As ilustrações deste post refletem modos díspares de enxergar o feminino.
De um lado, a pop art de Mel Ramos, que adora pintar mulheres ao lado de ícones da indústria alimentícia – eu disse ao lado? Bueno, em muitas de suas telas as mulheres abraçam, se deitam, parecem quase gozar na interação física com vidros de ketchup, latinhas de coca-cola, barras de chocolate e uma ruma de coisas que o artista inventa. Como me recuso a aceitar a idéia que o artista poderia miniaturizar as mulheres, prefiro pensar que são os objetos que se apresentam agigantados.
Do outro lado, figuras como Valie Export, que, na virada dos anos 60 pros 70, abria um buraco na calça na altura da vagina e girava pelos cinemas pornôs de Nova York com uma metralhadora na mão e cutucando os espectadores, a maioria, claro, machos solitários: “Querem sexo de verdade?” – espinafrava a moça. Como faria nestes tempos de internet e sexo virtual elevado à quintessência?
Pois, nada, como nada melhor que o mundo real, um e outra estão em exibição por este mundo vasto mundo, onde poucos chamam-se Raimundo e não acreditam que rima seja solução pra coisa alguma.
A começar pelo americano, que tem uma retrospectiva na Kunsthalle Tübingen, na cidade homônima, pertinho de Stuttgart, Alemanha (Mel Ramos: 50 years of Pop Art), desde janeiro deste ano até abril, onde os felizardos podem adquirir um catálogo (280 páginas, 169 ilustrações). Nem tão perto nem tão longe, em Viena d’Áustria, Hollywood é a interpretação de Ramos para algumas das atrizes mais sexy do cinemão americano. Vi retratos de Cameron Diaz, Angelina Jolie, Paris Hilton, mas nada de Sandra Bullock. Na Galerie Ernst Hilger. Pena que ja acabou. Já New Work abre próximo 4 de março na Modernism, galeria de San Francisco, Califórnia.
Já Dona Valie Export e outros ícones do feminismo nas artes podem ser vistas em Donna. Avanguardia femminista negli anni 70, que acontece até o 16 maio na Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporânea (Viale delle Belle Arti 131, Roma). São mais de 200 obras, incluindo fotografia, filme, vídeo e performance, todas sob o signo da vanguarda, do tempo em que o termo tinha outros significados.
Dois olhares que não se excluem, aliás. Mas, ao menos para o sobrescrito, muito mais solar, positivo e excitante aquele de Mel Ramos – daí mais uma canja de suas mulheres fantásticas, irreais e, por isso mesmo, ainda mais fascinantes:





