Não deu

28 de janeiro de 2011


O caso Ruby, ou Bunga Bunga, está rendendo muito e em plena democracia italiana, imersa, segundo consta, naquele território geográfico consagrado como primeiro mundo.

Começou ano passado quando uma certa Karima El Mahroug [aka Ruby, pois], marroquina de nascimento mas com uma longa – em que pese seus 18 aninhos – vivência na Itália, foi presa e logo liberada graças a uma intervenção direta do próprio Berlusconi.

De lá pra cá, pelo noticiário e pelas investigações da Justiça italiana, parece que o presidente não fez outra coisa senão sexo, com uma, sexo, duas, sexo, sexo, três, sexo, sexo, sexo, dezenas de modelos, sexo ad infinitum, acompanhantes, prostitutas, mulheres e – eis a questão onde pode definitivamente naufragar – menores de idade.

O Brasil, claro, não poderia escapar: com nome e sobrenome já apareceram ao menos duas participantes das festinhas presidenciais (onde o hit, pois, era o tal Bunga Bunga), mas dizem que são muito mais – algumas descritas como “putinhas provenientes das favelas cariocas, que mal falam italiano”.

Abaixo, o relato de uma das meninas de Berlusconi, identificada apenas pela letra N, 21 anos incompletos:


Aquela noite, 6 de janeiro de 2011, éramos umas vinte meninas no jantar, muitas estrangeiras. Todas receberam presentes, uma bolsa e jóias. Eu ganhei um bracelete, suponho que de ouro, e um anel combinando com o bracelete. Estava o presidente, [o jornalista] Emilio Fede e o cantor napolitano Apicella… Aris me disse que se eu fosse ao jantar, o presidente me daria dinheiro. Eu perguntei quanto, e ela me disse que ao menos mil euros, ou quem sabe muito mais. Depois do jantar, o presidente disse “Agora vamos todos dançar na discoteca”. Também usou o termo Bunga Bunga, mas eu não sabia o que isso significava. Enquanto dançávamos, o presidente e Emilio Fede permaneciam sentados, assistindo. Algumas das meninas faziam strip-tease e, em seguida, aproximavam-se do presidente, que tocava seus seios ou outras partes íntimas ou as nádegas. Eu não fiquei à vontade, porque sou tímida e, por isso, não fiquei nua, nem me deixei tocar pelo presidente. Eu sabia, através de Aris, que as meninas recebiam do presidente envelopes contendo dinheiro. Aris me confidenciou que tinha recebido muitas vezes alguns desses envelopes por ter ido para a cama com o presidente. Mas me disse, também, que ir para a cama com o presidente era estressante. Estressante porque, segundo ela, demorava muito, porque o presidente tinha relações sexuais não só com Aris, mas com outras mulheres ao mesmo tempo. Eu sabia o que poderia acontecer comigo, ou seja, ter sexo com o presidente na presença de outras mulheres. Eu estava preparada psicologicamente, mas assim que cheguei fui tomada pela minha timidez. Depois, ao vê-lo pessoalmente, e apesar de todo o dinheiro que eu poderia ganhar, sinceramente, não deu. [N.]


[No vídeo, Iris Berardi, de origem brasileira, produto – por que não dizer? – de exportação, e uma das Bunga Bunga.]

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