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	<title>Mario Ivo</title>
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	<description>Jornalista</description>
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		<title>Tudo sobre Verônica</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 20:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Verônica morreu.
Me avisam por email.
Um email que eu preferia não ter lido.
Ou que não precisasse ter sido escrito.
Mas eu li o email.
E alguém escreveu o email.
Onde a morte de Verônica aparece. Não em letras garrafais. Não em negrito, sublinhado, marcado de vermelho.
Verônica morreu e nem mereceu um itálico. Ou aspas. Ou colchetes.
Ou neon. Ou fogos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-3470" href="http://www.marioivo.com.br/tudo-sobre-veronica/humm-what-default-lines/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3470" title="humm-what-default-lines" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/humm-what-default-lines-425x331.gif" alt="" width="425" height="331" /></a></p>
<p>Verônica morreu.</p>
<p>Me avisam por email.</p>
<p>Um email que eu preferia não ter lido.</p>
<p>Ou que não precisasse ter sido escrito.</p>
<p>Mas eu li o email.</p>
<p>E alguém escreveu o email.</p>
<p>Onde a morte de Verônica aparece. Não em letras garrafais. Não em negrito, sublinhado, marcado de vermelho.</p>
<p>Verônica morreu e nem mereceu um itálico. Ou aspas. Ou colchetes.</p>
<p>Ou neon. Ou fogos de artifício. Ou caracteres góticos.</p>
<p>Sua morte aparece no meio de uma frase da qual não me lembro, mas sei que li. Em algum lugar, em algum dos emails que abarrotaram minha caixa de mensagens no último fim de semana. Talvez entre o release de um órgão público qualquer e o de um restaurante da moda. Qualquer.</p>
<p>Morta Verônica, morro um pouco também eu.</p>
<p>Mas dura apenas alguns minutos, essa falsa morte minha. O tempo de quase chorar, de travar a garganta, de palpitar o coração, de esquentar o córtex e recordar sua presença em minha casa, manhãs de segunda, onde fazia a faxina semanal e onde apareceram os primeiros sinais do tumor que lhe tiraria a vida e obrigaria alguém a me noticiar sua morte num email que preferia não ter lido.</p>
<p>Verônica cuidava de mim, entre uma varrida e outra, entre um pano de chão e outro, entre um banheiro lavado e outro.</p>
<p>Cuidava de um modo que só ela poderia cuidar. Essa namorada ainda não é quem o senhor merece, seu Mário, me dizia. E eu – que nunca gostei que me tratassem de senhor – gostava ainda mais de Verônica porque seu tratamento formal era uma prova de amor mais que fraterno. Ou quase maternal. Ou de tia.</p>
<p>Tinha uma voz quente, Verônica. Uma voz que mal se alterava quando eu – que tinha pedido, rogado, implorado, pra que ela não mudasse as coisas do lugar (e Verônica sempre mudava as coisas do lugar) – ligava pra ela e perguntava, meio puto, Verônica, cadê aquele papel assim, assado, que estava em cima dos discos na sala? Ou, Verônica, um livro tal, capa vermelho e azul, onde foi parar, Verônica? Aí ela se enrolava toda e dizia que ia pensar e que ligaria quando lembrasse.</p>
<p>Quase nunca Verônica lembrava, ou era eu quem quase sempre achava o perdido antes da sua ligação, descobrindo na verdade que o papel, o livro, não estava onde eu pensei que tivesse deixado.</p>
<p>Um injusto, eu, com as vagas lembranças de Verônica.</p>
<p>Foi para o hospital e eu nem me abalei em visitá-la, porque achava que ela voltaria logo e tudo correria bem e não havia motivos pra preocupação. Depois, quando percebi que meu otimismo era irreal, não tive tempo, mesmo, de ir lá, e pensei, não, ela não precisa de mim, outros amigos podem acudi-la.</p>
<p>Que filho-da-puta, hein, seu Mário?</p>
<p>Não. Verônica nunca falaria assim. Tinha um calor em sua voz e nenhuma palavra negativa. Eu gostava de conversar com Verônica, de me abrir com Verônica, de ouvir suas histórias de vida, seus conselhos. Verônica me alimentava de conselhos – quase todos bons, porque simplesmente desinteressados, simplesmente simples. Vez ou outra trazia goma e me fazia tapiocas. Um cafezinho, seu Mário? Aparecia na porta do escritório no exato instante que, sim, eu queria um cafezinho. E dizia, o senhor precisa comer – e me cortava frutas. O senhor devia fumar menos – e ela mesma acendia um cigarro. Porque Verônica era assim: imperfeita – e mais perfeita do que eu; contraditória, mas bem mais coerente do que eu. Amiga – e muito mais amiga do que eu fui.</p>
