A árvore

4 de dezembro de 2010

Hoje, montei a árvore de natal com a minha filha caçula.

Não foi a primeira vez.

Mas.

Eu queria muito fazer isso.

Este ano.

Porque este ano foi diferente.

Este ano foi de perdas. Sempre tem alguns ganhos no meio das perdas, mas eu posso dizer que este ano foi um ano de danos.

A gente perde a inocência. A gente perde a verdade. A gente perde a crença no outro. Esta, a maior perda.

Querem saber? A gente perde todo dia. E todos os anos. Por que fui falar? O ano passado eu perdi tanta coisa, algumas definitivas e definidas só agora, neste ano. Outras, perdi há tanto tempo, sem saber.

A gente perde a paciência. A gente perde a ilusão. A gente perde o prazer de sonhar. Este, a gente sempre reencontra.

Então, montar a árvore com a minha filha é algo que nunca se perderá. A gente monta a árvore hoje, este ano, para que ela continue sempre na lembrança, ainda que outras árvores e outros natais possam vir (e virão) e ainda que outras árvores e outros natais passados permaneçam, esta árvore – como as outras – será sempre inesquecível.

Montamos, minha filha e eu. Ela está na sala, quatro tons de verde nas bolinhas, que, agora, ao contrário da minha infância, são de plástico e não se quebram, como uma vez. Quatro tons de verde nas bolinhas, balançando ao vento no meio da sala. A árvore. Minha filha, agora, não está na sala. Está na casa da mãe. Fazemos parte dessa maré de pais e filhos separados, bolinhas que não se quebram, mas também não se juntam mais.

3 Já Comentaram para “A árvore”

  1. Laura_Diz disse:

    Somos dois.
    Ano tão triste.
    Perdi a esperança tb.
    Bjs Elianne
    Mas a gente sobrevive, enfim… a vida…

  2. Há alguns anos não montamos mais árvore de natal juntos aqui em casa, lembro de como nos reuníamos em torno da pequena árvore, alguns enfeites reaproveitados e outros novos, compra comemorada com alegria, escolhida com todo o cuidado. Essa crônica me arrastou pra um passado do qual sinto falta, admito. Tens razão, sempre estamos perdendo, só que em alguns momentos a (provisória) felicidade nos ocupa tanto que não vemos o movimento das perdas que segue simultâneo ao de ganhos. Sempre fui meio neutra ao clima natalino, meu ano foi diferente, passou rápido e não está tendo um final tranquilo… Meus motivos para temer ou desanimar diante do desconhecido são muitos, mas eu sou teimosa e não vou dar esse “gostinho”, resisto e desejo um bom 2011 para mim, para nós.

    Abraços :)

  3. MEmilia Wanderley disse:

    A tarefa de viver foi muito dificil para mim neste ano.
    Mas na imagem do meu pensamento, vc. foi o meu presente predileto neste 2010.
    Que 2011 seja mais feliz para todos nós.

    bjs.

Deixe um Comentário