Nunca houve uma mulher como Agatha

14 de setembro de 2010

I read the news today oh boy: Agatha C.

[publicado com atraso de 1 dia.]

Vou tirar o pó dessas prateleiras virtuais antes que o sítio vire uma orgia de aranhas tecelãs. E escrever umas besteirinhas como sempre e tal. O mote, acabei de ler na caixa de emails. Próximo 15 de setembro – peraê, deixa eu ver quando é: depois de amanhã, depois de amanhã é sempre foda, mas tudo bem, hoje é hoje e tal. Bom, depois de amanhã, abre aspas, “o mundo comemora os 120 anos de nascimento de Agatha Christie, escritora que só perde para a Bíblia e para Shakespeare em vendas”, fecha aspas e. Então, é aquele papo, né? Primeiro deus, depois Wilma e Iberê, ou Rosalba e Zé Agripino, à escolha partidária do freguês. Não. Esse é o discurso que o povão tem na ponta da língua em campanha eleitoral. Eles – o povo, povão, povinho – assistem a si mesmos no famigerado guia eleitoral e aprendem feito papagaios a repetir o mesmo refrão. Então, voltando, que me disperso, primeiramente é deus, depois Shakespeare, depois Agatha Christie. Que a bíblia venda mais que coca-cola no deserto, xuxu na serra, disco da Xuxa, eu até acredito, mas que o bardo de Stratford-upon-Avon – acho lindo citar a aldeia do inglês – seja o segundo em vendas tenho lá minhas dúvidas, porque o mundo não é um rebanho de Clotildes Tavares, enfim, entretanto, porém, contudo, todavia. Agora, Agatha Christie é Agatha Christie, reconheço. E Harry Potter e Robert Langdon, convenhamos, nasceram ontem. Ou antes de ontem, o que também é foda, aliás, tudo é foda nessa vida que de eunuca não tem nada e o celibato é para quem acredita em gnomos. Me disperso, sim, que me disperso, mas voltemos, aliás, vamos até a data, setembro, 15, foda, depois de amanhã:

Neste dia, a L&PM Editores fará uma ação cultural especial em parceria com shopping centers da rede Ancar Ivanhoe, para comemorar o aniversário da Rainha do Crime.

Pois, numa “grande” ação de marketing (aspas do sobrescrito), a turma vai perder, esquecer, abandonar, largar – tudo propositadamente – livros de Agatha Christie (e sir Walter Scott?) em quatro shoppings do Brasil, meu – nosso – Brasil-brasileiro. Incluindo o Natal Shopping, que cobra três reais o estacionamento, mas isso é outro papo, como, aliás, tudo aqui. Quem achar, um livro, não se faça de rogado: achado não é roubado, leve pra casa o mimo, que, espera-se, contenha em suas páginas alguma historinha com o belga Hercule Poirot – as da minha preferência. Claro. Li muito Agatha Christie na infância e adolescência e sempre preferi Poirot a outros personagens da autora, incluindo aí Miss Marple, que associava a apple, maçã. Poirot era careca e usava bengala e chapéu coco – ou ao menos era assim que o imaginava. Chato, ranzinza, velho, solteirão, o detetive ficava sempre pê da vida com aqueles que o achavam francês enquanto, em verdade, era belga de nascimento e orgulho. Nunca entendi por que seria melhor ser belga do que francês. E só muito depois entendi que era muito melhor ser Raymond Chandler do que Agatha Christie. Mas enquanto durou, foi grande minha paixão pelos livros daquela senhora, cento e vinte anos depois de amanhã. Foda.

Um Já Comentou para “Nunca houve uma mulher como Agatha”

  1. soraia disse:

    enquanto nadava eu já andava mesmo conjecturando: onde está wally?

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