<p>Agora, morta Verônica, fico eu aqui, pretenso vivo, suposto sobrevivente, suspeito de sempre, procurando sanar de algum modo minhas falhas com Verônica. Minha lacunas com Verônica. Eu poderia encher páginas e mais páginas com tudo que sei sobre Verônica, mas a verdade é que Verônica era muito maior do que tudo que eu sei sobre ela.</p>
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		<title>cascáveis</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 23:38:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[watch?v=YzUkvQ1sG6s&#38;feature=related
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=YzUkvQ1sG6s&amp;feature=related">watch?v=YzUkvQ1sG6s&amp;feature=related</a></p>
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		<title>De chuvas e temporais</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 00:53:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Não choveu por seis dias, na canção de Lloyd Cole and The Commotions. Jodie usou um chapéu, então. Parecia Eva Marie Saint em On the waterfront, Sindicato de ladrões, Elia Kazan, 1954. Lá pras tantas, Edie Doyle, ou seja Marie Saint, diz pra Marlon Brando, isto é, Terry Malloy: “Stay away from me.” Na verdade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3461" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><a rel="attachment wp-att-3461" href="http://www.marioivo.com.br/de-chuvas-e-temporais/mbdonth-ec044/"><img class="size-medium wp-image-3461" title="MBDONTH EC044" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/Annex-Brando-Marlon-On-the-Waterfront_07-425x313.jpg" alt="" width="425" height="313" /></a><p class="wp-caption-text">Saint, Brando, On the waterfront, 1954</p></div>
<p>Não choveu por seis dias, na canção de Lloyd Cole and The Commotions. Jodie usou um chapéu, então. Parecia Eva Marie Saint em <em>On the waterfront</em>, <em>Sindicato de ladrões</em>, Elia Kazan, 1954. Lá pras tantas, Edie Doyle, ou seja Marie Saint, diz pra Marlon Brando, isto é, Terry Malloy: “Stay away from me.” Na verdade ela diz: “I want you to stay away from me.” E o moço: “I want you to stay <em>it</em> <em>to</em> me.” E ela – não Jodie, mas alguém a quem Jodie parece –, enfática: “Eu não disse que não te amo, mas que <em>stay away from me</em>.”</p>
<p>Eu misturo, não à toa, as línguas.</p>
<p>Há diferenças no que se diz numa língua, e o que se diz noutra língua.</p>
<p>Há diferenças no que se escreve, e no que se diz.</p>
<p>Há diferenças, acreditem, no que se fala, com a voz, e o que se anuncia, com o corpo.</p>
<p>Um beijo, um olhar, uma carícia de pele, o toque do meu dedo em teu antebraço, o modo como minha coxa cruza a tua coxa e nos recolhe num novo ser, sem começo, meio, fim.</p>
<p>Há diferenças, e eu aposto todas fichas nessa roleta, entre desejar e não desejar. Ou, entre desejar ardentemente e apenas querer.</p>
<p>Ou, entre dizer <em>Não te amo</em> e <em>Fique longe de mim</em>.</p>
<p>Se não for pra atravessar o deserto por que diabos eu desejaria ficar com você? Se não sou capaz, se não me permito cruzar vales e desfiladeiros, pontes queimadas e mares tempestuosos, infernos ardentes, paraísos medonhos, de que vale o meu desejo de atravessar a minha coxa sobre a tua coxa e nos perder nesse começo, meio, fim, não necessariamente nessa ordem?</p>
<p>Há diferenças entre apostar todas as fichas e arriscar uma merreca qualquer. Há diferenças entre debruçar todo o corpo sobre o abismo por cima da murada ou apenas espiar, sobrolho pensativo.</p>
<p>À distância, não alcanço teu corpo, tua coxa se perde em meio ao temporal, náufragos distantes, nos perdemos, nos distanciamos.</p>
<p>E a estrada se bifurca, em uma, duas, que se bifurcarão em mais duas, quatro, seis, mil, até que o mundo se torna tão grande como quando não nos conhecíamos. Como quando não chovia por seis longos, infinitos dias.</p>
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		<title>– Meu irmão</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 22:39:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem. Ontem foi aniversário do meu irmão. Eu tenho dois irmãos e uma irmã. Mas quando me refiro a algum deles, a qualquer um dos dois, os com cromossomas X e Y, eu digo apenas assim:
– Meu irmão.
