Embaralhando as notícias

5 de agosto de 2009


Das notícias que li ontem, vou ficar com o caso da esposa americana que se juntou a duas das cinco amantes do marido, levou-o a um motel, colou o bilau do sujeito na barriga (com cola tipo superbonder), deram-lhe uns tapas e escaparam, levando o carro do coitado, mais celular, documentos e 200 pratas.

Precisa contar mais?

Precisa não. Vamos pra outra, então: artista britânico leva um fora e decide se desfazer de tudo em exposição intitulada “Liquidação de uma vida”. Essa vale uns esclarecimentos a mais: como o carinha tem a idade de cristo (33, para os analfabetos religiosos), decidiu vender tudo por 3.333 libras cada lote de – suponho eu – quinquilharias. Tem uns quadros, claro, mas também badulaques, potes, panelas e até cartas. Sabidinho o rapaz. Se vender tudo (e tem quem compre tudo), amealha 109 mil libras, o que equivale a mais de 300 mil reais. E depois? Depois vai pra Toscana, na Itália, destino preferencial de americanos, ingleses e alemães entediados, “se encontrar”. Ah, tá bom. Tá bom nada: tá ótimo.

Mais uma: estréia amanhã, no Festival de Teatro de Edimburgo (Scotland), “Words of honour” (“palavra de honra”), quatro monólogos inspirados nas coisas de Cosa Nostra, isto é, nos mafiosos italianos. O texto é do jornalista Attilio Bolzoni, autor também de um livro sobre as gírias, as regras, o tal código não escrito mas pautado na tradição e na “ética” toda própria dos homens de honra sicilianos. Coisas tipo essa: um mafioso queria casar com uma moça, mas os pais dela eram separados – o irmão aconselha: “Olha, casar com uma moça assim não pode, mesmo, mas, e se ela fosse órfã?” Ou seja, mata logo o sogro e a sogra de uma vez e seus problemas terminaram, capisci?

Bom, bom, bom. Mais notícias? Muitas, um bocado, uma ruma. Ruma, mesmo – se é que vocês me entendem.

Então, vamos brincar de embaralhar os causos: imagine que o tal artistazinho vai curtir sua fossa, empanturrado de dinheiro, na Itália. O avião, por obra e graça, não do destino, mas em prol do enredo, é desviado da Toscana para a Sicília, onde a esposa traída cinco vezes, mais as “filiais”, arrumaram emprego nas hostes da máfia, como assassinas de aluguel. O Don Juan com o pênis colado na pança também tá por lá, foragido. Todos se encontram e… bom, o resto deixo para a imaginação de vocês, que eu vou ali, bisbilhotar o twitter alheio em busca de mais notícias surreais.

*

NOVELA

Estreou ontem, na Record, mais uma novela brazileyra: “Bela, a feia”.

Não vi. Mas colho (“mas colho” é cacofonia, né?), do portal do UOL, a sinopse do primeiro capítulo:

Bela vai a um programa de TV para relembrar seu passado famoso, com a dupla Belinha e Dinho. A plateia se assusta com sua feiúra. Dinho, que é tido como morto, vê o programa e não gosta. Na agência, Ricardo anuncia que vai escolher um novo presidente. O escolhido é Rodrigo. Clemente compõe um novo samba, mas Nelson rouba a canção. Verônica contrata uma linda secretária para Rodrigo, que se irrita. Bela vai à agência pegar o violão do pai, e todos a humilham. Rodrigo decide contratá-la.”

Pois, fiquei imaginando como seria substituir os nomes dos personagens por alguns dos nomes que pululam na política, nas colunas, nos blogs e nos twitters locais – e é claro que não vou dar nome aos bois. Façam, vocês mesmos, a brincadeira: já vi que minha carreira de noveleiro não tem muito futuro não.

OUI

“O que você gritaria no topo da torre Eiffel?” – a pergunta pode valer uma viagem a Paris, desde que muito bem respondida, claro. A promoção é da Turismo Carrefour, agência de viagens do grupo francês.

Ailton Medeiros bem que podia participar.

Vingt-un

Os 60 anos da Coleção Mossoroense, bela e insuperável iniciativa de Vingt-Un Rosado no Oeste Potyguar (e muito mais importante do que aquela besteirada da expulsão de Lampião & company), vão ser homenageados hoje à noite durante a Feira do Livro.

P&V

As citações do Prosa & Verso desta semana são de dois livrinhos, entre tantos, fundamentais: o longo poema em 23 cantos, “O naufrágio do Titanic”, do alemão Hans Magnus Enzensberger (tradução de José Marcos Macedo, Companhia das Letras, 2000), e a antologia de textos que Barthes reuniu em livro lá se vão 52 anos (“Mitologias”, Difel, 2007).

PROSA

“A função do mito é evacuar o real: literalmente, o mito é um escoamento incessante, uma hemorragia ou, caso se prefira, uma evaporação.”

Roland Barthes

Mitologias

VERSO

“O início do fim / é sempre discreto.”

Enzensberger

“O naufrágio do Titanic”

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