Atire a primeira pedra quem não cometeu um deslize com a língua pátria.
Sou o primeiro a descansar o seixo no chão.
Mas.
Um arranhãozinho aqui, cicatriz mínima e imperceptível ali.
E tudo nos trinques.
Mas tem gente exagerando. Cento e quarenta e quatro é o numero da besta. E o twitter sua terra prometida. No ritmo sôfrego que vai, daqui a pouco totalmente devastada.
Feito aquela, de Gengis Khan – que, por onde passava, com sua tropa de mongóis, nenhuma grama mais brotava.
O twitter e seus seguidores parecem desconhecer a dúvida. O que me levou a perguntar, dia destes: por que as pessoas insistem em escrever “mais” quando o que pretendem, realmente, é dizer “mas?
Ainda elenquei algumas alternativas: a) questão de sotaque; b) burrice; c) não tão nem aí.
Acho que vence, disparado, a letra cê. (Que, por sinal, apresenta o verbo numa conjugação contraída – estão, ‘tão. Antes que me apontem o dedo. Mas isso é questão de estilo, bebês, gostem ou não, proposital. Consciente.)
Então, ninguém tá [de novo] nem aí. Ninguém está muito preocupado com detalhes. Ninguém tem dúvidas sobre como escrever. Se nem o Google salva, não é de se esperar que recorram ao Houaiss ou que velho Aurélio gentilmente abra suas páginas e os acuda. E os salve.
Trocar mas por mais é grave. Muito grave.
Podem até achar que estou exagerando. Não. Estamos nos acostumando mal, perdoando esses delitos de lesa-língua. Pra piorar, inventam de mudar o que nem aprendemos em séculos de má educação. Como o danado do hífen.
Outro dia, uma senadora da República Federativa do Brasil, tuitou: “agora a pouco”.
E um jornalista diplomado, ou um diplomado jornalista: “o contrato saiu a trinta dias”.
Errar é humano – reconheço. Trocar “há” por “a” é outra coisa.
Nem coisa inculta e bela, como queria Bilac, nem esplendor e sepultura.
Apenas ganga impura.


Caro Mário Ivo.
Evoé!
A coisa anda mal, aqui na “Esquina”!
Conheço jornalistas – ditos “culturais”, não toco nem nas cronistas sociais -, físicos, poetas, blogueiros, tradutores, doutores, até, que fazem misérias.
Teimam, por exemplo, em misturar (mal) o infinitivo do verbo “dar” com o subjuntivo (“dá”) e vice-versa – “uma derrota total”, diria minha avó Celsa.
E aquele colunista de cultura (Sérgio Vilar) que, há poucos dias, sapecou, “poeticamente” a frase: ” o tempo corre feito cometa e nem consigo alcançar a CALDA”?
Arre todas as éguas anduluzas deste mundão!
Abraço,
Laélio Ferreira
Caro blogueiro,
Parabéns pela chamada. Bacana! Faço parte da tribo dos deslizes e, no presente, ando ainda mais atrapalhada com os desdobramentos da reforma ortográfica. Acho que seguindo a máxima do círculo das nossas dependencias pós tudo, assistiremos a substituição do Ghost Writer pelo Personal Writer (melhor às claras, né?!).
Mário Ivo, meu bom:
Saravá e ogunhê!
Pronto! Eu bem que disse.
Vosmecê já me chamou de “irritadiço” e sou, fique certo – eu e Othoniel!
Menos de 24 horas depois da minha queixa, Sérgio Vilar tem uma recaída do tamanho de um bonde, desta feita sobre o pênis (saudoso), a paloma, do armorial professor Ariano Suassuna. Veja só, ipsis litteris:
“Informes, comentários e desculpas
– De prima, minhas desculpas pelo erro grosseiro, claramente de falta de atenção, nas primeiras linhas do lide da matéria publicada hoje no Diário de Natal. Quis escrever “com toda a pompa”. Saiu – já imaginaram, né? – “com toda a pomba”. Desnecessário explicar que desconheço em grau, gênero e tamanho o membro sexual do escritor Ariano Suassuna. Daqui a pouco publico a matéria neste blog, com a devida correção e vocês entenderão do que falo.”
Cáspite!
Arrepiado todo, mando um abraço respeitoso.
Laélio Ferreira de Melo
O jornalista citado por Laélio dias desses tascou um “…foge à minha ossada…”.
Juro por Padre Miguelinho, eu li!