Sei lá, deve ser porque cada um deles é único e dispensa explicações, e porque, mesmo tendo eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3456" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><a rel="attachment wp-att-3456" href="http://www.marioivo.com.br/%e2%80%93-meu-irmao/discos-2/"><img class="size-medium wp-image-3456" title="discos (2)" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/discos-2-425x298.jpg" alt="" width="425" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">Interior da Discomania, centro de Natal, por mim mesmo, tempo em que fazia fotos, batia retratos</p></div>
<p><strong>Ontem</strong>. Ontem foi aniversário do meu irmão. Eu tenho dois irmãos e uma irmã. Mas quando me refiro a algum deles, a qualquer um dos dois, os com cromossomas X e Y, eu digo apenas assim:</p>
<p>– Meu irmão.</p>
<p>Sei lá, deve ser porque cada um deles é único e dispensa explicações, e porque, mesmo tendo eu nascido depois de todos, antes de mais nada – antes de cada um ser filho, pai, marido, profissional etc. – antes de tudo cada um deles é meu irmão.</p>
<p>Por isso eu digo, assim, sem citar nomes:</p>
<p>– Meu irmão.</p>
<p>Porque quando eu falo de um eu falo de todos. Porque existe em nós essa herança que vai além da genética e nos acomuna e nos comunga.</p>
<p>Ter e ser irmãos é tudo na vida e algo mais. Quem tem, sabe. É como ter pais da mesma idade. Ou quase da mesma idade.</p>
<p>Esse meu irmão nasceu dois anos antes de mim.</p>
<p>Reza a lenda que ele me expulsava do colo materno, ainda não acostumado a dividir carinhos.</p>
<p>Sem traumas. Quando crescemos, ele soube muito bem dividir carinhos, com os outros irmãos, com os “irmãos de rua” (que era como um vizinho nos definia, várias turmas de irmãos de idades diferentes, dividindo, compartilhando a rua, porque, naquele tempo, lugar de criança era na rua), com os amigos em comum, com as namoradas, amores, simpatias.</p>
<p>Esse meu irmão é um dos melhores contadores de piada que conheço. Saca aquele tipo de piada que nos desperta um sentimento muito mais de alegria e felicidade suprema do que apenas de puro e simples riso?</p>
<p>Pois.</p>
<p>Mas trauma mesmo eu tive quando – por esses mistérios que separam garotos quase da mesma idade em grupos diferentes – voltando a pé pra casa dei de cara com meu irmão numa nova turma: era a época dos blocos de carnaval e ele estava entrando em um. Eu não tinha idade pra isso, e fiquei de fora. Tão triste quedei que cruzei a rua pra não encarar de frente o que enxerguei como uma brutal separação. Estávamos em grupos diferentes. Eu era criança, ele adolescente. Ele começaria a sair à noite. Sem mim. Ele começaria, discretamente, a beber. Sem mim. Ele começaria a conhecer novas pessoas. Sem mim. E eu no máximo seria “o irmão de fulano” – mas sem a importância e a realeza que tem o parentesco quando antecedido pelo pronome possessivo.</p>
<p>– Meu irmão.</p>
<p>O tempo, senhor da razão etc. apararia essas arestas e logo estaríamos juntos, dividindo noites, bares e ruas. Comigo. Porque, no quesito livros &amp; discos, sempre compartilhamos os mesmos gostos. Desde sempre. Comigo.</p>
