Amores | Primeira prova

22 de novembro de 2010

Schiele, 1912

Amores se vão, amores ficam, amores retornam, amores se perdem pra nunca mais.

Amores fenecem, amores murcham, amores pedem sombra, água, regador, amores adubam.

Amores espinham, amores definham, amores compreendem, amores se desentendem e não voltam atrás.

Amores seguem adiante, amores abrem veredas, amores descobrem mares, amores povoam ilhas, amores não queimam portos.

Amores são astrolábios, amores são mapas-múndi, amores são escafandros, amores são o centro do mundo.

Amores são o fim da picada.

Amores são inícios, amores são recomeço, amores são espelho, lagoa, lago, poça d’água, chuva malsã, romã.

Amores são indícios.

Amores acontecem em Paris, São Paulo, Luxemburgo, amores fazem escala em Liverpool, Mumbai, Istambul.

Amores emprenham ventos, amores parem tempestades, amores têm asas, amores silenciam.

Jamais têm idade.

Amores não carimbam passaporte, amores não passam na alfândega, amores não levam excesso de bagagem, nenhum amor cabe numa mala.

Amores se extraviam, amores se recuperam, amores se desesperam, amores gritam, nenhum amor range os dentes.

Amores veneram, amores decaem, amores murmuram, amores dão beijinho, amores balançam, de mãos dadas, na escola.

Amores pisam na bola.

Amores invadem, amores soçobram, amores encantam, encarnam, encaram, amores decantam, amores restam.

Todo amor se repete.

Amores enganam.

Amores morrem.

Amores mentem.

Amores pressentem.

Amores são mergulhos no infinito, pedra de construir labirintos, febre, câncer, estenose, amores são maré, remoinho, vento.

Amores são vagas, amores espraiam, amores desgraçam, todo amor nada, nada, e morre na praia.

Amores se multiplicam, amores geométricos, amores aritméticos, amores ergométricos, amores não se dividem.

Amores subtraem.

Todo amor subtrai.

Nenhum amor se trai.

5 Já Comentaram para “Amores | Primeira prova”

  1. Louise M. disse:

    ‘acima do peso, acima da idade’. pra mim, acima das expectativas… ;)

  2. Lari disse:

    “amores restam” – finalmente alguém conseguiu definir o amor. Que bom que foi você!
    Besos,
    L.

  3. Jarbas Martins disse:

    Bela a sua ontologia do amor, Mario Ivo.E Lari acertou, quando destacou um versinho em meio a tantos outros: “amores restam”.Para o nosso bem e para o nosso mal.

  4. antonia maria de araujo fernandes disse:

    A mais bela declaração ao amor que vi na semana.

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