Comentário do leitor Luciano Thuêi é tão bom, mas tão bom, que merece destaque:
Jornalista com um meio pra escrever é um tipo da sociedade que a gente tem de saber interpretar. E tome crítica à decoração, tome crítica aos textos do Auto e tome crítica.
Adorei a decoração, achei muito boa a ideia dos golfinhos, caracterizar os anjos com elementos que remetem à cultura nordestina, mais massa ainda. Mas pra uma parcela de pessoas que tem a internet como berço livre de opiniões, está tudo feio.
Tenho vergonha de ver que moro numa cidade que as pessoas não valorizam o que temos de bom, ou então se fazem de doidos pra poderem defender posições de provincianos que só enxergam o interesse próprio.
Esse universo psicodélico e de sonhos que foi criado nas ruas da cidade através de duendes, sóis, anjos e outros elementos dessa época do ano está sim bonito de se ver. Basta tirar os óculos provincianos que acinzentam o colorido do nosso natal. Da nossa Natal.
E se pode ser melhorado, que venham as melhorias no próximo ano. Que os jornalistas desta província, que são experts em opinião, tragam sugestões e mais sugestões de melhorias. E que a prefeitura, se achar coerente, que aceite essas sugestões.
Mas espero que ambos, jornalistas e prefeitura, não estraguem o natal daqueles que nesse época do ano, só tem esse colorido da cidade para admirar e sonhar.
Tenho raiva de intelectuais intectualoides.
Luciano achou massa tudo. Menos, aparentemente, que a internet seja um berço livre de opiniões – faz, aliás, um link interessante: para ele, só para essa parcela “está tudo feio”.
Também não gostou que os jornalistas sejam experts em opinião – deve ser daqueles que acreditam em isenção e almoço grátis. Acredita, também, nosso Tchuêi, em bruxas, corujas e pirilampos, sacis, fadas e, claro, duendes, anões de jardim, sóis de olhos vermelhos e anjos-de-cara-suja.
Luciano deve ter lido a crônica de Paulo Araújo no guia cultural Solto na cidade, que, com opinião garantida pelo espaço democrático e impresso, critica os “niilistas” que acham que as ruas estão sujas, as praias impróprias para banho e tudo é horrível na Capital Espacial do Brazil.
Luciano deve concordar com meu amigo Paulo Araújo, diretor de jornalismo da TV Ponta Negra, que recomendou aos artistas na “arte de falar mal”:
“– Vai para a África, para ver o que é bom!”
Nem precisa ir tão longe, Paulo, Luciano – na cidade dos quatro reis magos tem uma comunidade chamada África, assim batizada, imagino, pelos mesmos motivos que o jornalista recomendou um passeio ao continente negro: pra ver que a grama dos vizinhos d’além mar é mais cinza e esturricada.
Vamos então, psicodelicamente, fazer o jogo do contente, feito Pollyanas.
Eu, não. Me incluam fora dessa.
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Aliás, falando na comunidade da África, o projeto social Ilha de Música trabalha com crianças desde 2006. Iniciativa voluntária da produtora cultural Inês Latorraca e do maestro Gilberto Cabral, esse projeto de musicalização atende 60 crianças da África-Natal, entre os sete e os 15 anos de idade, que recebem aulas de flauta-doce, percussão, teoria musical, guitarra, bateria, canto, contrabaixo elétrico, piano e violão, além de aulas de informática e acompanhamento psicossocial.
Pois, não vai ser nem preciso atravessar a ponte (de todos) e ir até a África: próxima segunda, 21, a partir das 16 horas, no calçadão da Rua João Pessoa, algumas dessas crianças e adolescentes se apresentam. Vão tocar Wave, Asa branca, Vida de viajante e Palco, entre outras músicas conhecidas.
Uma ilha da fantasia, sim, mas real. E sem motivo pra ter vergonha.
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Em tempo: até onde eu sei, jornalista não é pra dar sugestão. Nem pra edulcorar a pílula. Isso fica para o marketing. Trabalho nos dois e sei fazer a diferença.

Nada a declarar sobre o texto. Tudo bem. O meu comentário é sobre essa palavra “edulcorar”. Eu nuca a li sem a companhia de “pílula”. Tem palavra que já nasce encangada noutra. Não serve para adoçar outra coisa. Num é?
pois até q serve, françois: fui consultar meu houaiss de papel e encontro único exemplo: “edulcorar o espírito para ouvir uma bronca” – grande abraço do seu leitor.