<p>Então, um dia antes do seu aniversário, ontem, antontem, sei lá, ele me enviou um email, intitulado “lembrança-luz”. Falava de um disco que dei de presente pra ele, <em>Long distance voyager</em>, do Moody Blues. A capa, uma ilustração representando um teatro de bonecos inglês ao ar livre, toda em tons azuis. Era um disco azul. E, lá em casa, na nossa casa da infância e adolescência, havia um quarto “de som”: um quarto usado apenas pra ouvir música. Um tocadiscos Gradiente. Um amplificador CCE. Tape deck Akai. Caixas Polyvox. Pilhas de revista <em>Pop</em> e <em>Somtrês</em> e algumas americanas de surf. Almofadas. Colagens espalhadas. E o piso do quarto todo azul.</p>
<p>Como era mágico esse azul em nossa casa.</p>
<p>Ele escreveu sobre esses azuis e concluiu:</p>
<p>– Gosto de me lembrar disso&#8230;</p>
<p>– Meu irmão.</p>
<p>Também eu gosto de me lembrar disso, de recordar tudo isso, de ter certezas na vida. De ter irmãos.</p>
<p>E se escrevo tudo isso, às vezes um pouco confuso, às vezes um pouco certeiro, não é apenas porque quero me desculpar por ter faltado ao seu aniversário estando tão próximo e sem desculpas de viagem, <em>voyagers</em>, distâncias etc. É porque gosto de me lembrar disso.</p>
<p>Gosto de lembrar quando, mais de uma década atrás, eu fui fazer uma importante e simbólica mudança, para mim, deixar o apartamento-casa em San Lorenzo, Roma, para o Viale di Donna Olimpia, Monteverde, Roma, e fui até uma loja de discos, a Disfunzioni musicali, e comprei, pra ele, o <em>Watch</em>, da Manfred Mann’s Earth Band.</p>
<p>Gosto de lembrar quando ele comprou o disco de O Peso. E o dos Novos Baianos. Ou quando eu trouxe de uma viagem o <em>My life in the bush of ghosts</em>. Ou como foi importante, num verão, ouvirmos juntos o <em>Breakfast in America</em>. Ou “School” no toca-fitas do carro do nosso tio, com o nosso primo, uma tarde. Uma única tarde.</p>
<p>Ou como uma vez, eu – ou ele, que tanto faz – escrevemos – ou citamos, que tanto faz – que <em>sempre haverá em nós esse dito, não-dito</em>. Esses silêncios íntimos.</p>
<p>Gosto de lembrar quando, em Natal, noutro ano e ocasião, propositadamente, por razões que só interessam a nós dois, comprei um livro de poesia russa, porque não queria, naquele aniversário, dar discos.</p>
<p>Gosto de lembrar de algumas fotos: eu e ele jogando futebol na praia; eu e ele no jardim de casa com um barquinho a vela.</p>
<p>Gosto de lembrar quando, miraculosamente, fizemos o trajeto Pirangi-Ponta Negra-Pirangi num barquinho a vela, de verdade, maior do que aquele da foto.</p>
<p>Ou como, uma vez, no metrô de Nova York, uma solidão dos diabos, enxerguei entre os bancos vazios alguém incrível e magicamente parecido com esse meu irmão como era quando adolescente: cabelos revoltos, de uma brancura e uma magreza poética, um certo ar de desajeitamento e alheamento, um olhar de poeta que ele sempre foi.</p>
<p>Um olhar de irmão que ele sempre é.</p>
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		<title>&#8220;Asterio Polyp, thanx&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 16:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Você sabe que já conheceu dias melhores – em verdade noites melhores, em verdade madrugadas melhores – quando o garção, ou seu preposto, um tipo gordinho e suado, deposita sobre a mesa três copos tipo geléia-de-mocotó-Colombo cheios de um vinho escuro e licoroso (e que depois descobrirá dulcífico demais).
