chove sobre santiago

5 de maio de 2010

chove sobre santiago

Um Já Comentou para “chove sobre santiago”

  1. Jarbas Martins disse:

    sertanejo, deserdado das chuvas, tenho um culto ancestral por elas,em suas formas, estilos os mais variados: torós, neblinas, garoas, pancadas de chuvas que me soam como uma pancada – a palavra bátega, por exemplo.
    eros apresentou-se diante de mim, num ano de paz entre as famílias de angicos, em forma de uma vizinha, que esqueci o nome, e que tomava banho de chuva. inverno certo, garantido, com a assinatura autenticada de são josé, nosso padroeiro. seu vestido colava-se ao corpo numa aderência tão pecaminosa que deus vez quando mandava-me um sinal, raio ou trovão, que ameaçava meus pensamentos ou a carnaubeira solitária em frente à igreja.minha mãe num quarto, com meus irmãos mais novos, cobria os espelhos da sala, do quarto e da sala de jantar. não eram muitos, mas tão modestos que, diziam. tinham a capacidade de atrair quase toda a energia elétrica do planeta. ao mesmo tempo, minha mãe, prevenidíssima, invocava santa bárbara e são jerônimo, santos sabidamente eficientes na proteção contra as descargas vindas das nuvens cristãs.na verdade angicos, mesmo em tempos de paz, sempre conviveu com o medo,imaginário ou real. meu pai, udenista, vivia sempre em estado de alerta: o preço da liberdade é a eterna vigilância, bordão da udn que repetia como um mantra. era católico, mariano, como seu líder aluízio alves, que iniciou sua vida literária com a históra da paróquia.do ponto de vista político, nada mais mais casuístico; procurava-se de qualquer maneira cooptar o santo padroeiro. chuva era a maior garantia de votos. a udn era atentíssima.

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