Adivinhe quem vem para o café-da-manhã: Olímpio Maciel

28 de setembro de 2009

Cultura 260909


Dr. Olimpio Maciel – vocês hão de recordar – volta para este café-da-manhã no sábado subseqüente (há sete dias escrevia sobre o embaixador Fernando Abbott Galvão). Se é preciso justificar a repetição – coisa desnecessária pela capacidade de escrever e retratar perfis que caracteriza o presidente do Instituto Pró-Memória de Macaíba – hoje, 26 de setembro, é aniversário de nascimento de Darce Freire Dantas de Araújo, que, além de ser, ter sido, quem Dr. Olímpio bem soube descrever no texto que segue, é tio materno e padrinho do sobrescrito. Em tempos de famílias que não sabem a verdadeira importância de ser família, me permitam essa espécie de nepotismo quase ao pé da letra – a palavra tem origem no latim, e referia-se aos sobrinhos do papa.

Presença de Darce Freire

Três gerações me ligam sentimentalmente a Darce Freire Dantas de Araújo: a do meu avô Olympio Jorge Maciel, amigo do avô dele; a do meu pai José Jorge Maciel, amigo do pai dele; e a minha, pois ele foi uma pessoa que conheci desde a minha tenra infância, ele já adulto, nos sítios, solares e povoados de Macaíba. O fato de sermos ambos profissionais ligados à área de saúde – ele odontólogo, eu médico – foi mais um vínculo que reforçou os liames pré-existentes entre nós. E estou seguro que nos esmeramos ao máximo, ao longo de todos estes anos, para honrar essa herança virtuosa gestada na alma e no coração de nossas famílias.

Seu avô, coronel Maurício Freire, foi um incontestável chefe político do nosso município; seu pai, Estevam Alves de Araújo, herdeiro dessa herança, primou por preservá-la da melhor forma. Esse esforço foi cumulado de êxito ao se eleger prefeito de Macaíba, realizando um sonho que ele reconhecia como parte do legado que lhe transmitiu seu pai.

Por diversas razões, Darce Freire abnegou esse pendor para a política, tão caro aos seus antepassados. Estudante do Colégio Santo Antônio, recebeu uma formação liberal, propiciada pelos irmãos maristas, e isso o redirecionou para abraçar duas profissões liberais: odontologia e contabilidade. Para concretizar a primeira, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Recife, PE, de onde só voltou em 1951, trazendo consigo o canudo que simbolizaria sua profissão daquele momento em diante.

O título de contador teve uma história efêmera: ele o conquistou seis anos antes, no Instituto de Comércio do Colégio Santo Antônio, quando ainda hesitava entre que profissão seguir. Ao inscrever-se na universidade pernambucana, ele o deixaria para trás, como uma entre outras veleidades juvenis.

De fato, a odontologia exerceu tamanho fascínio sobre Darce Freire que este não hesitou mais em dedicar-lhe toda a sua atenção. A sucessão de cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação que se seguiram à sua graduação na academia pernambucana veio ratificar o muito que essa profissão passara a significar para ele. “Aperfeiçoar-se sempre” era o princípio que o impelia a trabalhar em prol da sua carreira de eleição. Adquiriu expressivos conhecimentos na prática e na pesquisa profissional. E isso naturalmente o levou a dar um novo passo rumo à excelência profissional: galgou o posto de Professor Catedrático em Fisiologia, da Faculdade de Odontologia do Rio Grande do Norte, fato ocorrido em 1967. O ciclo iniciado com a prática odontológica e seguido pela docência acadêmica finalmente se fechou, coroando o grande investimento que Darce Freire fez em termos pessoais e profissionais na sua vida adulta. Seus filhos Marcos, Stefano e Carlos Alberto assimilaram esse exemplo e seguiram carreiras da área da saúde. Os dois primeiros, a odontologia; o terceiro, a medicina.

Essa biografia tão rica, graças à inconfundível força de vontade que cercava tudo que Darce Freire fazia, apresenta traços que parecem destoar na personalidade do profissional pragmático que ele sempre fez questão de promover de si. Na verdade, porém, são facetas que surpreendem apenas aqueles que o conheceram superficialmente. Quem o conhecesse de perto e de longe, como nós, as entendia perfeitamente. Refiro-me ao fato de Darce Freire cultivar orquídeas e criar canários, praticar a fotografia como amador, amar as caminhadas e se mostrar sempre curioso pelas novas invenções. Algum desses elementos conflita com outros traços de sua personalidade? Cremos que não. Eram apenas manifestações de uma mente aberta às coisas do mundo da vida. Sobretudo as coisas interessantes, estimulantes, curiosas.

E como esquecer as estórias que ele gostava de contar com tanta graça dos tempos de antanho: época da guerra em Natal, com as inúmeras transformações socioeconômicas que daí resultaram, ou a ainda mais recuada época de sua infância em Macaíba? Porque Darce Freire pôs tudo de si em cada acontecimento que viveu, testemunhou ou compartilhou. E narrou.

Homens assim ficam cativos da memória coletiva dos lugares por onde passaram. A cidade de Natal sabe o quanto deve a Darce Freire. É hora, então, de reconhecê-lo como um dos seus benfeitores. Não faltará quem lhe aponte evidências nesse sentido. [Olímpio Maciel]

Prosa

“era o guia, era a tábua solene, era a lei que se incendiava”

Raduan Nassar

Lavoura arcaica

Verso

“Quem somos nós?”

Fernando Monteiro

“Vi uma foto de…”

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