Você sabe que já chegou ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_3445" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px"><strong><a rel="attachment wp-att-3445" href="http://www.marioivo.com.br/asterio-polyp-thanx/polyp/"><img class="size-medium wp-image-3445" title="polyp" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/polyp-425x616.jpg" alt="" width="425" height="616" /></a></strong><p class="wp-caption-text">David Mazzucchelli </p></div>
<p>Você sabe que já conheceu dias melhores – em verdade noites melhores, em verdade madrugadas melhores – quando o garção, ou seu preposto, um tipo gordinho e suado, deposita sobre a mesa três copos tipo geléia-de-mocotó-Colombo cheios de um vinho escuro e licoroso (e que depois descobrirá dulcífico demais).</p>
<p>Você sabe que <em>já</em> chegou ao fundo do poço – em verdade fim do mundo, em verdade fim da estrada – quando vislumbra, em cada um deles, flutuando, boiando, galeando, uma pedrinha de gelo médio formato, única coisa semitransparente a brilhar, a tilintar, a contar carneirinhos no breu da noite, madrugada, fim do mundo, fim do poço, beira de estrada.</p>
<p>Você sabe que nem tudo está perdido quando, de um automóvel, lá longe, desce moça, impávida, sem reticências o seu andar atento e forte no rumo do braseiro onde os churrascos tipo felidae ardem em brasa, mora. Pergunta de cigarros. A churrasqueira, uma tipa gordinha e suada, indica com o dedo lugar possível, o braço voleando no ar, exibindo sovaco por fazer, e a moça, impávida, sem reticências retorna seu andar forte e atento no rumo do automóvel onde olhos brilhantes e curiosos a esperam.</p>
<p>Você sabe que tudo está perdido quando da mesa vizinha sopra que nem odor nauseabundo ao vento uma conversa inspiradora de medos. E Fulano de Tal? Preso. Pausa pra bebericar a cerveja aparentemente gelada. Matou dois na Zona Norte, polícia parou numa blitz, deu flagrante. Pausa pra acender cigarro do maço amassado. Brincadeira. Fulano não é capaz de matar uma mosca. Mas a imagem de Fulano, assassino serial a soldo e cano quentes, já se formou na noite, digo, madrugada escura, ajudando a derreter um pouco mais o cubinho de gelo do copo da esquerda, depois o da direita, por fim o do meio, numa sinfonia visual de detalhes.</p>
<p>Você sabe que tudo está, sim, definitivamente perdido, irremediavelmente perdido, quando novos copos chegam à mesa – ainda no geléia-Colombo-style – acompanhados de O inconfundível cheiro de baratas. Assim. No singular-plural. Boca da garrafa, pois. E muita reza e dar de ombros, porque a noite, porque a beira de estrada, porque o posto de gasolina mergulhado em sombras temerosas, porque as nuvens no céu aberto, porque o canteiro de obras abandonado, porque o fundo do poço e a pouca luz no fim do túnel, por quê.</p>
<p>É muito dezembro pra pouco dezembro, pensou.</p>
<p>Refresh, uma porra, pensou.</p>
<p>A arte de não escrever, pensou.</p>
<p>Três dias antes, três dias depois, cavalo alado branco, pensou, relembrando as moedas do I Ching.</p>
<p>Conta-gotas. Surrupiando isqueiros. Dois, três, no fundo do bolso. Um verde, um amarelo, um grená, numa sinfonia de cores e plástico.</p>
<p>Você sabe que – não, você não sabe nada, mas se dá conta que os porres são homéricos porque voltar pra casa é uma odisséia eterna e a cegueira a única forma de visão possível.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fui &#124; Kaváfis, Konstantinos</title>
		<link>http://www.marioivo.com.br/fui-kavafis-konstantinos/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Sep 2011 17:22:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui
em busca de volúpias que em parte eram reais,
em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;
fui em busca da noite iluminada.
E bebi então vinhos fortes, como
bebem os destemidos no prazer.
