Baseball

13 de fevereiro de 2011

E aí minha amiga chegou da Itália e marcamos um encontro e conversa vai conversa vem lá pras tantas antes de se despedir ela confessa segredando o motivo de sua vinda:

Estava apaixonada por um rapaz “infinitamente mais novo” que esperou que ela chegasse para só então dizer da nova namorada.

Eu não sei calcular o “infinitamente mais novo” mas a ênfase foi tamanha que eu preferi nem perguntar.

Parêntesis: não sei se vocês repararam mas até agora nenhuma vírgula foi usada nesse texto, (olha uma aí), também nenhum animal foi maltratado, mas isso é outra história, voltemos à vírgula, às vírgulas, pois, talvez, porque os italianos e as italianas gostam de falar pelos cotovelos e todo mundo sabe que cotovelo não usa vírgula, tal.

Enfim, minha amiga.

Coitadinha.

Coração despedaçado.

Em frangalhos.

É a única pessoa no mundo que eu conheça que já foi jogadora de beisebol, ainda mais exótica porque italiana.

Enfim, minha amiga. Que o texto se alonga. E a vida, muito curta. E esse amor, imenso. E o juventude do rapaz, infinita.

Nem um tico melosa, muito mais resolvida que desesperançada, muito mais hard do que soft, enfim, minha amiga.

Era a mesma ali, na calçada, quase irreconhecível aos meus olhos, quase a debulhar-se em lágrimas porque o rapaz, “infinitamente mais jovem”, não queria mais nada com o basquete, o beisebol, as partidas de sinuca.

“O povo diz que sou quem dá o chute na bunda dos caras” – falou – “mas não é verdade. No início, nós, mulheres, somos racionais, evitamos nos envolver, e os caras, não: se dizem logo apaixonados, mas só querem nos comer”.

“A gente só se fode” – resumiu.

Bom, foi por aí que ela falou. E continuou, que eu estava ali pra ouvir, mesmo:

“Aí quando nós, depois de uma longa resistência, nos deixamos e já estamos totalmente indefesas e presas na armadilha, eles preferem ir embora, em busca de uma mulher mais jovem, mais normal, uma que possa ser apresentada à família sem causar constrangimento.”

O papo era muito homens-são-de-Marte-mulheres-são-de-Vênus e eu não tinha, em verdade, muitos motivos pra discordar.

Apenas que, vez em quando, os papéis se invertem e subvertem o curso clássico da História, com agá maiúsculo.

Já a história, com agá minúsculo, da minha amiga, e de tantas outras e outros, essas histórias de amor, de tão banais, nada têm novo. São como agulha no palheiro. Como bolas de beisebol que alçam vôo e se perdem no gramado. Despedaçadas, sem serventia, até que uma outra venha de encontro ao taco.

Mas aí é uma outra. Bem parecida com a anterior.

3 Já Comentaram para “Baseball”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by ricardocamposs, mario ivo cavalcanti. mario ivo cavalcanti said: tratos à bola http://www.marioivo.com.br/baseball/ [...]

  2. carito disse:

    jogo da vida, jogo de palavras… ótimo texto! ótima história! mas sei que nem preciso dizer isso – traduzir esse jogo aqui é fácil para um cara bom de taco como você. ora bolas!

  3. ... disse:

    realmente se repete a mesma história, sempre…quase sempre. mas as vezes ela tem um final feliz, esperança dos eternos recomeços …e o que seria de nós sem ela? só não dá para entender pq, além de todos os pequenos obstáculos, mas das vezes ainda acrescentamos um grande percalço, uma “infinita juventude”. rsrs. vamos ser práticos, na maior parte dos casos cai muito melhor.

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