A volta da Catita

26 de outubro de 2009

Cultura 231009


Aliás, Catita 03: a última locomotiva a vapor deste Ryo Grande, aqui chegada há mais de um século e atualmente abandonada num galpão do Museu do Trem em Recife.

Abandonada talvez é modo de dizer, né? Se fosse aqui, neste Ryo Grande sem Norte – e não é complexo de vira-lata, não – eu até acreditaria em tal abandono, mas, enfim, não será à toa que mais verde sempre nos parece a grama do vizinho.

O que importa é que a Catita 03 está de regresso a estas ribeyras, como na volta do boêmio. Uma história e tanto a desta locomotiva: adquirida em 1906, juntamente com outras 25, esteve presente na inauguração da Ponte de Igapó, dez anos depois, e também na da ponte de concreto, em 1970 (governo do Monsenhor Walfredo Gurgel). Já nesta última data era a única locomotiva a vapor funcionante: todas as outras tinham sido desativadas e substituídas por máquinas diesel-elétricas.

A Catita 03 ainda seguiu na lida diária, até 1975, realizando manobras internas no pátio das Rocas, quando foi enviada para a REFESA, na capital pernambucana. Em 1998, a aposentadoria foi definitiva e a Catita “abandonada” no tal galpão.

Cinco anos depois, graças às pesquisas de Ricardo da Silva Tersuliano, a velha máquina e seu reboque foram localizados.

O Instituto dos Amigos do Patrimônio Histórico, Artístico Cultural e da Cidadania (IAPHACC) se mobilizou, a Funcarte colaborou, o IPHAN/RN fez uma perícia atestando a identidade da Catita, e técnicos do CTGÁS se encarregaram do projeto de restauração e conversão do combustível e a construção de três novos vagões.

A Catita 03 está de volta.

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EFCRGN

1906 é o ano da inauguração do primeiro trecho da então Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, com a presença do presidente Afonso Pena. Dois anos antes tinha chegado ao estado o engenheiro Sampaio Correia: o projeto de uma ferrovia fazia parte de um plano maior de obras contra a seca.

OLIVEIRA

Valéria Oliveira (mais Jubileu Filho, Paulo Oliveira e Rogério Pitomba) segue em frente com sua turnê “no ar”: hoje se apresenta em Pipa, no Espaço Gatos de Rua. A novidade é que antes do show (22h), rola um jantarzinho (21h) – nada básico: o menu é assinado pela chef Clara Nunes (from Pernambuco) e custa R$ 50, a dobradinha.

Quem não tiver a grana, pode até passar fome – mas não morre pelos olhos ou pelas oiças: assista ao show, de grátis, em frente ao restaurante.

LIRA

Lucinha Lira e banda se apresentam hoje, 21hs, no Praia Shopping Musical.

Tribo

Hoje, 19h, tem apresentação “pocket” (ou seja, “de bolso”, nove minutinhos) do espetáculo de dança da Companhia Xamã, “Tribal tales – origens e descobertas”, direção de Cibelle Souza, com participação de Paula Braz.

No encerramento da Cientec.

serenata

Amanhã, 19h30, no Café Salão Nalva Melo, ribeyras do Putigy, tem apresentação do grupo Trisom, com o show “Uma noite em serenata”.

Atmarama

Amanhã, dentro da programação do IV Festival BNB da Música Instrumental, Alexandre Atmarama se apresenta em Fortaleza, na boa companhia do trombone de Gilberto Cabral.

Simplício

O trompetista João Simplício (Banda Sinfônica de Natal e Jerimum Jazz Band) se apresenta no próximo Som da Mata (domingo, 25, 16h30, Parque das Dunas), na companhia dos – por que não dizer? – “suspeitos de sempre”: o guitarrista Jubileu Filho, o baixista Paulo Oliveira e o baterista Rogério Pitomba.

Por R$ 1 ouça – e veja – clássicos da MPB, da salsa e do jazz.

Profano

Também no domingo – e, literalmente, reza o release – “o processo de evangelização de jovens da Igreja Católica Potiguar vai ganhar um reforço com a realização da Micareta ‘Deus é show’”.

Nossa! Se até deus aderiu à micareta, que será do Tinhoso?

Pois, o trio elétrico chama-se Óvni (não deveria ser Santíssima Trindade?), a banda Dominus vem de Beagá só pra nos catequizar com seu – acreditem – “axé católico”, e tudo, tudo (acho que inclui pular dentro das cordas), custa R$ 15.

Concentração às 15h, no Anfiteatro da UFRN.

50%

Não sei se as condições climáticas são propícias, mas quem quiser se hospedar hoje, amanhã e depois no Hotel Garbos, em Mossoró City, paga apenas metade.

25

Aproveitando suas Bodas de Prata (25 anos neste 2009 da estréia de “Marrons crepons marfins”), Marize Castro convida para aportar as paixões que nos dividem, um tinto, e o lançamento de novos versos: “Lábios-espelhos”, 5 de novembro, no Midway.

Prosa

“Agora case, sem ficar louco!”

Franz Kafka

Carta ao pai

Verso

“Morrer é nada, nem / Mais. Porém viver importa / Morte múltipla – sem / O Alívio de estar morta.”

Emily Dickinson

“Morrer por ti…”

Um Já Comentou para “A volta da Catita”

  1. Gabriela disse:

    Gostei da matéria sobre a locomotica Catati 03! Esperamos o seu retorno.

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