A única flor do seu jardim

26 de janeiro de 2010

Então.

Sejamos justos, façamos justiça, falando sério, a Cesar o que é de Cesar, e à Borboleta a única flor do seu jardim.

A alcaidessa Micarla (de Miriam + Carlos) de Sousa (com esse) Weber (com dabliú) atirou no que viu e acertou no que não viu.

Consagrada nas urnas, mais de ano atrás, se agarrou ao mote Saúde como quem não via outra tábua de salvação em meio aos 1.001 problemas que a cidade, com seus quatrocentos e poucos aninhos de selvageria, naturalmente enfrentava.

Conselho pautado em pesquisas de opinião, claro.

Puro marketing, claro.

Findou um ano e o que se pretendia ser um Cisne Branco e altaneiro continuou a ser um Patinho Feio. Pior: roto, estropiado, doente e mal cuidado. A Saúde da Cidade da Gente conseguiu superar as mazelas da Gente da Cidade.

Na contramão do marketing estéril – que invés de suceder um projeto político e administrativo, estranhamento o antecedia – a Secretaria de Mobilidade Urbana teve a idéia de implantar o Via Livre, a única flor do jardim do éden micarlista ou micarliano, pois.

Ou, exagerando, de propósito, uma pérola solitária em meio à vasta pocilga.

Não convém aqui questionar se demorou ou não a ser implantado, e se o raio de ação poderia ser bem mais extenso. O fato é que o Via Livre cruzou a soleira do ano zero ao ano dez na faixa de segurança, especialmente ao ser implantado onde ninguém mais acreditava (inclusive o sobrescrito) que poderia ser implantado: a avenida Afonso Pena, uma espécie de Oscar Freire no lirismo do colunismo social nativo.

*

Com certeza não será o Trânsito, e suas agruras, a saúva do natalense, especialmente o das classes ditas menos favorecidas, mas é inegável que nos últimos anos é questão de primeira ordem, com o crescimento populacional e com as facilidades das montadoras em transformar o cidadão movido a ônibus num cidadão com transporte próprio e prestações a perder de vista.

Cruzar as imediações do Midway (epicentro da Natal que, ao tentar escapar do provincianismo, mais nele se enreda), só para citar um exemplo, era tarefa bem menos inglória há poucos, pouquíssimos anos.

Por outro lado, nas três ou quatro avenidas em que foi implantado, é nítida a visão de que, se não acabou, pois, com a saúva, o Via Livre minimizou, muito, um problema que cresce vertiginosamente.

Poderia ser ainda pior, é o que se deduz.

*

Na contramão, repito, de uma administração que teima em aceitar o óbvio de que não está mais em campanha eleitoreira e cria projetos como moscas, o principal mérito do Via Livre foi o de mostrar ao cidadão que o negócio todo efetivamente funciona. Às vezes mais, às vezes menos, mas funciona.

Há fiscalização e há continuidade. Há ação e prática.

(Não sejamos pessimistas: há de vingar.)

*

E, tanto funciona, que a Semob, a sigla para a “nova” Secretaria de Mobilidade Urbana, talvez seja a única mudança de nome facilmente aceita e aprendida pela população, em meio a um festival de novos batismos, como é do gosto da turma da Borboleta, todos muito feéricos e febris, mas inócuos como um sonrisal apenas desfeito.

De novos projetos, então, nem se fala – literalmente: Merenda em Casa, Jogo Limpo, Passe Livre, Adote o Verde, Fala Sério, Cozinha Solidária, Calçada da Gente… ufa! Tantos e quase todos esquecidos, não apenas pelo povo, mas pelos seus próprios responsáveis.

Não é de se estranhar, também, que o secretário da Semob, Kelps Lima, possa vir a ser um nome realmente identificado pela população, no imaginário coletivo, como alguém capaz de mudanças.

Tudo aquilo, enfim, que a prefeita quis ser mas não conseguiu.

5 Já Comentaram para “A única flor do seu jardim”

  1. paulo de souza disse:

    Caro Mario Ivo

    Ao longo de 2009, li as críticas da imprensa a respeito do programa via livre. É espantoso a pobreza de argumentos de jornalistas e até de urbanistas conhecidos da nossa cidade. Alguns por defenderem este ou aquele interesse. Outros por pura ignorância. E ainda outros, por inveja, de não terem tido a simples idéia de colocar para funcionar o Código Nacional do Trânsito ou o Direito Contitucional de ir e vir. O Secretario Kelps Lima não inventou a roda. Nem tão pouco inventou o ovo. Ele apenas o colocou em pé. Teve a coragem de se contrapor aos poderosos de plantão. Mas criticar é fácil. Saber fazer elogios, quando o elogio é merecido , é que é difícil. Principalmente em nossa aldeia. Parabéns Mario ivo.

  2. alexandre gurgel disse:

    Tá finalmente acertasse! Esse ano claro…!

  3. [...] This post was mentioned on Twitter by Rodrigo Santos, Myrianna, Myrianna, João G V Cavalcanti, Lidiane Mary and others. Lidiane Mary said: RT @mario_ivo: a única flor do jardim do éden micarlista http://migre.me/hIjk ou, uma pérola solitária em meio à vasta pocilga [...]

  4. Alex de Souza disse:

    O maior mérito de Kelps Lima, na verdade, foi criar um prêmio que distribuiu entre a imprensa natalense alguns milhares de reais para que se publicasse reportagens sobre placas de proibido estacionar.

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