No country for old (wo)men

12 de março de 2013

Emmanuelle Riva, mon amour I

Emmanuelle Riva, mon amour II

Não se recomenda a ninguém Amour, amor.

Quem quiser que encare.

Por conta e risco.

Risco de gostar, risco de desgostar – sempre haverá um risco no Amor e em assistir Amour, de Michael Haneke, com Jean-Louis Trintignant e a excepcional Emanuelle Riva, oitenta e cinco anos quando o filme foi lançado, ano que passou.

(O excepcional aí atrás, atentem, incautos, não é adjetivo gratuito e à toa e refere-se, também, à beleza – excepcional, mais uma vez – da octogenária.)

Trintignant, pra quem não lembra, é outro das antigas, estava com Brigitte Bardot em E deus criou a mulher (1956), com Anouk Aimeé em Um homem, uma mulher (1966), com Irène Jacob em A fraternidade é vermelha (1994) – e pra ninguém pensar que ele faz par apenas com as musas, as divas, as gatas, tal, está fantástico, também, ao lado de Vittorio Gassman numa Lancia Aurelia B24 Spider em Il sorpasso (1962), de Dino Risi, que não lembro como foi lançado aqui pelo Brasil mas que merecer estar numa daquelas listas de [sic, aspas] altamente recomendável.

Já Emanuelle Riva basta dizer que era – é, continua sendo – a atriz principal de Hiroshima, mon amour, o clássico, cult, bam-bam-bam, de Alain Resnais, década de 1950 e lá vai fumaça. (Chupa, Jennifer Lawrence – quem mesmo?)

Não à toa o casal protagoniza um filme que perdeu, sem perder a ternura jamais, três das quatro indicações ao tal Oscar – melhor filme, diretor, atriz – e levou a estatueta – pois – de melhor filme em língua “estrangeira”.

Mais estrangeiro impossível.

Melhor perda não há.

Amour não é somente a história de dois velhinhos que chegam à velhice juntos e daí só resta sair pro abraço da Caetana e ponto – final.

Amour é o cinema envelhecido caminhando com dificuldade na contramão dos corredores dos shopping.

Sem manteiga na pipoca.

Sem pipoca – aliás.

Sem choro, nem vela, nem fita, branca, amarela.

Sem coreografia na comissão de frente, sem firulas, sem piruetas, sem adereços, sem glamour, mimimi, dramalhão, pieguice – e, mais importante, sem se valer de musiquinhas baba-ouvido embaladas por aquele senso de olha só como sou original e escuta só o que desencavei das profundas dos 1950, 1960, 1970. (Chupa, Tarantino.)

O curioso é que, de tão aparentemente banal, de tão supostamente banal, de tão absurdamente banal, de tão verdadeira e simplesmente banal, Amour termina prendendo a atenção de (sei lá, nove) (vá lá, oito) – enfim, de meia dúzia de gatos pingados entre dez incautos que entraram no cinema confiando numa comédia romântica ou num dramalhão edulcorado. Por que Amor, né, pela lógica dos multiplex só pode dar nisso mesmo, choro carcomido, riso idiotizado. Ao contrário desse outro Amour, que deixa um gosto de sabão na boca e uma perguntinha banal – quem vai nos dar banho e trocar as fraldas quando não formos mais capazes de?

2 Já Comentaram para “No country for old (wo)men”

  1. Lindão:
    Este filme deveria ser impróprio para 60 anos
    beijo MEmilia

  2. Johnny Cavia disse:

    Rip Johnny now but only the last apearance:
    Volcano, filme islandês. Vale ver e comparar com ‘Amour’.

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