[tradução de José Paulo Paes]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3441" class="wp-caption aligncenter" style="width: 434px"><a rel="attachment wp-att-3441" href="http://www.marioivo.com.br/fui-kavafis-konstantinos/chi-704-2/"><img class="size-medium wp-image-3441" title="CHI-704" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/CHI-7041-424x424.jpg" alt="" width="424" height="424" /></a><p class="wp-caption-text">Vivian Maier</p></div>
<p><strong>Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui</strong></p>
<p><strong>em busca de volúpias que em parte eram reais,</strong></p>
<p><strong>em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;</strong></p>
<p><strong>fui em busca da noite iluminada.</strong></p>
<p><strong>E bebi então vinhos fortes, como</strong></p>
<p><strong>bebem os destemidos no prazer.</strong></p>
<p><em>[tradução de José Paulo Paes]</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Riot days</title>
		<link>http://www.marioivo.com.br/riot-days/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 04:09:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamulá, sem essa de inspiração e ou transpiração. Vou me obrigar a escrever algo. Dispenso a seqüência natural “que preste”. Vou escrever porque senão né? a gente entra num marasmo, espiral do desencanto e é preciso reagir. Também deixemos de lado os diários de adolescente tardio e o rosa-bebê dos consultórios sentimentais. Nada de autobiografias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3429" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a rel="attachment wp-att-3429" href="http://www.marioivo.com.br/riot-days/london-riot-004/"><img class="size-full wp-image-3429" title="London-Riot-004" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/London-Riot-004.jpg" alt="" width="500" height="334" /></a><p class="wp-caption-text">Kerajaan Rakyat Photos</p></div>
<p>Vamulá, sem essa de inspiração e ou transpiração. Vou me obrigar a escrever algo. Dispenso a seqüência natural “que preste”. Vou escrever porque senão né? a gente entra num marasmo, espiral do desencanto e é preciso reagir. Também deixemos de lado os diários de adolescente tardio e o rosa-bebê dos consultórios sentimentais. Nada de autobiografias em pílulas. Nem tatibitates. Há de se proceder mais ou menos como os londrinos nos últimos três dias que abalaram as jóias das coroas – mais aquelas das vitrines chiques: pegar com a mão nua uma pedra, seixo rolado, paralelepípedo, e tascar na primeira vidraça que encontrar pela frente, de preferência com algo de valia ou serventia pra enfiar no bolso, com a outra das mãos, que por enquanto são sempre no máximo duas, e sebo nas canelas, porque, sim, sou antigo, de quando pra correr muito se ensebava os cambitos. Pique.</p>
<p>Ponto.</p>
<p>Pronto.</p>
<p>Isso eu escrevi outro dia. Acho que no início da semana. Que, em se tratando desta, passou como uma nuvem em formato de gafanhoto, carneirinho ou elefantinho pelos céus plúmbeos. O gafanhoto, o carneirinho, o elefantinho entraram aqui tão gratuitamente quanto o plúmbeo pintando o céu. Quer dizer, tava no plural, mas tudo bem.</p>
<p>Tudo bem.</p>
<p>Escrever é um troço complicado. A gente passa o tempo escrevendo para os outros, a pagamento, que esquece – ou cansa – de escrever pra nós mesmos. Casa de ferreiro, espeto de pau, reza o dito. Tarde dessas estive com Dom Augusto Lula e Walter Carvalho num hotelzinho à beira-mar, Via Costeira. O céu, tarde, também estava pra lá de plúmbeo e o Imperador Augusto queria ouvir de Carvalho suas histórias quando da filmagem de <em>Boi de prata</em>, o único, talvez, clássico potyguar. De um cinema que não houve e nunca será e tal. Walter tinha esquecido quase tudo do filme – mas não das filmagens. Queria revê-lo. Não existem cópias disponíveis. Não gravamos e ele danou-se a falar. O bom de Walter Carvalho é que ele fala muito mais dos diretores que admira do que de si próprio. Não vou me alongar sobre a conversa, que rendeu horas, enquanto o Brasil apanhava da Alemanha no LCD do restaurante. Carvalho esteve em Budapeste, pra filmar o homônimo de Chico Buarque. A história de um ghost writer que tem duas histórias, dois países, duas vidas, duas mulheres. Aquele papo do doppelgänger. E contou sobre as locações, de como encontrou na cidade a estátua ao escritor anônimo, o que, imagino, resume um país de leitores.</p>
