesma cama, já não me aquecia.</p>
<p>Nem eu a ela.</p>
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		<title>Convivendo com Seres Espaciais na Cordilheira dos Andes</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 15:05:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez você estranhe este convite tão singular – começa assim o email que me caiu, dia desses, mui apropriadamente, na caixa de spam.
Singular.
Tudo bem. Na falta de cartinhas de amor, bilhetes suicidas, convites pra jantar, qualquer coisa a gente traça.
(Você deve estar muito mal quando sobrevive lendo spams. Feito cão fuçando lixo. Só um comentário. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2613" class="wp-caption aligncenter" style="width: 434px"><a rel="attachment wp-att-2613" href="http://www.marioivo.com.br/convivendo-com-seres-espaciais-na-cordilheira-dos-andes/bowieroeg/"><img class="size-medium wp-image-2613" title="bowieroeg" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/bowieroeg-424x318.jpg" alt="" width="424" height="318" /></a><p class="wp-caption-text">David B. no filme de Nicolas R. The man who fell to earth, 1976</p></div>
<p><em>Talvez você estranhe este convite tão singular</em> – começa assim o email que me caiu, dia desses, mui apropriadamente, na caixa de spam.</p>
<p><em>Singular</em>.</p>
<p>Tudo bem. Na falta de cartinhas de amor, bilhetes suicidas, convites pra jantar, qualquer coisa a gente traça.</p>
<p>(Você deve estar muito mal quando sobrevive lendo spams. Feito cão fuçando lixo. Só um comentário. Entre parênteses. Voltemos ao dito:)</p>
<blockquote><p><em> &#8230; mas, creia ou não, por você ser uma pessoa especial, livre pensadora e diferente das massas alienadas (e você sabe disso),</em> <em>estamos lhe convidando a participar dos estudos e prática de Ensinamentos com bases Científicas, relacionados com a evolução e o desenvolvimento da Mente Humana, que recebemos de Seres Espaciais Irmãos em missão de ajuda à Terra e à Humanidade.</em></p></blockquote>
<p>Ufa. As últimas linhas são de tirar o fôlego. Mas. Primeiro: escrotinhos, os caras, sapecam três pretensos elogios encarrilhados e inda botam a cerejinha <em>e você sabe disso</em> pra adoçar a pílula e deixar o idiota salivando. Mas. Segundo: maravilha – onde eu assino a ficha de matrícula?</p>
<p>Não é bem um curso, mas um tal <em>plano do mental</em>, que me abrirá – prometem eles – uma infinidade de portas graças a igual número de <em>forças</em> adquiridas. Não informam em quanto tempo, nem prestações, mas a idéia é que, ao fim e ao cabo, eu me transforme em <em>um</em> <em>autêntico mago branco</em>.</p>
<blockquote><p><em>Você será instruído com fundamento num vasto acervo de conhecimentos acumulado durante mais de 30 anos por Pólo Noel Atan, um brasileiro que conviveu com Seres Espaciais Irmãos na Cordilheira dos Andes&#8230;</em></p></blockquote>
<p>Péra, péra. Um <em>autêntico mago branco</em>? Cordilheira dos Andes? Tirando Paulo Coelho e Harry Potter não existe nenhum autêntico mago branco. E com tanta Paris e Cancun no planeta, que danado foram fazer esses seres espaciais no frio dos Andes?</p>
<p>Tsc . Tô mais a fim não. Inda mais quando eles concluem:</p>
<blockquote><p><em>Está surpreso por lhe conhecermos no mais íntimo do seu SER? E por estarmos lhe convidando justamente agora em que está mais necessitando? E como foi que o encontramos? Pois fique tranquilo, Irmão, e alegre-se, pois no Plano em que atuamos (Mental), não há segredos, limites, tempo e nem distâncias. . . tudo é possível e você terá as respostas no seu devido tempo! </em></p></blockquote>
<p>Como diz uma quase-ex-amiga minha:</p>
<blockquote><p><em>Ã-ham, Cláudia</em>.</p></blockquote>
<p>Acho que vou responder a outro email: um agente do FBI me escreveu – a mim! – informando que eu estava sendo investigado, nem lembro por que, e solicitou meus dados. Ao menos era de Washington D. C. e não de um vilarejo perdido nos Andes peruanos.</p>
<p>A gente precisa saber em quem confiar.</p>
