Muita prosa, pouco verso

17 de junho de 2009

PROSA&VERSO
Não sei se os leitores e as leitoras perceberam, mas, desde que retornei, substituindo a interina Sheylinha Azevedo (sempre bom e sempre tempo de agradecê-la novamente), que mudei minhas “regras” para os quadradinhos PROSA e VERSO, nos dois cantos inferiores da coluna.
Agora, invés de variar livros e autores como sempre fazia, dedico a inteira semana a um único livro e autor – para a prosa – e a um único poeta e vários poemas (que podem ser de livros diferentes) – para os versos.
PROSA&VERSO II
Assim, a semana passada foi do italiano Pirandello e do nosso saudoso Luís Carlos Guimarães. E a retrasada de Italo Svevo e Napoleão de Paiva. E esta, de James Joyce (não do “Ulysses”, que nunca li, mas pegando frases do “Giacomo Joyce”, Iluminuras, 1999) – já os versos são todos de Cesare Pavese, colhidos do belo “Trabalhar cansa”, lançado este ano pela Cosac Naify, em refinada e indispensável edição.
PROSA&VERSO III
Antes, nas frases, nos versos, eu procurava refletir algo existente no texto principal ou nas notas. Agora estou despreocupado dessa relação, que pode ou não existir.
O que importa é que os livros e autores podem inspirar no leitor uma lembrança antiga ou a busca na livraria mais próxima.
Afinal, ler é ainda um dos maiores prazeres do mundo.
E como outro grande prazer, dá para praticá-lo em qualquer lugar: na cama, no sofá, no banheiro, na rede.
CAÇADA
“Se a satisfação da leitura produzir conhecimento, ótimo. Mas este não é meu objeto de leitura. Não troco o direito de viver por nenhuma caçada de sabedoria.” – de François Silvestre, no anteprólogo do seu último livro, “Remanso da piracema”, que vai na contramão da moda reinante e não tem lançamento oficial nem oficioso. Mas que já está nas melhores livrarias e bancas de revista da City.
PROMOÇÃO
Milena Azevedo, a sócia, a gerente, a manda-chuva, enfim, da Garagem Hermética Quadrinhos, está hoje no famigerado Mercado de Petrópolis (com ou sem forró pé-de-serra), das 15h às 21h.
Arrume uma grana na real porque desconto de verdade só à vista (sem custar os olhos da cara).
ROSA
Começa hoje e vai até sábado o seminário internacional “A teoria política de Rosa Luxemburg”, promoção do CCHLA da cinquentona UFRN.
Nada a ver com a Rosa de Mossoró, claro – mas nem por isso o evento deixa de ser menos “internacional”: participam ao menos dois nomes gringos (Michael Löwy, da École de Hautes Etudes en Sciences Sociales, e Eleni Varikas, da Université Paris VIII) – chique no último, pois não, se é certo usar o termo quando se trata da Rosa de Luxemburgo, assassinada há 90 anos por motivos políticos.
Além da presença ilustre de Isabel Loureiro (Instituto Rosa Luxemburg) e do professor Gabriel Vitullo, da “nossa” UFRN.
(Sobre a revolucionária Rosa, escreveu Loureiro no sítio do Instituto: “Seu maior desejo sempre foi unir política e felicidade individual — desejo que cala fundo no coração das mulheres.”)
Para quem quiser participar, é de grátis: www.cchla.ufrn.br/rosaluxemburgo.
CHARLOTTE
Charlotte Gainsbourg – o resultado da cruza entre Jane Birkin e Serge Gainsbourg – grava seu quarto álbum. O queridinho dos modernetes de uma época, Beck, participa.
Pra quem não lembra, Charlotte tinha 13 anos quando gravou um dueto com o pai numa faixa pra lá de polêmica – “Lemon incest” – onde os versos diziam “o amor que nunca faremos juntos”.
CULT COLT
Ôps! A notícia não tem nada demais, mas é no mínimo estranha: agora, quem quiser se inscrever no Cadastro Municipal de Entidades Culturais (CMEC) não precisa mais apresentar o atestado de antecedentes criminais.
Mas a certidão negativa de débitos e tributos municipais continua obrigatória.
Ou seja, dever não pode.
Mas, mas, mas – não que o crime compense, nem que “tá tudo dominado” – mas impossível não relembrar a máxima: “Quando eu ouço a palavra cultura, eu saco meu revólver.”
Sem o CMEC, ressalte-se, não se pode propor projeto para a Lei Djalma Maranhão.
COCO
A festa junina da AABB chama atenção pela presença – além do forró, das barracas de pescaria e de canjica e pamonha – do embolador Manoel do Coco. Vai ser na sexta, 19.
FOTO
O IDEMA propõe concurso fotográfico sob o tema “Unidades de Conservação e Monumentos Geológicos do RN”. Inscrições até o 31 de julho.

PROSA
“Aqueles dedos frios calmos tocaram as páginas, sujas e puras, em que meu pudor há de arder para sempre.”
James Joyce
Giacomo Joyce
VERSO
“Nós deixamos pra trás a mulher, e na aurora / cada coisa sabia daquilo que tínhamos: / calma, ruas e o vinho.”
Cesare Pavese
“Mediterrânea”

2 Já Comentaram para “Muita prosa, pouco verso”

  1. Alex de Souza disse:

    O nome pode ser gringo, mas o Löwy é paulista.

  2. mario ivo cavalcanti disse:

    pois

Deixe um Comentário