<p>E mais não falo porque não tô a fim.</p>
<p>Invés, vou pegando umas anotações que fiz no celular – coisas assim:</p>
<blockquote><p><em>Que mundo é esse que você inventou para que eu me perdesse?</em></p></blockquote>
<p>A fala, penso, deve ser de Nicole K em <em>Moulin Rouge</em>. O filme não é lá esses baratos todos, mas tem umas frasezinhas, umas sacadinhas, umas coisinhas, enfim, geniais. Tipo:</p>
<blockquote><p><em>The greatest thing you&#8217;ll ever learn is just to love and be loved in return. </em></p></blockquote>
<p>Tá.</p>
<p>Acho justo.</p>
<p>Hoje. Hoje recebi uma carta da minha caçula. Começava assim (no cabeçalho, “meu querido papai”, em letra caprichada e tinta azul):</p>
<blockquote><p><em>Pai, tem amo do fundo do meu coração.</em></p></blockquote>
<p>E terminava assim:</p>
<blockquote><p><em>Beijos, te amo, tanto, tanto, mil tantos.</em></p></blockquote>
<p>Mil tantos.</p>
<p>Fundo do meu coração.</p>
<p>Querem que eu comente? Não, não vou comentar.</p>
<p>Outro dia (estamos no terreno da tal escrita espontânea, o que vier na cabeça), o senhor me apontou a porta aberta no fundo do corredor. No fundo do túnel tem uma luz, disse, sorrindo. No fundo do poço, também, devolvi o sorriso.</p>
<p>Isso foi outro dia. Hoje, depois da festinha do papai, fomos ao velho e clássico McDonald’s. A mocinha do drive thru tomou um susto quando me viu. Parece aquele cantor, e cortou a frase ao meio – ou no começo ou no fim, sei lá. Que cantor? (eu, curioso). Aquele, que canta em Recife – e citou título de música de gosto na mira certeira do duvidoso e ambíguo. Isso é bom ou ruim? (eu, no jogo). Ele é <em>presença</em>. Falou. É bom, é bom. Concluiu. E me devolveu o cartão e o comprovante.</p>
<p>A conta deu quarenta e sete e alguma coisa.</p>
<p>A comida foi entregue no guichê seguinte.</p>
<p>O bonequinho azul do Smurf, também.</p>
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		<title>Agradecemos a gentileza</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Aug 2011 19:23:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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O melhor café-da-manhã de Natal, já disse – e se não, pouco importa, digo agora, amanhã, não sei – está na City Pão, Rua João Pessoa, Centro. Nem tanto pela excelência da culinária, apresso-me em esclarecer, mas pelo ambiente. E pelas pessoas. Os habitués do lugar. As meninas da Riachuelo estão sempre lá. As de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-3426" href="http://www.marioivo.com.br/agradecemos-a-gentileza/2622french_bread/"><img class="aligncenter size-full wp-image-3426" title="2622French_bread" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/2622French_bread.jpg" alt="" width="700" height="466" /></a></p>
<p>O melhor café-da-manhã de Natal, já disse – e se não, pouco importa, digo agora, amanhã, não sei – está na City Pão, Rua João Pessoa, Centro. Nem tanto pela excelência da culinária, apresso-me em esclarecer, mas pelo ambiente. E pelas pessoas. Os habitués do lugar. As meninas da Riachuelo estão sempre lá. As de outras lojas menos famosas, também. O melhor horário é antes das oito, nos dias da semana. Hoje, como em todo sábado, pode-se chegar mais tarde que sempre gente diferente há de se ver. Hoje, por exemplo – ou nem tão exemplo assim – tinha um grupinho de quatro, todas da Riachuelo. Uma irmandade. Estilo. Nem feias, nem bonitas, nem falantes, nem silenciosas. Nem descrentes, nem crentes. Estavam ali porque dali a pouco iam trabalhar e pegar no pesado requer uma dose de cafeína, uma torrada com queijo ou pão assado com ovo e queijo de coalho. Uma delas tinha um relógio masculino dourado no pulso. As meninas acreditavam no amanhã, talvez. Porque amanhã, domingo, quem sabe praia, urbana, suburbana, um namoro, um paquera, acenos do futuro melhor.</p>
<p>Hoje, sábado, lá estava eu. Minha terapia própria. Na parede de cerâmicas mais ou menos brancas, o cartaz: “Atenção. Comunicamos que atendimento só no balcão. Agradecemos a gentileza.” O rapaz entroncado, célere nos demais dias quando lá aporto antes das oito, hoje estava&#8230; quase zen. Esfregava um paninho miúdo nos vidros das gôndolas, borrifava um líquido qualquer, antes, e toque a esfregar, a esfregar, depois. Outro, diligente, sem ser chamado, surgia vez em quando por entre as mesas e também tascava seu paninho. Conheço poucos restaurantes que fazem o mesmo.</p>