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		<title>As melhores amizades</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 21:50:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nunca na história deste país inventaram tantos dias comemorativos. É dia do rock, da mulher, da sogra, ainda hão de inventar o dia da compota em calda, de preferência em mês distinto daquele em que se festeja a uva-passa, pra não ter perigo de confundir. Hoje, por exemplo, criaram o dia do amigo. Hoje, não, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2586" href="http://www.marioivo.com.br/as-melhores-amizades/sunmaid23_ph_1916/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2586" title="sunmaid23_PH_1916" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/sunmaid1916.jpg" alt="" width="371" height="450" /></a></p>
<p>Nunca na história deste país inventaram tantos dias comemorativos. É dia do rock, da mulher, da sogra, ainda hão de inventar o dia da compota em calda, de preferência em mês distinto daquele em que se festeja a uva-passa, pra não ter perigo de confundir. Hoje, por exemplo, criaram o dia do amigo. Hoje, não, mas suponho que dia desses, não lembro da data ano que passou. E só faz um ano.</p>
<p>Pois, isso.</p>
<p>Dia do amigo.</p>
<p>Hoje.</p>
<p>Não liguei pra nenhum deles, não porque não os tenha, simplesmente porque amigo, amigo, de verdade, é feito de silêncios mais que palavras.</p>
<p>E se o leitor, a leitora, já pensa em desistir de prosseguir leitura, temendo – com toda a razão – que venha um arrazoado de lugares-comuns e filosofia de banheiro de boteco às quatro e vinte e cinco da manhã, prometo esforçar-me para não seguir triste destino.</p>
<p>Já dizia o senhor Maquiavel que é preferível manter os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda. Não foi Maquiavel? Hum. Shakespeare? Oscar Wilde? Desisto. Enfim, qualquer um desses de fama mais antiga que a última Lady Gaga.</p>
<p>O fato é que é a pura verdade – se é que a verdade comunga com a pureza, acho que não, mas, vamos lá. Não há o que se preocupar com os amigos – eles estão aí pra isso mesmo: pra sumirmos durante dias, meses, décadas, e pra nos receber de braços e orelhas abertas quando retornamos, semanas, anos, séculos depois. Amigo que é amigo desconhece relógios e calendários – a não ser para se tornar, como os vinhos e o passar dos anos, ainda melhor, melhores amigos. (Minha santa pieguice entronizada: comparar vinho e amizade é de uma pobreza franciscana. Perdão. De coração.)</p>
<p>Já os inimigos, meninos, meninas, atentos, atentas a eles. A lógica é lógica, pois: evita-se, assim, as más surpresas. Ademais – péssimo esse <em>ademais</em>, mas vamos lá, digo, aqui: ademais, manter os inimigos pertinho é como ter uma academia de ginástica em casa – além de tonificar os músculos, nos mantemos sempre em forma. Etc. etc.</p>
<p>(Já os amigos – atenção, minha amig<em>as</em>, a esse parêntese – são como ter uma massagista em casa, sempre prontas a um gel nos pés cansados e um cafuné no couro cabeludo. Na metáfora ou na real.)</p>
<p>Outra besteirinha quando o assunto é amizade é a recomendação popular de que melhores amigos não fazem negócios. Seria, então, espécie de premissa para a arte da amizade, os tais <em>negócios à parte</em>. Sei não. Se o negócio se limitar à conta em mesa de bar, acho que é mais que justo. Até pagar a conta toda, que para isso existe, pois, dinheiro. E amigos, na ausência do numerário.</p>
<p>Aliás, amigo é uma coisa, amizade é outra. E com esta, concluímos a última metáfora desta noite esplendorosa, a noite do dia do amigo:</p>
<p>Amigo é um beco com incontáveis saídas. Amizade é uma avenida larga com mão, contramão e mil e uma conexões para todas as estradas, todos os destinos do mundo, onde sempre haverá um amigo nos esperando. Inda que afobado:</p>
<p>– Caralho, que demora da porra é essa!? Vai te fuder, próxima vez não espero mais.</p>
<p>E viva o dia da uva-passa.</p>
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		<title>Ainda domingo</title>
		<link>http://www.marioivo.com.br/ainda-domingo/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 14:39:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quem não chora não mama, diz o ditado. E o bebê no colo da mãe.
