Muito além da manteiga, as lágrimas

3 de fevereiro de 2011

Maria S com Jack N em Profissão: repórter

Morreu Maria Schneider.

Levou para o túmulo a fama e um certo ranço, por ter, em vida – e muito provavelmente após a morte – sua imagem associada à famosa e famigerada “cena da manteiga”, em O último tango em Paris (Bertolucci, 1972). Protagonistas, ela, Marlon Brando – no auge de sua maturidade –, e o pote de margarina, pois.

Há uns três, quatro anos, em uma entrevista, soltou os cachorros contra a dupla de machos, Bertolucci e Brando.

A cena de manteiga? Foi uma idéia de Marlon Brando. E Bertolucci só me disse o que eu tinha que fazer pouco tempo antes de girar a cena. Me enganaram. Eu quase fui estuprada, aquela cena não estava no roteiro. A princípio, recusei, fiquei com muita raiva. Mas, depois, eu não pude dizer não. Eu deveria ter chamado meu agente, ou meu advogado, porque você não pode obrigar um ator a fazer algo que não está no roteiro. Mas na época eu era muito jovem, e não sabia disso. Então, eu fui forçada a submeter-me ao que considero ter sido uma verdadeira violência. As lágrimas que você vê no filme são verdadeiras. São lágrimas de humilhação.

Mas nem só de lágrimas e manteiga e sal foi a carreira da atriz. Trabalhou também com outra lenda do cinema, o senhor Jack Nicholson (em Profissão: repórter, 1975, de Antonioni), e deu uns passinhos pela música, gravando e interpretando canções do italiano Lucio Battisti (com o mais que brega Cristiano Malgioglio). Que pouca gente ouviu e ninguém – muito justamente (o troço é de chorar) – se lembrará.

R.I.P.

Um Já Comentou para “Muito além da manteiga, as lágrimas”

  1. lissa disse:

    que pena, soube lendo aqui.

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