<p>Também conheço poucos restaurantes tão caóticos, nem tanto pela disposição das mesas, todas fincadas no chão, mas por esse excesso de cerâmicas e rejuntes cinzas espalhados por toda a parte. Um vão só, profundo, sentando nas últimas mesas o cliente há de contemplar um pedaço da rua emoldurado por um quadrado imperfeito e as pessoas mais próximas à entrada todas em contraluz. Surreal. Tanto, quanto a gentileza das mocinhas que atendem. Um terço de educação, um terço de rispidez, mais um terço de loteria: a de hoje, por exemplo (que saco, esses exemplos), foi antipática, seca e dura, até o momento em que acenei um cafezinho e me perguntou toda – ou quase toda – derretida se poderia anotar na comanda a despesa extra.</p>
<p>É claro, meu bem. Não, não falei. Estava mais entretido em desvendar como o casal da mesa ao lado conseguia superar o italiano do Veneto, dele, com o português – irreconhecível enquanto origem geográfica – dela. Cada qual montado em sua própria língua, no entanto, pareciam se dar bem. Ah, o amor sem fronteiras.</p>
<p>Sei que ela perguntou como ele conseguia ter ombros tão largos, costas tão fortes, mas não ouvi a resposta porque outro rapaz entrou desviando atenção. Seria politicamente incorreto descrevê-lo como uma “bichinha marombada”? Pois, já disse. Óculos dourados, camiseta apertadinha, cabelo de corte&#8230; sei lá&#8230; diferente. Afetada. Entediada. Deve ter tomado todas na noite anterior e, claro, como as mocinhas da Riachuelo, precisava reforços alimentares. Eu também. Além dos reforços alimentares, precisava dessa autoterapia, auto-ajuda que só o City Pão me oferece nas manhãs insones.</p>
<p>O mais surreal é que, enquanto tudo isso sucedia, ecoava na minha cabeça os acordes da Patife Band: “Você faz tudo pro teu bem, meu bem.”</p>
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		<title>Quadrilha</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 19:19:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Monteiro Lobato era racista.
Tá.
Céline era um escroto.
Ok.
Polanski estuprou mesmo a boyzinha.
Beleza.
Bukowski era um bêbado, Pasolini queimava a rosca, Burroughs deu um tiro na cabeça da mulher, Saramago não acreditava em deus, Vargas Llosa é de direita, Cascudo foi integralista, Pavese e Mishima se mataram, Bishop e Stein (e Sontag) curtiam uma xereca, Hitchcock e Ed [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3420" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a rel="attachment wp-att-3420" href="http://www.marioivo.com.br/quadrilha/spiralen/"><img class="size-full wp-image-3420" title="spiralen" src="http://www.marioivo.com.br/wp-content/uploads/spiralen.jpg" alt="" width="360" height="287" /></a><p class="wp-caption-text">Escher, Spiralen, 1953</p></div>
<p>Monteiro Lobato era racista.</p>
<p>Tá.</p>
<p>Céline era um escroto.</p>
<p>Ok.</p>
<p>Polanski estuprou mesmo a boyzinha.</p>
<p>Beleza.</p>
<p>Bukowski era um bêbado, Pasolini queimava a rosca, Burroughs deu um tiro na cabeça da mulher, Saramago não acreditava em deus, Vargas Llosa é de direita, Cascudo foi integralista, Pavese e Mishima se mataram, Bishop e Stein (e Sontag) curtiam uma xereca, Hitchcock e Ed Wood se vestiam de mulher, Laerte ainda se veste de mulher, Mattoso é tarado por pés e tem glaucoma, Borges calou diante dos generais argentinos, Gainsbourg fumava Gitanes, Fellini traía Masina, Crumb desenha a si mesmo enrabando mulheres gordas, Lee Lewis casou com uma menina de 13, Mapplethorpe morreu de aids, Nava era enrustido (e se matou), Barreto escreveu o <em>Diário do hospício</em> no hospício, Wagner nem te digo, Riefenstahl era assim com Goebbels, Sabino escreveu a biografia da ministra, Gandhi abandonou a esposa, Hilst anotou: “Deus é porco.”</p>
<p>Bom.</p>
<p>Falta só dizer que Paulo Coelho estaciona em fila dupla.</p>
<p>E na Suíça.</p>
<p>Então, tá.</p>
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		<title>verso, prosa, 25.4.11</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 12:42:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mario Ivo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Frases]]></category>

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