Pois. Eu.
Tanto reclamei do domingo que pouco depois da hora regulamentar do meio do dia me cai dos céus sacra companhia para uma botelha de vinho que, logo, milagrosamente – sim, eu acredito em milagres –, converteu-se em duas e entrou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2573" href="http://www.marioivo.com.br/ainda-domingo/attachment/740/"><img class="aligncenter size-full wp-image-2573" title="740" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/740.jpg" alt="" width="385" height="385" /></a></p>
<p>Quem não chora não mama, diz o ditado. E o bebê no colo da mãe.</p>
<p>Pois. Eu.</p>
<p>Tanto reclamei do domingo que pouco depois da hora regulamentar do meio do dia me cai dos céus sacra companhia para uma botelha de vinho que, logo, milagrosamente – sim, eu acredito em milagres –, converteu-se em duas e entrou pela noite, adentro, afora, com direito a uns comes também, que nem só de bebes vive o homem.</p>
<p>Mas andei especulando, inda, sobre as agruras do domingo. Que não são poucas.</p>
<p>Por exemplo, algumas considerações:</p>
<p><strong>O domingo é a ressaca às avessas da segunda.</strong> Estilo <em>de volta para o futuro</em>, todo o sortilégio que o primeiro dia laboral da semana tem, como fama, é culpa do domingo precedente. É ele quem nos despeja em plena segunda-feira só o bagaço, restos, fadiga e desespero. Prova? Não há nada no imaginário popular contra as terças-feiras.</p>
<p><strong>Em domingo não nasce flor.</strong> Verdade absoluta. Não há evidência científica do caso, na botânica, como não há vida em outros planetas, muito menos em Marte. E marcianos.</p>
<p><strong>A única redenção para o domingo são os braços das amigas.</strong> Nenhuma alusão sexual à afirmativa, vos garanto. Até porque, como se verá mais abaixo, o domingo é assexuado. Mas as amizades, ao contrário dos amores, nos salvam, efetivamente. Também não há nenhum sexismo: enfatizo os braços das amig<em>as</em> porque, convenhamos, têm bem menos pêlos do que os dos amig<em>os</em>.</p>
<p><strong>Domingo é a repartição pública da semana.</strong> Às moscas, pois. E, mesmo que lotadas, pois: excesso de burocracia, falta de atenção, zelo. Muito trabalho por nada. Pouco ócio por coisa alguma.</p>
<p><strong>O domingo é mau-caráter.</strong> Já viu um domingo boa-pinta por aí? Ah, sim, claro que sim. Mas quem disse que boas-pintas têm bons caracteres? Então.</p>
<p><strong>Domingo, uma pinóia.</strong> Isso.</p>
<p><strong>Todo domingo é pardo.</strong> Não vou nem explicar. Entendam o que quiserem que o assunto cor é sempre pêlo no ovo.</p>
<p><strong>Em domingo não crescem arco-íris.</strong> Variação para o <em>Em domingo não nasce flor</em>. Verdade, pois.</p>
<p><strong>O domingo tem 12 horas. Todas terrivelmente iguais.</strong></p>
<p><strong>As noites de domingo têm pressa. Em se arrastar.</strong></p>
<p><strong>O domingo, todo ele, é um eufemismo.</strong></p>
<p><strong>Em domingo os amores fenecem.</strong></p>
<p><strong>As segundas são velórios, mas o enterro é no domingo. </strong>Mais uma assertiva comprovando <em>a ressaca às avessas da segunda</em>. Ou seja:</p>
<p><strong>O domingo troca os pés pelas mãos.</strong></p>
<p><strong>Em domingo se perde jogo.</strong> Se prende o dedo na porta. Se esquece as chaves do lado de dentro.</p>
<p><strong>Ninguém goza aos domingos.</strong> Domingo, nem punheta. Variação: <em>Nóis sofre aos domingos, mas nóis não goza.</em></p>
<p><strong>Em domingo não se lê Camões.</strong></p>
<p><strong>O domingo é um cão atropelado, uma mosca na sopa, pão dormido, saco de cola.</strong></p>
<p><strong>Em domingo não se usa camisa amarela.</strong> Nem calça listrada.</p>
<p>Por aí.</p>
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