Breve história de myself

23 de abril de 2014

Jake LaMotta, Sugar Ray Robinson

Uma vez pensei que a solução seria ser ghost writer de mim mesmo.

Mas eu cobrava muito caro e não tinha como esconder que nunca poderia pagar.

Ao menos não essa exorbitância que me cobrava.

Resultado, me desentendi.

Fiquei assim, meio amuado, meio dividido, meio eu pra lá, meio eu pra cá.

Até o dia em que resolvi largar da ideia e escrever por conta própria sem o auxílio luxuoso de mim mesmo.

Andei lendo, escondido, sem que me visse, uma ou outra coisa que rascunhei.

Algumas eram tão boas de verdade que passei a limpo e tomei como minhas.

O resto, boa parte das páginas continuaram sendo escritas do lado de lá das cordas e findaram ainda melhores das que nunca escrevi da parte de cá.

Foi assim mesmo, concordei comigo quando me vi contando essa história num pedaço de papel bem parecido com esse, a letra tão igual.

Ainda assim, não me contive e ajuntei, à guisa de mensagem cifrada:

– Só nunca vou entender porque não perco essa mania de fingir que não sou eu.

Fingi que não me ouvia e segui adiante. Às vezes, quando olho pra trás, estou lá. No canto, nas cordas, tão fodido e roto e estropiado mas não o bastante pra não me enxergar lá na frente, os punhos erguidos para o alto.

Nunca perderei por WO.

 

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