Mangaio

16 de outubro de 2009


A tal da Cultura, por estas ribeyras, grassa. Basta ver os nomes dos bares e restaurantes – Cervantes, (Dom) Vinicius, Jobim, Neruda. Basta ver as colunas sociais – travestidas de políticas – com citações eruditas. Até um shoppinzinho, que nunca deu certo, se renovou agora mudando o nome para Casablanca.

Uau. Uau. Uau. Se botarem uma estátua de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman no pátio vai ser o máximo. E eu não esqueço que “Casablanca” – o filme – foi todo rodado em estúdio, léguas distante do Marrocos. Mais fake do que isso, impossível. Bem a cara do Arraial, onde as aparências sempre enganam.

Uma maravilha.

Feira de livro, também tem de ruma. Às vezes chama-se “encontro” (como na Capital), às vezes “festa”, ou “festival”. De Mossoró a Pipa, multiplicam-se, mais esplendorosas que as xananas nos canteiros centrais, defendidas, por lei, pela nossa (mais minha que de vocês, claro) brava vereadora, Julinha Arruda.

Pois, agora tem mais uma – em Caicó, onde mais? na Ilha de Santana, onde mais?!

É a primeira edição da Feira do Livro do Seridó, de 29 de outubro a 1° de novembro.

Promete, como todas as outras, valorizar a Cultura potyguar. Mais: “difundir a riqueza da literatura, proporcionar o encontro entre leitor, personagens, autor e obras literárias”. Ainda: “discutir técnicas, apreciar significados, incentivar o hábito da leitura”. Acabou? Não. “Enaltecer a cultura impressa” está no rol das boas e melhores intenções.

Do jeito que vai o pessoal do prêmio Nobel se muda pra cá, num desses vôos fretados, sedentos de Civilização. (Por falar nisso, onde andam os escandinavos que pipocavam por este litoral, nádegas do Elefante Sem Memória?)

Desta feita, a Feira de Caicó tem, digamos, um plus a mais: uma “disposição natural” para revelar novos talentos e prestigiar os autores já consagrados.

A escolha do local foi justificada pela “intensa valorização da cultura sertaneja” e suas tradições e diversidade. (Eu devo estar louco, porque, coço, coço os olhos e não consigo enxergar consagração nenhuma, valorização alguma, quanto mais “intensa”.)

Entre os Grandes Nomes programados, por enquanto, tem Gabriel, “O Pensador”, Fabiano dos Santos (diretor Nacional de Livro, Leitura e Literatura do MinC), Tarcísio Gurgel e Vicente Serejo.

Os dois últimos eu conheço. Valem realmente à pena. Mas será que um dia vão batizar algum bar ou shopping ou mall, nesta Cidade tão Cultural?

*

Marginal herói

Hoje, 15h30, no Consecão (UFRN), o Cinesophia exibe “Querelle” (safra 1982). Inspirado em Jean Genet, dirigido por Fassbinder, com Jeanne Moreau no elenco e cenários de Andy Warhol, filmaço.

Ar

Hoje, Valéria Oliveira faz show de lançamento da turnê e do CD “no ar”, acompanhada de Rogério Pitomba (bateria), Paulo de Oliveira (baixo), Jubileu Filho (guitarra e vocais) e Gilberto Cabral (sopros).

Na Casa da Ribeira, 21h, R$ 15.



Satisfy my soul

Hoje, jornalistas e tais serão paparicados pela produção do MADA – Música Alimento da Alma – durante o lançamento da edição 2009: a começar pelas “comidinhas servidas”, preparadas pela chef Sannyle Faraj. Para fazer jus também ao nome do festival, o DJ Gabriel Souto e o coletivo Lombo Jambo (Paulo Souto e Anderson Legal) dão conta do som ambiente.

No café da livraria, 3º piso do Midway, das 19h às 21h30.

Florípedes

A Jogê Lingerie (no Natal Shopping) já começou a vender (ao preço de R$ 60) os ingressos para “Dona Flor e seus dois maridos” – no caso, pra não deixar dúvida nenhuma, os maridos são Vadinho (Marcelo Faria) e Theodoro (Duda Ribeiro), criações do baiano Jorge Amado, claro. A Flor? Fernanda Paes Leme.

Informa o release: “Enquanto Vadinho é devasso, imoral e irreverente, Dr. Theodoro Madureira é metódico e controlado. Mesmo com características tão antagônicas os dois encantam a professora de culinária, Flor, que vive intensamente cada amor a seu tempo.” – não ao mesmo tempo, enfatizo.

De 20 a 22 de outubro, no TAM, 19h (sessão extra dia 21).

Gisele

Gilberto é mais conhecido como Gisele – transexual, fã de Maria Callas e que sonha em mudar de sexo.

Poderia ser real, mas é um dos personagens de “Vidas divididas”, peça de Maria Adelaide Amaral, dirigida por Marcos Paulo. Ou seja: tudo muito global, incluindo o ator Henri Castelli.

Pra quem gosta, amanhã e depois, no TAM, 21h.

Herança

Por apenas R$ 1 (um real) confira a apresentação do Duo D’Amore (Osvaldo e Ticiano D’Amore, pai & filho, mais Raphael Bender), no Som da Mata do domingo próximo. Parque das Dunas, 16h30.

Antes, 10h30, leve seus filhos para se divertirem com a dupla de palhaços Espaguete & Ferrugem (ingressos, também, a R$ 1).

Prosa

“Toda palabra que nos viene de otro no puede ser más que palabra del pasado.”

Edmond Jabès

Un extranjero con, bajo el brazo…

Verso

“Meu sonho, eu te perdi; tornei-me em homem.”

Vinicius de Moraes

“Elegia quase uma ode”

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