Rápidas

23 de setembro de 2010


Rapidinhas I

Ah o suor no teu rosto, padaria espiritual, açougue.

Rapidinhas II

Vem a manhã e nos colhe ainda vestidos a caminho do mar.

Rapidinhas III

Tão difícil vem sendo a vida que é um alento descobrir que não falta pão nas padarias, carne nos açougues, flor nas campinas, roupa nos varais.

E sombras, na soleira.

Rapidinhas III Variation I

Tão difícil vem sendo a vida que é um alento descobrir que, na falta de pão nas padarias, há carne nos açougues, na ausência de flor nas campinas, roupa nos varais.

Enquanto as sombras, na soleira.

Rapidinhas IV

Nos entregamos ao amor porque ele nos dá uma idéia do desconhecido.

Ouvi em um filme do qual já me esqueci.

6 Já Comentaram para “Rápidas”

  1. Jarbas Martins disse:

    rapace !

  2. Jarbas Martins disse:

    Gostei de ler tuas rapidíssimas. Você é um poeta, gatuno de mão leve, capaz de enganar até o tempo, teu grande comparsa.Como Fernando Pessoa neste verso: “Fui-o outrora, agora”. Habilidade de gatuno como você, meu tapia.

  3. Jarbas Martins disse:

    Gostei especialmente da Rapidinha 1.Foi a que me fez refletir sobre a rapidez de tua dança poética.Você colocou lá umas vírgulas, coisas do canto falado, coisas de rapper.Necessárias. O ritmo sincopado do teu canto falado exige.Agora eu, mano, é que terminei dando um grande vacilo.Desastradamente coloquei, no comentário acima, uma vírgula no verso de Fernando Pessoa. Leia-se então:”Fui-o outrora agora”. Rapidez de um clipe de Carito.

  4. Eu disse:

    Vosmicê aprisiona palavras livres em uma frase da qual elas parecem não querer se libertar tamanha completude gozam ao se encontrarem. Parabéns mais uma vez.

  5. Jarbas Martins disse:

    E parabéns pra você também, Eu. Vá engaiolar, com rapidez, frase assim…

  6. Eu disse:

    Esse site não é seu meu caro Jarbas Martins, mas não poderia ignorar seu comentário. Posso afirmar que de onde saiu essa frase dá pra tirar pelo menos mais meia dúzia (talvez sacudindo a cabeça chegue até a uma dúzia) Rsrsrs. Brincadeira. Pura inspiração. Apesar de Mário Ivo ter acabado com minha páscoa no ano passado (vide blog Cidade dos Reis) adoro o que ele escreve e como escreve (não necessáriamente nessa mesma ordem). Bj.

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